Eppur si - Consultoria, Análise e Formação Forense, Lda.

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15/04/2026

Tribunal: entre a norma e o cérebro - o que ficou claro na Universidade do Minho

Ontem - 14ABR26 - na Faculdade de Direito da Universidade do Minho, realizámos a conferência “Performance em Tribunal: A Arte de Advogar com Excelência”.

O balanço é inequívoco: foi um sucesso - não apenas pela adesão dos presentes, mas, sobretudo, pela qualidade da reflexão gerada em torno de um tema que continua subexplorado no espaço jurídico português.

Um agradecimento muito especial à Dra. Cristiane Puxian cuja presença se destacou pela disponibilidade, elegância e genuína simpatia, assim como à Sara Teixeira (AEDUM - Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho), pela organização rigorosa e ef**az que tornou possível um ambiente propício ao debate sério e exigente.

O que hoje se discutiu não é acessório. É estrutural.

A sala de audiências é um ecossistema cognitivo e emocional de elevada complexidade, onde a decisão judicial não é imune aos mecanismos de perceção, memória e influência social.

A neurociência cognitiva e a psicologia do testemunho demonstram, de forma consistente, que fatores como carga emocional, stress, enquadramento narrativo, linguagem não verbal e gestão do tempo de intervenção têm impacto direto na credibilidade percebida, na retenção da informação e na formação da convicção.

A ideia de que o julgamento é um espaço puramente racional e normativo ignora décadas de evidência científ**a.

O julgamento é também - e inevitavelmente - um processo de interpretação humana, onde intervêm vieses cognitivos, heurísticas e dinâmicas de interação.

Preparar advogados, magistrados e até cidadãos para este contexto não é um luxo: é uma exigência de qualidade da/na Justiça.

Foi possível perceber, ao longo da sessão, que existe um vasto campo por explorar no domínio da performance em tribunal: desde a gestão da comunicação verbal e não verbal, à estruturação do discurso probatório, passando pela compreensão dos papéis e dos “personagens” que habitam a sala de audiências e pela consciência do próprio posicionamento nesse verdadeiro psicodrama judiciário.

A experiência acumulada e trabalhada pela Eppur si - Consultoria, Análise e Formação Forense, Lda., sustentada na prática, mas também na análise e teorização, aponta num sentido claro: a excelência em tribunal constrói-se.
Com método. Com ciência. Com treino.

E, depois de hoje, uma certeza f**a:
todos - cidadãos, advogados e magistrados - lucrariam com este tipo de preparação.

“Performance em Tribunal: A Arte de Advogar com Excelência”.No próximo dia 14 de Abril de 2026, terça-feira, às 11H00, a...
11/04/2026

“Performance em Tribunal: A Arte de Advogar com Excelência”.

No próximo dia 14 de Abril de 2026, terça-feira, às 11H00, a Universidade do Minho acolherá, em articulação com a Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho, uma formação que se propõe marcar a diferença: “Performance em Tribunal: A Arte de Advogar com Excelência”.

Trata-se de uma iniciativa pensada para quem compreende que a intervenção em tribunal não se esgota no conhecimento da lei, antes exige domínio técnico, inteligência relacional, presença, leitura do contexto e uma compreensão profunda da dimensão humana que atravessa cada audiência.

Será, por isso, uma formação inovadora, exigente e distintiva, assente numa visão verdadeiramente holística da prática forense.

Esta formação enriquece-se por reunir uma base científ**a sólida com uma experiência prática rara:
18 anos enquanto inspector da Polícia Judiciária, com intervenção em áreas de elevada complexidade, designadamente homicídios e crimes se***is, bem como a participação em centenas de audiências de julgamento.

A esse percurso juntam-se a formação em psicologia e um trabalho continuado de reflexão e publicação, em contexto nacional e internacional, sobre matérias centrais como a prestação de testemunho em tribunal, a gestão psicológica desse momento, o desempenho em entrevista e interrogatório e os factores que influenciam a comunicação, a credibilidade e a eficácia em contextos de elevada pressão.

É essa confluência entre ciência, experiência e pensamento crítico que confere a esta formação um valor particularmente raro.

Mais do que uma sessão formativa, esta será uma oportunidade de contacto com uma abordagem de excelência, pensada para futuros juristas e profissionais que não se resignam ao formalismo estéril e procuram elevar a sua actuação a um plano de verdadeira mestria.

