Provedor de Justiça de Moçambique

Provedor de Justiça de Moçambique Órgão do Estado que tem como função a garantia dos direitos dos cidadãos e a defesa da legalidade.

O artigo 255 da Constituição da República de Moçambique de 2004 institui o Provedor de Justiça, órgão que tem como função a garantia dos direitos dos cidadãos, a defesa da legalidade e da justiça na actuação da Administração Pública. O artigo 2 da Lei n.º 7/2006, de 16 de Agosto, estabelece que as funções do Provedor de Justiça exercem-se no âmbito da actividade da Administração Pública a nível ce

ntral, provincial, distrital e local, bem como municipal, das forças de defesa e segurança, institutos públicos, das empresas públicas e concessionárias de serviços públicos, das sociedades com capital maioritariamente público, dos serviços de exploração de bens de domínio publico. Além disso, nos termos do artigo 17 da Lei 7/2006 de 16 de Agosto, mantêm relacionamento inter-orgânico com o Presidente da República, Primeiro-Ministro e Ministros; Presidente da Assembleia da República e as Comissões de Trabalho da Assembleia da República; os Presidentes dos Conselhos Superiores das Magistraturas Judicial e do Ministério Público, Presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo;Governadores Provinciais, Administradores Distritais, Chefes de Postos Administrativos e de Povoações, Presidentes dos Conselhos Municipais e as Autoridades Tradicionais. O n° 1 do artigo 3 da Lei n.º 7/2006, de 16 de Agosto, plasma que “Os cidadãos, individual ou colectivamente, podem apresentar petições, queixas ou reclamações por actos ou omissões dos poderes públicos ao Provedor de Justiça, que as aprecia, sem poder decisório, dirigindo aos órgãos competentes as necessárias recomendações para prevenir e reparar as injustiças”. Estes direitos são extensos aos estrangeiros apátridas. É de ressaltar que as actividades do Provedor de Justiça podem ser exercidas por iniciativa própria, nos casos de violação dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos e, independente dos meios graciosos e contenciosos previstos na Constituição da República e na lei (vide n° 2 do artigo 3 da Lei n.º 7/2006, de 16 de Agosto).

PROVEDOR DE JUSTIÇA DEFENDE DIÁLOGO E RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NA RETOMA DO PROJECTO DE GNL EM CABO DELGADOO Prov...
26/08/2026

PROVEDOR DE JUSTIÇA DEFENDE DIÁLOGO E RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NA RETOMA DO PROJECTO DE GNL EM CABO DELGADO

O Provedor de Justiça, Isaque Chande, defendeu, esta quarta-feira, 26 de Agosto, na cidade de Maputo, a necessidade de um diálogo aberto e assertivo entre o Estado, empresas, comunidades locais e demais intervenientes como condição essencial para a retoma e implementação eficaz do projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), na península de Afungi, província de Cabo Delgado.

Falando na abertura de um Expert-Meeting sobre as implicações, expectativas e realidades em torno da retoma do projecto GNL, Isaque Chande considerou que a retoma do projecto assume uma importância estratégica para Moçambique, tendo em conta o volume de investimento envolvido e as suas implicações socioeconómicas, tanto na região de implementação como para o país em geral.

Segundo Isaque Chande, o encontro constitui uma plataforma privilegiada para a reavaliação das expectativas dos diferentes stakeholders, numa altura em que o Estado, a empresa e as comunidades locais depositam elevadas expectativas na concretização do projecto.

“Não há sombras de dúvidas de que precisamos de partilhar responsabilidades para garantir a implementação do projecto, com a necessária eficácia e mitigação dos seus impactos”, afirmou Chande, sublinhando que cabe ao Estado a responsabilidade primária de proteger os direitos humanos das comunidades, promover canais adequados de diálogo e estabelecer as balizas que devem nortear a actuação dos diferentes intervenientes.

