03/02/2026
Pelo contributo que representa para a defesa de toda a classe dos Enfermeiros, partilhamos a publicação do nosso sócio-fundador David Leonardo:
Fez-se História, Fez-se JUSTIÇA!!!
Em mais de vinte anos de Advocacia, nunca publicitei nenhum dos meus resultados profissionais. Contudo, pelo feito histórico que representam e, sobretudo, pelas suas extraordinárias repercussões (presentes e futuras) para toda a Classe de Enfermagem, não posso deixar de dar nota das recentes decisões judiciais que foram proferidas nos diversos processos em que tenho vindo a assumir a representação de um grupo de cerca de 300 enfermeiros do Algarve.
Estas decisões vieram pôr fim a um longo e complexo litígio com a ULS do Algarve e, com isso, foram eliminadas as desigualdades (salariais e outras) que se verificavam entre enfermeiros com contrato individual de trabalho (CIT) e os enfermeiros contratados em regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (CTFP), afetando não só os Enfermeiros que integraram estas acções, como todos os enfermeiros do país!
O Supremo Tribunal de Justiça, ao confirmar as decisões proferidas pelo Tribunal do Trabalho de Portimão, pôs fim a uma longa batalha judicial, e, assim, obriga a ULS do Algarve a:
• Reconhecer que os Enfermeiros com CIT e CTFP exercem funções iguais em termos de qualidade, quantidade e natureza;
• Atribuir os pontos relativos ao ano de início de funções, independentemente de terem iniciado no primeiro ou segundo semestre;
• Proceder ao pagamento das valorizações remuneratórias (vulgo “retroactivos”) devidas desde janeiro de 2018 até dezembro de 2021, com reflexos ao nível de trabalho suplementar, noturno e feriados (etc.), acrescidas de juros de mora e custas processuais.
É, sem dúvida, um resultado histórico e uma das mais significativas vitórias da justiça laboral portuguesa.
Foi uma verdadeira luta de David contra Golias, em que os enfermeiros puderam contar apenas consigo mesmos e com o nosso acompanhamento jurídico. Sem qualquer apoio da tutela ou de estruturas sindicais e com uma forte oposição da unidade onde prestam funções (em face dos sucessivos recursos interpostos).
Mas a justiça prevaleceu!!!
Esta vitória pertence única e exclusivamente aos Enfermeiros da ULS do Algarve que, contra todas as adversidades, acreditaram na nossa justiça e lutaram pela igualdade na carreira de enfermagem.
Quero acreditar que os efeitos destas decisões se estenderão a todos os Enfermeiros do país, sem necessidade de recorrerem a novas acções judiciais.
Foi uma honra representar esta causa e contribuir para um marco de justiça e dignidade na enfermagem portuguesa.
Deixo o meu profundo agradecimento a todos(as) os(as) enfermeiros(as) que nos depositaram a sua confiança, ao meu Colega Caio Cortes Igarashi, que me acompanhou nesta jornada, a toda a minha estrutura na DML – SOCIEDADE DE ADVOGADOS e aos meus amigos e familiares, especialmente a minha mulher e filhas, que se viram tantas vezes privadas da minha presença e colaboração durante a discussão desta causa. Valeu a pena!
Viva a Enfermagem!