15/05/2026
MICHAEL JACKSON - Absolvido pela Justiça, condenado pela comunicação social
O lançamento do novo filme sobre Michael Jackson levou-me a analisar, enquanto advogada, um dos processos mais mediáticos da história contemporânea.
Durante cerca de 12 anos, Michael Jackson viveu sob investigação, suspeita pública e um verdadeiro circo público montado à escala mundial.
Muitos jornalistas pareciam apreciar o seu declínio. A comunicação social, faminta de escândalo, alimentava diariamente uma narrativa construída sobre suspeitas, insinuações e manchetes destrutivas. Porque o escândalo gerava audiências milionárias, vendia jornais, aumentava receitas e alimentava uma indústria mediática que lucrava com a queda pública do ícone pop.
Em 2004 Michael Jackson foi acusado. A acusação chegou a apresentar 9 especialistas em impressões digitais — um número considerado invulgar até quando comparado com processos de homicídio. A prova relativa às impressões digitais acabou por não produzir quaisquer resultados relevantes.
Foram ainda recrutados especialistas de praticamente todas as áreas possíveis: reconstrução de acidentes, computação gráfica, ADN, contabilidade forense, finanças, criminologia, telecomunicações, acústica, sistemas de segurança, abuso sexual de menores, psicologia, patologia e consultoria de júri. A dimensão da máquina montada pela acusação revelou-se absolutamente extraordinária.
Mas existe um facto jurídico que importa recordar: em 2005, Michael Jackson foi ABSOLVIDO de TODAS as acusações criminais de que vinha acusado, por 12 júris, após meses de julgamento.
E talvez seja precisamente por isso que tantos ainda se recordam das acusações, das manchetes e do escândalo… mas tão poucos falam da absolvição.
Fânia Gonçalves