Às empresas, acrescentou, compete assegurar a indemnização das famílias afectadas e criar condições aceitáveis de reassentamento que proporcine meios de subsistência às populações abrangidas pelo projecto. Por sua vez, as famílias e comunidades locais devem sentir-se parte do projecto, pois, só assim, na sua perspectiva, poderá ocorrer sem sobressaltos, garantindo-se, deste modo, a sua implementação dentro dos prazos previstos.

“Quantas vezes nós não ouvimos falar que um determinado projecto teve uma interrupção porque havia conflito com a comunidade onde está a ser implementado. Se nós asseguramos que as comunidades se sintam integradas, se sintam parte do projecto, teremos dado um grande passo e será um grande aprendizado na implementação de outros projectos”, enfatizou.
Chande defendeu igualmente que a implementação do projecto de GNL na Bacia do Rovuma deve contribuir de modo significativo para a restauração das condições de segurança pública em Cabo Delgado, ajudando a mitigar o potencial de ocorrência de violações dos direitos humanos.

Para o Provedor de Justiça, a persistência do conflito armado na província aumenta os riscos de violação de direitos fundamentais, pelo que é necessário adoptar medidas para minimizar esses riscos. “Onde há conflito armado, a potencialidade de ocorrência de violação de direitos humanos é muito alta. Mas, ainda assim, temos que encontrar formas para minimizar essas violações”, sublinhou.

Neste contexto, o Provedor de Justiça defendeu o reforço da formação contínua dos efectivos das Forças de Defesa e Segurança destacados no teatro operacional norte, particularmente em matéria de direitos humanos e direito internacional humanitário.
A formação, acrescentou, constitui uma acção fundamental e imprescindível para a promoção e protecção efectiva dos direitos humanos e pode contribuir para fortalecer a relação de confiança entre as comunidades e as Forças de Defesa e Segurança.

“Um militar ou agente da Polícia da República de Moçambique que, antes de agir, tenha presente a dignidade da pessoa humana e a responsabilidade do Estado de proteger os direitos fundamentais pode transformar-se num verdadeiro guardião dos direitos humanos”, disse Chande, para depois apelar às organizações da sociedade civil e às instituições nacionais de direitos humanos para que assumam uma postura construtiva e assertiva, denunciando eventuais violações dos direitos humanos às entidades competentes e colocando à disposição das comunidades mecanismos adequados de denúncia e acompanhamento das queixas.

“Se todos os stakeholders, cada um, fizerem com efectividade o papel que lhes cabe, ainda que se reconheça a complexidade dos desafios associados a um projecto desta dimensão, em conjunto e de forma concertada, poderemos mitigar quaisquer impactos negativos”, sustentou.

Na ocasião, o Provedor de Justiça manifestou a expectativa de que o projecto de GNL contribua para melhorar as condições de vida das comunidades locais, através da criação de emprego digno para jovens de ambos os sexos, do reforço da segurança pública e do estímulo à economia nacional e local, tendo reiterado o compromisso da Provedoria de Justiça em facilitar o diálogo entre as comunidades, autoridades públicas, empresas e outros intervenientes.

“O nosso papel é facilitar o diálogo entre as comunidades, o diálogo com as autoridades públicas, entre outros intervenientes”, explicou, acrescentando que a Provedoria de Justiça pretende, no âmbito do processo, promover condições adequadas para que as partes possam expor as suas preocupações e encontrar soluções consensuais.

Refira-se que o Expert-Meeting desta quarta-feira constitui o segundo evento do género realizado no âmbito do programa “Promovendo Acesso à Justiça”, depois do primeiro Expert-Meeting, realizado em Abril último, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária, em parceria com a Provedoria de Justiça e a Comissão Nacional de Direitos Humanos. O evento juntou representantes de instituições públicas, sector privado, comunidades, organizações da sociedade civil, academia e parceiros de cooperação, e tinha como objectivo promover uma reflexão, de forma crítica e inclusiva, sobre as oportunidades, desafios e implicações da retoma ou implementação dos projectos de Gás, identificando as capacidades e condições necessárias para a maximização dos benefícios para o país e, em particular, para a população da província de Cabo Delgado.