Num tempo em que o foro exige cada vez mais preparação, sofisticação comunicacional e consciência psicológica, esta formação apresenta-se como um convite à superação, ao rigor e à distinção.

A AEDUM - Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho promove, assim, um momento académico pautado pela cientificidade, destinado a todos os que pretendem compreender melhor o Tribunal, a Prova, a Palavra e o Comportamento Humano no coração da Justiça - a audiência de Julgamento.

11/04/2026
21/11/2025

Eppur si 2.0 — Diploma Entregue. Estratégia Reforçada. IA e Comunicação ao Serviço do Cliente.

Hoje, no Auditório Cardeal Medeiros, foi entregue o diploma da Pós-Graduação em Comunicação e Transformação Digital da Universidade Católica Portuguesa, consolidando um percurso académico de dois anos que integrou também o Programa Avançado em Alta Performance em Técnicas de Comunicação Oral e o Programa Avançado em Gestão de Reputação e Comunicação de Crise.

Três formações complementares, actuais e profundamente relevantes para o trabalho desenvolvido pela EPPUR SI - CAFF, LDA., todas elas marcadas pela excelência pedagógica da Universidade Católica, pelo rigor académico e pela capacidade de antecipar tendências num mundo em rápida mutação.

Este não é o encerramento de um ciclo: é, precisamente, o início da fase em que todo este conhecimento começa a ser aplicado de forma sistemática e estratégica no desempenho diário da Eppur si.

A combinação entre comunicação estratégica, gestão de reputação, comunicação de crise e transformação digital — agora reforçada por ferramentas de IA — permite à Eppur si evoluir, inovar e elevar o nível dos serviços que presta.

Num contexto em que a transformação digital redefine a forma como comunicamos, como protegemos reputações, como gerimos crises e como nos relacionamos com comunidades e clientes, estas competências tornam-se essenciais.

São elas que permitem à Eppur si construir respostas mais robustas, mais informadas e mais adaptadas às exigências do ecossistema mediático, forense e social.

O vídeo que acompanha esta publicação regista o momento simbólico da entrega do diploma - um gesto que representa, acima de tudo, a consolidação de um projecto estratégico: capacitar a Eppur si com ferramentas de comunicação e tecnologia à altura dos desafios da sociedade contemporânea.

Hoje é um marco importante: não um fim, mas o início de uma nova etapa na prática diária da Eppur si onde Conhecimento, Estratégia e Transformação Digital se cruzam para criar mais valor para quem confia em nós – o nosso Cliente.

17/11/2025

Formação, Cooperação e Missão comum.
Formar para Salvar Melhor: A Nova Cooperação Eppur si × B.V. Camarate

No passado Sábado, 15 de Novembro, a EPPUR SI - CAFF, LDA. esteve no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Camarate para apresentar a Formação Avançada que irá realizar: Cena de Crime, Tomada de Decisão em Cenários de Alta Velocidade, Gestão de Reputação / Comunicação de Crise e Gestão de Conflitos.

Partilha-se aqui um breve registo vídeo desse momento.

Uma palavra de profundo agradecimento ao Comandante Luis Martins cuja vontade e disponibilidade tornou possível este encontro.
Depois de marcar presença em Alcobaça, nesse mesmo dia, no 45.º Congresso da Liga dos Bombeiros Portugueses, chegou a Camarate às 21H00, pronto para receber a nossa equipa e dar início aos trabalhos.

Como o mesmo sempre afirma: “Pois é Amigos, é fácil!”

O mesmo agradecimento ao 2.º Comandante Pedro Magrinho pela abertura, hospitalidade e visão estratégica, assim como ao Vice-Presidente da Associação Humanitária, Carlos Santos

Porquê esta formação? Porque é indispensável a transdisciplinaridade.

Num tempo em que os desafios são rápidos, imprevisíveis e complexos, já não basta cada área saber apenas de si mesma.
A transdisciplinaridade integra saberes, cria aprendizagem signif**ativa, favorece a resolução de problemas complexos, promove uma visão holística da realidade e prepara melhor todos os profissionais para o futuro.

