21/05/2025
Hoje foi um dia extremamente triste para nós, italianos no exterior.
Como disse o Honorável Piero Fassino: "estão humilhando milhares de italianos no mundo hoje."
Na verdade, não apenas hoje — desde o dia em que o “decreto da vergonha” entrou em vigor, a forma como fomos mencionados tem sido profundamente desrespeitosa. Políticos de partidos que se dizem patriotas, mas que não conhecem a história da Itália e da sua diáspora. Ignoram a amizade entre países irmãos que, por anos, ajudaram e foram ajudados — como é o caso do Brasil e da Itália.
Eu, como italiana no exterior, me senti traída por políticos que deveriam defender os nossos direitos, mas que, de repente, aprovam uma lei que destrói o sonho de milhares de famílias e apaga uma história.
Na primeira foto, sou eu no Comune de nascimento da minha bisavó. Mas, segundo eles, os italianos no exterior querem o passaporte apenas para viajar para Miami e nem sequer sabem onde seus ancestrais nasceram.
Na segunda foto, estou na Itália, em 2017, na minha primeira viagem internacional — e fiz questão de conhecer a Itália. Mas, segundo eles, nunca pisamos em solo italiano e já queremos o passaporte.
O que eles não enxergam — talvez por só verem um palmo à frente do nariz — é a realidade de milhares de pessoas que, assim como eu, não tinham condições financeiras para viajar à Itália ou fazer qualquer viagem internacional até pouco tempo. Muitos não vão porque realmente NÃO PODEM!
Claro que isso não se aplica a todos os descendentes, mas a maioria carrega um amor verdadeiro pela Itália.
Nunca foi apenas sobre um passaporte — até porque o passaporte brasileiro também é excelente e dá entrada a 169 países sem visto.
Me despindo da tristeza, deixo aflorar a revolta — porque é dela que precisamos agora.
Fecharam as portas da cidadania italiana pela via administrativa para milhares de descendentes. Agora, apenas filhos e netos poderão reconhecer a cidadania pelos consulados e comunes.
No entanto, pela via judicial, advogados brasileiros e italianos continuarão unidos para lutar por esse direito constitucional.
Não será um caminho fácil. E, como em qualquer processo judicial, não há garantia de êxito. Mas estaremos na linha de frente, prontos para lutar por todos que ainda desejam conquistar o reconhecimento da sua cidadania.
A cidadania italiana não é um presente, mas é um direito garantido constitucionalmente. Vocês não estão sozinhos.
Não aceitaremos isso de cabeça baixa. Contem comigo!