PROVEDOR DE JUSTIÇA DESAFIA CRIANÇAS A CONHECER E DEFENDER OS SEUS DIREITOSO Provedor de Justiça, Isaque Chande, desafio...
24/08/2026

PROVEDOR DE JUSTIÇA DESAFIA CRIANÇAS A CONHECER E DEFENDER OS SEUS DIREITOS

O Provedor de Justiça, Isaque Chande, desafiou crianças a conhecerem, defenderem e promoverem os seus direitos, durante uma visita de 25 alunos da Escola Comunitária da Polana à Provedoria de Justiça, realizada na manhã desta segunda-feira, 24 de Agosto.

A visita, realizada a convite da Provedoria de Justiça, tinha como objectivo proporcionar aos alunos conhecimentos sobre a natureza, atribuições e competências do Provedor de Justiça, particularmente no que diz respeito à defesa dos direitos e deveres fundamentais dos cidadãos. A iniciativa enquadra-se nas acções de educação cívica que a Provedoria de Justiça tem vindo a desenvolver, com destaque para a sensibilização das crianças sobre os seus direitos, liberdades e garantias fundamentais, bem como para a divulgação da legislação destinada à sua protecção.

Falando aos alunos, Isaque Chande manifestou satisfação pela visita e explicou que a iniciativa permitiria às crianças conhecerem, desde cedo, o papel do Provedor de Justiça. “Vão ficar a saber o que é o Provedor de Justiça, o que faz e para que serve. Não são só os meninos que não sabem o que o Provedor de Justiça faz, há muita gente adulta que também não sabe”, afirmou.

Chande explicou que o Provedor de Justiça é eleito pela Assembleia da República e tem como missão garantir os direitos dos cidadãos, defender a legalidade e contribuir para que a Administração Pública actue de acordo com a lei e a justiça.

Segundo Chande, o Provedor de Justiça recebe queixas de cidadãos, incluindo crianças, que enfrentam problemas em instituições do Estado, sublinhando igualmente o papel da Provedoria de Justiça na educação para a cidadania, através de acções de sensibilização para elevar a consciência dos cidadãos, sobretudo das crianças, sobre os seus direitos e deveres sobre direitos e deveres.

Ao abordar os direitos da criança, Chande chamou a atenção para situações em que estes direitos não são plenamente respeitados. Apontou, entre outros exemplos, crianças privadas do convívio e do afecto dos pais, crianças fora do sistema de ensino e menores afectados pelo conflito armado em Cabo Delgado.

Conforme explicou, muitas destas crianças foram obrigadas a abandonar as suas zonas de origem, enquanto outras ficaram privadas de frequentar a escola devido ao encerramento de estabelecimentos de ensino.

Para o Provedor de Justiça, a falta de acesso à educação, alimentação e segurança constitui uma violação dos direitos fundamentais da criança. “A criança tem que ser ouvida sobre a sua vida, pois ela também tem preocupações”, sublinhou.

As uniões prematuras foram igualmente abordadas durante o encontro. O Provedor de Justiça explicou que, embora o fenómeno seja menos frequente na cidade de Maputo, continua a constituir um problema grave, sobretudo nas zonas rurais do país.

O Provedor de Justiça relatou que a instituição tem realizado deslocações a diferentes pontos do país para sensibilizar as comunidades sobre os riscos das uniões prematuras, envolvendo crianças menores de 18 anos.

“Muitas das crianças deste país casam antes de completar 18 anos. Nas zonas rurais, uma criança de 13 a 15 anos já é mãe, tem filho. Este é um problema muito grave no país”, afirmou, alertando que as uniões prematuras podem interromper o percurso escolar das raparigas e expô-las a graves riscos, incluindo problemas de saúde associados à gravidez precoce, pois, o seu corpo não está ainda preparado para gerar filho.

Nesse contexto, o Provedor de Justiça apelou às crianças, particularmente às meninas, para que evitem este tipo de envolvimento antes de atingirem a idade legal e priorizem a sua formação escolar.