E no contexto dos Bombeiros, esta realidade é ainda mais evidente: na maioria das ocorrências, são eles os primeiros a chegar!

Quando o primeiro olhar é tecnicamente sólido, ético e informado, tudo o que se segue — investigação, perícia, processo judicial — ganha rigor, verdade e sentido.

Um caminho e uma formação com história.
A Eppur si tem-se dedicado à promoção desta visão holística na Ciência Forense desde há muitos anos.
Esta linha de trabalho inclui a apresentação na American Academy of Forensic Sciences (AAFS), no 64th Annual Scientific Meeting (Atlanta, EUA), onde defendemos os benefícios de uma abordagem integrada na publicação científ**a “A Murder Case: Advantages of an Holistic Approach in Forensic Science”.

É esta experiência teorizada que agora trazemos para os Bombeiros Voluntários de Camarate.

O início de uma cooperação com propósito.
A formação que iremos realizar com os Bombeiros Voluntários de Camarate pretende fortalecer competências, cruzar saberes e elevar a qualidade da resposta operacional e forense.
Porque quando cada intervenção é feita com conhecimento, rigor e responsabilidade, todos ganham: a comunidade, a Justiça e a própria missão humanitária dos Bombeiros.

A Eppur si agradece a confiança e renova o compromisso: trabalhar sempre lado a lado com quem serve o interesse público.

“A Holanda retirou-lhe o filho. Portugal permitiu.” — Continuação da luta de Ana e do pequeno ManuelHoje saiu no 24 Notí...
12/11/2025

“A Holanda retirou-lhe o filho. Portugal permitiu.” — Continuação da luta de Ana e do pequeno Manuel

Hoje saiu no 24 Notícias uma nova entrevista à Ana Margarida Bravo, no seguimento do caso do seu filho, o pequeno Manuel: https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/a-justica-nao-funciona-tres-maes-lutam-pela-guarda-dos-filhos-raptados-e-levados-a-forca-para-o-estrangeiro?utm_source=Whatsapp&utm_medium=web&utm_campaign=sharebutton

Um trabalho sensível e corajoso da jornalista Isabel Tavares a quem agradecemos profundamente pela atenção e pelo rigor.

Continua assim o trabalho da EPPUR SI - CAFF, LDA., apoiando na (In)Justiça aqueles que mais precisam — desta vez através da campanha “A Holanda retirou-lhe o filho. Portugal permitiu.”

Enquanto aguardamos a publicação dos trabalhos da TVI e do Observador, preparamo-nos para o passo seguinte: o lançamento da petição pública que levará esta causa à Assembleia da República.

Pedimos a todos que vejam, partilhem e se unam — porque a mudança só acontece quando um país inteiro decide olhar.

Quando Portugal pára e vê, a Justiça também desperta.

São histórias de rapto parental. Crianças - às vezes ainda bebés -levadas sem consentimento, quase sempre para o país de origem do pai. Nem todas têm um final feliz. Afinal, ...

29/09/2025

Lisboa assistiu em silêncio à perseguição que levou um filho a ser arrancado à Mãe.

Hoje, no mesmo lugar, a cidade fala através de um MUPI que não deixa esquecer:
“Foi aqui que a Ana perdeu o Manuel.”

Foi no Marquês de Pombal que a equipa do canal holandês RTL 5 seguiu a Ana, os avós e a tia do Manuel.
Agora, é também no Marquês que erguemos a memória e a denúncia, diante de todos os que passam - milhares de pessoas, todos os dias.

Nestes dias, recebemos uma onda imensa de solidariedade: mais de um quarto de milhão de pessoas viram, comentaram e enviaram mensagens à Mãe e a nós - Eppur si - responsáveis pela campanha.

A cada uma delas, o nosso profundo obrigado.

O tema já despertou atenção da comunicação social.

No Observador, a jornalista Adriana Alves ouviu a Ana com profissionalismo, humanismo e diligência. É jornalismo atento, sério e comprometido com a verdade.

A TVI demonstrou interesse e a jornalista Sandra Felgueiras está a preparar uma entrevista à Mãe.
Ambos os trabalhos em breve serão conhecidos e permitirão que mais portugueses compreendam a dimensão desta injustiça.

Esta não é uma luta que se esgote. É um caminho que prossegue, dia após dia.

