14/10/2015
Vantagens da Mediação
Todos nós somos negociadores no nosso dia-a-dia, porém, nem sempre chegamos a contento, porque na maioria das vezes estamos tão obcecados com a nossa posição que nos esquecemos por completo dos interesses dos outros. Vivemos o nosso quotidiano a pensar em como vamos impor a nossa posição ao outro e vice-versa – isto sucede na via judicial e nas relações profissionais e pessoais, colocando em risco o relacionamento entre as partes envolvidas, aumentando a tensão, o risco de impasses, diminuindo a criatividade de ideias, de opções.
Por sua vez, o processo de mediação tem por base a ponderação dos interesses, ou seja, significa separar as pessoas do problema e aqui os pontos essenciais são: colocarmo-nos no lugar do outro, focarmo-nos nos interesses e não nas posições, criar opções antes de decidir o que fazer, por exemplo, através do brainstorming ou do questionamento (inventar opções que beneficiem ambos), ser concreto, objectivo, flexível, olhar sempre para o futuro, reconhecer os interesses da outra parte como parte do problema, adiar a resposta de forma a esperar que as emoções se acalmem.
O mediador é visto como um terceiro neutro imparcial que não tem qualquer interferência na decisão, sendo o seu papel o de um mero facilitador para ajudar as partes a dialogar, sendo a estas que cabe o poder de decidir.
É um processo mais simples, menos burocrático, mais célere, menos dispendioso face ao processo judicial. Sendo estes factores muito importantes para a escolha e a implementação da mediação em Portugal.
A mediação é um processo confidencial, ou seja, o mediador mantém sigilo sobre todas as informações que lhe são transmitidas ao longo das sessões de mediação. Esta confidencialidade permite às partes uma maior abertura com o mediador, na medida em que a mesa da mediação é considerada como um espaço de partilha de interesses, emoções, sem quaisquer condicionalismos, sem que exista alguém que os possa julgar ou efectuar quaisquer juízos de valor. Aqui o que se realmente pretende é que exista uma abertura franca e honesta das partes envolvidas, dai que se entenda que a confidencialidade é crucial para o sucesso da mediação.
É um processo voluntário, significa que as partes recorrem à mediação de livre e espontânea vontade.
Por último, o processo de mediação é flexível, isto é, apesar do processo ter regras e uma duração especifica, a sua estrutura não é tão rígida como na via judicial, podendo as partes solicitar ao mediador a sua interrupção para falarem com os seus advogados em privado, para descansarem um pouco, na medida em que não queremos aumentar mais a tensão já existente ou agudizar o conflito.