Na ocasião, Isaque Chande desafiou os alunos a assumirem o papel de “embaixadores” do Provedor de Justiça nas suas escolas, famílias e comunidades, partilhando os conhecimentos adquiridos durante a visita.

Por sua vez, a Directora Pedagógica, Laxmin de Castro Ussene, que acompanhava os alunos, agradeceu à Provedoria de Justiça pela iniciativa, considerando que a visita permitiu aos alunos compreenderem melhor o papel e o âmbito de actuação da instituição. Garantiu, igualmente, que os conhecimentos adquiridos serão partilhados com os demais alunos, pais e encarregados de educação.

PROVEDORIA DE JUSTIÇA CONSTATA CONDIÇÕES PRECÁRIAS NAS ESCOLAS DE MACHUBO Apesar dos esforços empreendidos pelo Governo ...
17/08/2026

PROVEDORIA DE JUSTIÇA CONSTATA CONDIÇÕES PRECÁRIAS NAS ESCOLAS DE MACHUBO

Apesar dos esforços empreendidos pelo Governo distrital, agentes económicos e comunidades, persistem constrangimentos significativos em algumas escolas do distrito de Marracuene, sobretudo no que diz respeito às infra-estruturas escolares, saneamento, abastecimento de água, disponibilidade de materiais didácticos e condições de aprendizagem. A situação foi agravada pelas inundações e chuvas que afectaram a Cidade e a Província de Maputo no início do ano em curso.

Esta é a constatação de uma equipa da Provedoria de Justiça, na sequência de uma visita de monitoria realizada, recentemente, a duas escolas do Posto Administrativo de Machubo, Distrito de Marracuene, Província de Maputo. A acção, realizada em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tinha como objectivo avaliar o impacto das inundações registadas no início do ano, acompanhar as medidas de promoção e protecção dos direitos da criança, bem como avaliar a frequência escolar no período pós-cheias.

Durante a visita, a equipa, encabeçada pela Assessora do Provedor de Justiça, Laura Mutemba, avaliou as condições de funcionamento da Escola Primária de Mucise e da Escola Secundária de Machubo, com particular atenção ao impacto das inundações registadas no início do ano, à frequência escolar no período pós-cheias e às condições de promoção e protecção dos direitos da criança.

A Escola Primária de Mucise, com 95 alunos e seis professores, foi afectada pelas inundações registadas no início do ano, sobretudo em Fevereiro, que danificaram material escolar, documentos e parte do pavimento das salas de aula e uma sala de aula construída com material precário, nomeadamente chapas de zinco e estacas, ficou totalmente danificada.

A recuperação das infra-estruturas e a reposição dos materiais foram possíveis graças ao apoio de agentes económicos locais, da comunidade, do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia e do Fundo de Apoio Directo às Escolas (ADE). O apoio permitiu à instituição assegurar a continuidade do ano lectivo, conforme explicou o Director da escola, Abílio Corneta, durante o encontro com a equipa da Provedoria de Justiça.

Corneta sublinhou, contudo, que, apesar da recuperação, a escola continua a enfrentar dificuldades no acesso à água, saneamento e higiene. A instituição não dispõe de água canalizada nem de sanitários adequados para alunos e professores. Os alunos utilizam uma estrutura sanitária improvisada, construída com material precário, enquanto os professores recorrem às residências próximas.

Referiu, no entanto, que está em construção um sanitário destinado aos alunos, com alas separadas para rapazes e raparigas, graças ao apoio de um agente económico local.

No âmbito da protecção da criança, Abílio Corneta afiançou que a escola possui um Núcleo de Salvaguarda da Criança, através do qual, em casos de violência contra menores, as crianças podem apresentar denúncias mediante uma carta depositada na caixa de denúncias existente na escola.

A escola dispõe, igualmente, de um ponto focal para a área do género, responsável por promover palestras dirigidas aos alunos sobre matérias relacionadas com a saúde infantil, uniões prematuras, gravidezes precoces, violência sexual, entre outras. De acordo com a direcção da escola, até ao momento, não foram registados casos de gravidezes precoces ou uniões prematuras envolvendo alunas.

