01/02/2026
Este não é mais um dos meus post sem interesse sobre corrida. É sobre heróis da minha geração. É sobre aquilo que nos parte e aquilo que nos levanta.
Alguns devem ter visto o esta semana a abrir o Jornal da Noite da RTP, enquanto diretor do , na Praia da Vieira de Leiria. Para quem não viu, a tempestade não deixou quase nada como d’antes. Um hotel inteiro - parte de uma cadeia histórica da Marinha Grande - virado de pernas para o ar e um parque aquático arrasado.
Quem me conhece sabe: aquela zona nunca me será indiferente. São Pedro de Moel, ali ao lado, faz parte da minha vida desde sempre. Ver aquelas imagens não é ver “notícias”. É ver memória, chão, casa a serem violentamente arrancados. A força da tempestade partiu ferro e betão, cerrou pinheiros como se fosse uma motosserra.
Hoje, para minha surpresa, encontrei o João no final da meia-maratona de Cascais. Falámos rapidamente do que custa falar. Da falta de alimentação durante dias. Dos banhos a púcaros de água fervida. Da privação de sono. Dos prejuízos imensos, ainda impossíveis de medir. Do drama de uma região inteira. Dos amigos que viram casas e projetos desaparecer de um dia para o outro.
Mas falámos também de superação. Dos trabalhadores do grupo. Da gente da Marinha Grande, que não quebra como o vidro que fabrica e da certeza de que se vai voltar a levantar.
Este não é mais um dos meus post sem interesse sobre corrida. É sobre a minha admiração profunda por alguém da minha geração que tinha todas as razões (e mais algumas) para não se meter num carro às 6 da manhã de um domingo cinzento e que, ainda assim, apareceu, correu, bateu o seu recorde pessoal aos 21 km. Sei que já regressou para preparar o hotel, no que é possível preparar, perante os novos avisos.
Abraço grande ao Jomi e a todos os que enfrentam estes dias muito cinzentos.