A EPPUR SI - CAFF, LDA. estará sempre ao lado desta Mãe que foi abandonada pelo Estado português, para transformar omissão em mobilização.

Juntem-se. Partilhem. Façam-se ouvir.
Cada voz conta. Cada gesto aproxima o Manuel dos braços da sua Mãe.

Vídeo completo (8 min): https://youtu.be/Wpy-Ta2or-I?si=e5hultfbJ6NrzX5z

02/09/2025

Or****os em vítimas de abusos: Treze anos depois, a realidade confirma aquilo que eu já tinha publicado nos EUA.

Ontem, no programa "Casos de Polícia" da SIC, foi exposto o caso de um médico ginecologista acusado de abusar sexualmente de pacientes durante consultas, em que a palpação conduzia ao orgasmo.

Um fenómeno complexo que confundiu vítimas, Ministério Público e até investigadores.
Para mim, não foi surpresa.

Em 2012, na Academia Americana de Ciências Forenses (AAFS - https://www.aafs.org), publiquei e apresentei um trabalho que abordava exatamente este dilema: como inquirir vítimas de abuso sexual quando a experiência envolve prazer físico que colide com a perceção moral e social do acto.

Ver aqui a publicação "O orgasmo envergonhado: uma abordagem rogeriana": https://www.eppur-si.com/.../ashamed-orgasm-a-rogerian...

Na altura, era um caso ainda mais difícil: uma menor de 13 anos que, depois de anos de abusos, não conseguia relatar a verdade porque sentia prazer e or****os em contexto de agressão sexual — algo que não conseguia integrar no seu “self”.

A vergonha e a culpa bloqueavam-na.

Contra a cultura instalada na Polícia Judiciária, marcada por falta de tecnicidade, conhecimento científico e uma visão machista sobre as vítimas, defendi e apliquei uma metodologia inovadora em Portugal.

A Entrevista Cognitiva era insuficiente para esta triste realidade.
Introduzi então a abordagem de Carl Rogers – Terapia Centrada na Pessoa, baseada em três condições críticas: consideração positiva incondicional, compreensão empática e congruência.

Esta abordagem permitiu que a menor ultrapassasse o conflito interno e revelasse não só os abusos sofridos, mas também aqueles que presenciou.

Na altura, fui ostracizado dentro da PJ por trabalhar “de forma diferente”, mais científ**a e mais próxima da vítima.
Mas lá fora, na mais prestigiada academia forense do mundo, o meu trabalho foi reconhecido e aceite como contributo relevante.

Hoje, ao ouvir a SIC falar de vítimas adultas que se confundem perante o prazer em contexto de abuso, penso apenas: já o tinha estudado, explicado e publicado há 13 anos!

Sempre acreditei que a Justiça só pode ser servida com ciência, humanidade e coragem para desafiar dogmas.

Fui incompreendido cá dentro.
Mas lá fora provei que estava certo.

E, como Galileu disse perante a cegueira do seu tempo, Eppur si muove.

A verdade impõe-se sempre, mais cedo ou mais tarde.

É também por isso que existe a Eppur si - Consultoria, Análise e Formação Forense, Lda.: para transformar conhecimento em prática, ciência em Justiça e apoiar quem recusa aceitar respostas fáceis para problemas complexos.

Portugal: onde o humor vai a julgamento e a sátira é crime.Hoje soube que vou ser julgado por cinco crimes de difamação ...
17/06/2025

Portugal: onde o humor vai a julgamento e a sátira é crime.

Hoje soube que vou ser julgado por cinco crimes de difamação agravada.
O processo é o 4086/23.6 T9LSB.

A queixosa: Tânia Laranjo, jornalista da CMTV.

O motivo? Ter-lhe chamado “cloaca máxima” e sobreposto uma sanita à sua imagem num vídeo de crítica jornalística. Um símbolo. Nada mais.

No mesmo dia, começou o julgamento de Joana Marques, processada pelos Anjos por ter feito uma montagem satírica da sua atuação no MotoGP.
Pedem-lhe 1.118.000 euros.

O “crime”? Ter colado expressões faciais de jurados do Ídolos à sua interpretação do hino nacional.

Dois julgamentos. Dois processos. O mesmo problema: confundir sátira com crime, Liberdade de Expressão com delinquência, crítica com perseguição.