Ainda na interacção com a equipa da Provedoria de Justiça, o Director da escola manifestou a necessidade de apoio em material escolar para os alunos, nomeadamente cadernos, lápis, canetas, pastas e uniformes, tendo em conta que alguns alunos não dispõem de parte desses materiais.

Na Escola Secundária de Machubo, que lecciona de 1ª a 12ª classe e conta com 317 alunos, as dificuldades são mais acentuadas. A escola instituição dispõe de seis salas de aula, uma delas improvisada e em avançado estado de degradação, e não possui sanitários para alunos nem professores, obrigando a comunidade escolar a recorrer à vegetação que circunda a escola para satisfazer necessidades fisiológicas.

O Director Pedagógico, António Bazima, reconhece que a situação representa riscos para a higiene, saúde e dignidade da comunidade escolar. As inundações danificaram, igualmente, o tanque que assegurava o abastecimento de água. Como alternativa, foi aberto um poço, mas a água disponível não apresenta condições adequadas para o consumo.

Durante a visita, foi oferecido às duas escolas material informativo sobre o Provedor de Justiça, com o objectivo de permitir à comunidade escolar compreender melhor o seu funcionamento e os serviços prestados. Foram, igualmente, disponibilizados materiais educativos sobre a violência contra a criança no contexto escolar, bem como uma colectânea de legislação sobre menores e livros interactivos destinados às crianças.

ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ALBERTO CHIPANDE VISITAM PROVEDORIA DE JUSTIÇA Um grupo de 25 estudantes e docentes da Univer...
13/08/2026

ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ALBERTO CHIPANDE VISITAM PROVEDORIA DE JUSTIÇA

Um grupo de 25 estudantes e docentes da Universidade Alberto Chipande (UNIAC), Delegação de Maputo, visitou esta quinta-feira, 13 de Agosto, a Provedoria de Justiça, com o objectivo de conciliar os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aulas com a prática, particularmente no que diz respeito ao funcionamento, papel e âmbito de actuação do Provedor de Justiça.

A visita académica foi realizada por estudantes do curso de licenciatura em ciências jurídicas e investigação criminal e enquadra-se nas celebrações dos 18 de criação daquela instituição de ensino superior, assinalados no dia 12 de Agosto, bem como no âmbito das disciplinas relacionadas com os fundamentos da assistência jurídica e social.

Durante a visita, os estudantes, divididos em dos grupos, percorreram os diferentes compartimentos da Provedoria de Justiça, onde tiveram a oportunidade de conhecer o funcionamento dos vários sectores da instituição e as suas principais áreas de intervenção.

Ao longo do percurso, os estudantes colocaram diversas questões relacionadas com o funcionamento da Provedoria de Justiça, que foram prontamente esclarecidas pelo Secretário-Geral da instituição, Mário Seuane, e pelo Director das Relações Institucionais, Comunicação e Imagem, Sérgio dos Céus Nelson, que acompanhavam a visita.

No encontro com os estudantes, o Provedor de Justiça, Isaque Chande, apresentou a génese da criação da figura do Provedor de Justiça, o seu âmbito de actuação e a sua função de garantir os direitos dos cidadãos, defender a legalidade e a justiça na actuação da Administração Pública.

Isaque Chande partilhou igualmente alguns casos de sucesso alcançados pela instituição, destacando situações em que cidadãos conseguiram ver os seus direitos respostos depois de longos períodos de procura por respostas junto das entidades competentes, sem resultados satisfatórios.

“O nosso desafio é tornar o Provedor de Justiça numa instituição útil para a sociedade”, afirmou Chande, sublinhando a importância de aproximar a instituição dos cidadãos e de assegurar que estes conheçam os mecanismos existentes para a defesa dos seus direitos.

Na ocasião, Chande apelou aos estudantes para que assumam um papel activo na divulgação da instituição nas suas comunidades, contribuindo para que mais cidadãos conheçam as competências e os serviços prestados pelo Provedor de Justiça.

