18/02/2026
Estrutura da "Empresa Criminosa Global"
Com base na divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos, 2.000 vídeos e 180.000 imagens pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro e fevereiro de 2026, a rede é caracterizada por:
Alcance Transnacional: A rede operava através de fronteiras, envolvendo figuras de alto escalão na política, finanças e realeza em múltiplos países, incluindo EUA, Reino Unido, França e Polónia.
Crimes Contra a Humanidade: Especialistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU afirmaram que a escala e a natureza sistemática dos abusos — incluindo tráfico sexual, escravidão sexual e tortura — podem atingir o limiar jurídico de crimes contra a humanidade.
Facilitação Institucional: A rede foi sustentada por um ambiente de corrupção e misoginia extrema, utilizando fundações de fachada e instituições internacionais para camuflar atividades criminosas
DN/Lusa
Peritos da ONU defenderam segunda-feira, 16 de fevereiro, que os arquivos do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein mostram atrocidades de tal magnitude, caráter sistemático e alcance transnacional que poderiam ser considerados legalmente como “crimes contra a humanidade”.
Os documentos divulgados em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos “sugerem a existência de uma empresa criminosa global”, consideraram nove peritos da ONU num comunicado divulgado em Genebra, Suíça.
Também “revelam implicações aterradoras sobre o nível de impunidade para estes crimes”, afirmaram no comunicado conjunto, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Os arquivos contêm referências a possíveis casos de escravatura sexual, violência reprodutiva, desaparecimento forçado, tortura, tratos desumanos e degradantes, e feminicídio, assinalaram.
Os documentos resultam da investigação ao consultor financeiro Jeffrey Epstein, condenado em 2008 por crimes se***is envolvendo uma menor.
Epstein cometeu suicídio numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos sobre abuso sexual de dezenas de mulheres, incluindo menores.
Os especialistas da ONU apelaram a “todos os tribunais nacionais e internacionais competentes” para processarem os presumíveis crimes.
Os alegados crimes terão sido cometidos “num contexto de crenças supremacistas, racismo, corrupção, misoginia extrema e mercantilização e desumanização de mulheres e raparigas de diferentes partes do mundo”, denunciaram.
Os peritos solicitaram uma investigação independente e imparcial para determinar como tais crimes puderam ocorrer durante um período de tempo tão prolongado.
“É imperativo que os governos atuem de maneira decisiva para responsabilizar os perpetradores”, afirmaram.
Para os especialistas da ONU, “ninguém é demasiado rico ou poderoso para estar acima da lei”.
Os peritos lamentaram ainda as “falhas graves” na divulgação dos arquivos, o que resultou na exposição de informação sensível sobre as vítimas.
“O facto de não se proteger a privacidade coloca-as em risco de represálias e estigmatização”, pelo que muitas poderiam sentir-se duplamente vitimizadas ou submetidas a manipulação, denunciaram.
Entre os especialistas signatários figuram a relatora sobre a violência contra mulheres e raparigas (Reem Alsalem) e as homólogas sobre o direito à privacidade (Ana Brian Nougrères) e liberdade de reunião e associação (Gina Romero).
A divulgação dos documentos, embora parcial, revelou uma teia de relações de Epstein com gente de diversas áreas, como política, finanças, empresas ou ensino.