Mas no meu caso, há um detalhe particularmente revelador: entre as testemunhas de acusação chamadas por Tânia Laranjo estão Eduardo Dâmaso, director-adjunto da Cofina, e Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária.

Sim, leu bem.
Um jornalista com poder editorial e o mais alto responsável da PJ, juntos em Tribunal… para tentar esmagar um cidadão comum. Um crítico. Um incómodo. Um indivíduo que não se cala.

Ironia suprema: Portugal orgulha-se do 25 de Abril, mas teme profundamente quem fala de mais.

Sobretudo se for mulher. Sobretudo se for humorista. Sobretudo se tocar nas feridas de um sistema que não aceita espelhos, muito menos quando são deformantes como o riso.

Ricardo Araújo Pereira já disse, com razão, que o julgamento da Joana pode abrir precedentes perigosos.

E não é o único: Portugal tem mais condenações por violação da liberdade de expressão do que a média europeia, segundo o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Somos pequenos, mas convictos na censura.

A pergunta impõe-se:
Vamos continuar a permitir que o sistema judicial seja usado para calar vozes incómodas?

Não está em causa gostar ou não gostar de mim. Ou da Joana. Ou do Ricardo.
Está em causa o país que queremos: um onde se pode rir dos poderosos e chamar sanita a quem faz jornalismo tóxico, ou um onde se criminaliza o riso e se indemniza o melindre?

Hoje, entre audiências e ironias, sei uma coisa:
há quem não aguente ser posto a nu e a Justiça, por vezes, empresta-lhes a roupa.

16/06/2025

Se a Morte não distingue cor da pele, credo ou nacionalidade, por que insistimos nós em fazê-lo?

Cinco rostos dentro de um avião, a Família Joshi, sorridentes, confiantes, embalados pela alegria de finalmente poderem viver juntos, em Londres, depois de seis anos de relação à distância.

Podia ser a minha “Ninhada”. Podia ser eu e a minha mulher. Podíamos ser nós.

Segundos após a descolagem, o Boeing 787 da Air India despenhou-se e os cinco morreram.

Miraya, com 8 anos, ia descobrir novos amigos.

Nakul e Pradyut, gémeos de 5, iam aprender a crescer em liberdade.

Pratik, engenheiro de software, podia estar hoje a desenvolver soluções numa empresa portuguesa, a melhorar rendimento, produtividade e inovação.

Komi, médica, podia estar num hospital de Setúbal, de Évora ou de Bragança a salvar um português, a minha filha, o meu filho ou melhor dito: a salvar outro ser humano.

Mas não.

Morreram com os filhos, enquanto alguns continuam a medir o valor da vida conforme a cor da pele, o país de origem ou o nome que invocamos para rezar.

Na Idade Média, durante a peste, nasceu uma alegoria: a Dança da Morte.

Esqueletos puxavam para a roda papas e plebeus, donzelas e soldados, todos dançando para o mesmo fim.

Moral da história: a Morte não distingue e o ódio é inútil.

A exclusão é vã e o orgulho doentio e excludente, ridículo.

Hoje continuamos e dançamos novas coreografias esquecendo a Morte:

Um Imã insultado com gritos de “traidor” durante uma homenagem nacional.

Um actor, Adérito Lopes, agredido à porta de um teatro por um grupo de extrema-direita.

Voluntárias espancadas no Porto por distribuírem comida a seres humanos sem-abrigo.

Políticos que, com palavras frias e distantes da saudável empatia, ensaiam passos de rancor e desumanização como se fosse patriotismo.

Se a morte não distingue passaportes, por que insistimos nós em fazê-lo em vida?

Quantas vidas perdemos por medo do outro?

Quantas famílias impedimos de florescer por preconceito?

E quantos Komi e Pratik podiam hoje estar connosco, a cuidar de nós, a trabalhar ao nosso lado, a fazer parte?

A Dança da Morte lembrava que o corpo apodrece.

Mas talvez a alma, existindo, apodreça primeiro quando se alimenta de Ódio e Ignorância.

Estaremos a viver uma nova peste?

Uma Peste Negra ético-moral que não mata com febre, mas com frieza e distanciamento injustif**ado, esquecendo a comum dança final de todos, todos, todos Nós (sem excepção)?

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