02/08/2026
Trás-os-Montes não se lembra pelas paisagens. Lembra-se pelas pessoas.
Chegamos como visita e f**amos como família.
A família dos amigos passa a ser a nossa: sentam-nos à cabeceira, põem mais um prato sem perguntar, contam-nos as histórias de casa como se sempre tivéssemos estado lá para as ouvir.
Aqui não se dá o que sobra — dá-se o que há. E o que há é sempre bastante.
De manhã cedo, abre-se a porta e é o ar fresco da serra que nos vem receber primeiro.
Um ar que limpa a cabeça e arrefece as pressas, que nos lava a alma antes do dia começar.
Há dias inteiros que se resolvem nesses primeiros minutos à porta de casa, com o vale ainda em silêncio.
São gentes de muitas palavras e de mão inteira. Não prometem: fazem. Não abraçam à primeira, mas quando abraçam, é para sempre.
Por isso desta terra ninguém sai completamente.
Levamos o ar da manhã na cabeça e a serra aos ombros mas o que f**a connosco, o que não se despede, são as pessoas.
E essas f**am onde nada se perde: no coração. ♥️