13/07/2026
A origem dos conflitos que chegam aos tribunais raramente se limita a uma divergência jurídica, pois esses conflitos representam, muitas vezes, apenas a parte visível de uma realidade mais profunda. Por detrás de um divórcio, de uma disputa relacionada com os filhos, de uma herança ou de um conflito empresarial podem existir mágoas antigas, exclusões, lealdades invisíveis e padrões familiares que se repetem ao longo de gerações. É precisamente neste ponto que a constelação sistémica pode assumir um papel transformador.
Ao permitir que as partes observem o conflito a partir de uma perspectiva mais ampla, a constelação ajuda a identificar as dinâmicas emocionais e relacionais que podem estar na origem ou a contribuir para a manutenção do litígio. Esta tomada de consciência não substitui o acompanhamento jurídico nem a decisão judicial. Constitui, antes, uma ferramenta complementar que pode ajudar a reduzir a resistência e a hostilidade entre as partes, a compreender as raízes do conflito, a facilitar o diálogo e a construção de acordos, a promover soluções mais conscientes e duradouras e a diminuir os ressentimentos, mesmo quando já existe uma decisão judicial.
Uma constelação pode ser realizada antes de o conflito chegar ao tribunal, durante um processo de mediação ou conciliação, em paralelo com o processo judicial e até depois de proferida uma sentença, ajudando as partes a integrar a decisão e a cumprir o que foi determinado de forma mais pacífica. Isto porque a resolução jurídica de um processo raramente resolve, por si só, o conflito relacional, emocional ou sistémico que lhe está subjacente.
Quando se olha para além dos factos, das acusações e das posições assumidas, surge o espaço para uma solução que respeite não apenas a lei, mas também as pessoas, as relações e os sistemas aos quais pertencem. Na perspectiva sistémica desenvolvida por Bert Hellinger, as relações humanas são influenciadas por princípios fundamentais, como o direito de pertença, o respeito pela ordem dentro do sistema e o equilíbrio entre o dar e o receber. Quando algum destes princípios é perturbado, o conflito pode permanecer ativo e manifestar-se repetidamente sob diferentes formas.
A constelação sistémica não apresenta respostas prontas, não determina quem tem razão e não substitui o Direito, apenas cria um espaço de observação onde aquilo que estava oculto pode ser reconhecido e integrado. E, por vezes, é precisamente aí, onde cada pessoa encontra o seu lugar e reconhece o lugar do outro que o conflito deixa de exigir vencedores e vencidos e se abre, finalmente, o caminho para a responsabilidade individual, para a dignidade e para a pacificação dos conflitos.