“Ajudam-nos a divulgar a nossa instituição”, desafiou o Provedor de Justiça.

Por seu Turno, o Coordenador Pedagógico, Sandro de Sousa, que acompanhava os estudantes, agradeceu a recepção proporcionada pela Provedoria de Justiça, considerando que os conhecimentos adquiridos durante a visita académica serão de grande valia para a formação dos estudantes e para a compreensão prática dos conteúdos abordados nas disciplinas do curso.

PROVEDORIAS DE JUSTIÇA DE MOÇAMBIQUE E ANGOLA BUSCAM SOLUÇÕES CONJUNTAS PARA REFORÇAR A DEFESA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS...
12/08/2026

PROVEDORIAS DE JUSTIÇA DE MOÇAMBIQUE E ANGOLA BUSCAM SOLUÇÕES CONJUNTAS PARA REFORÇAR A DEFESA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

O Provedor de Justiça de Moçambique, Isaque Chande, manteve, nesta terça-feira, 11 de Agosto, uma audiência virtual de cortesia com o novo Provedor de Justiça de Angola, João Manuel Francisco, num encontro destinado a reforçar os laços institucionais entre os dois países e identificar novas áreas de cooperação.

Durante a audiência, Isaque Chande felicitou João Francisco pela sua eleição para o cargo e manifestou a satisfação da Provedoria de Justiça de Moçambique em iniciar um contacto institucional com o novo titular da instituição angolana.

Segundo Chande, Moçambique e Angola têm vindo a consolidar uma relação de cooperação próxima entre as respectivas Provedorias de Justiça, assente no compromisso comum de promoção e defesa dos direitos fundamentais, da justiça e da protecção dos cidadãos.

O Provedor de Justiça moçambicano destacou, nesse âmbito, a existência de um Memorando de Entendimento entre as duas instituições, cuja implementação tem permitido o intercâmbio de informações, experiências e conhecimentos em matérias de interesse comum.

A cooperação tem igualmente sido fortalecida no âmbito da Associação dos Provedores de Justiça e Mediadores Africanos (AOMA), onde as instituições dos dois países participam conjuntamente com outras entidades congéneres da região.

Chande recordou ainda as experiências de intercâmbio técnico já realizadas entre as duas Provedorias, incluindo a deslocação de equipas técnicas à República de Angola e a vinda de técnicos angolanos a Maputo para participar numa formação realizada em parceria com uma universidade pública moçambicana.

Para o Provedor de Justiça de Moçambique, estas iniciativas produziram resultados positivos, tanto no domínio da capacitação profissional como na partilha de experiências entre os funcionários das duas instituições.

Na ocasião, Isaque Chande anunciou que a Provedoria de Justiça de Moçambique prepara uma nova etapa institucional, tendo em vista a celebração dos 15 anos da instituição, em 2027. As celebrações estão previstas para Maio do próximo ano e poderão constituir uma oportunidade para reunir Provedores de Justiça da região da SADC e representantes de instituições congéneres do continente africano.

Neste contexto, Chande manifestou o desejo de contar com a presença de João Francisco e de uma delegação da Provedoria de Justiça de Angola nas celebrações.

O dirigente moçambicano considerou igualmente a experiência da instituição angolana uma importante fonte de aprendizagem para Moçambique, sobretudo no que diz respeito à expansão dos serviços da Provedoria de Justiça para as diferentes províncias.
A Provedoria de Justiça de Moçambique, segundo explicou, também trabalha com a perspectiva de estender os seus serviços a outras partes do país, particularmente às capitais provinciais. Contudo, reconheceu que o processo enfrenta desafios de natureza financeira e logística.

Nesse sentido, a experiência de Angola na expansão territorial dos serviços poderá servir de referência para Moçambique na definição de soluções adaptadas à sua realidade.

Ao concluir a sua intervenção, Isaque Chande reiterou as felicitações a João Francisco e desejou-lhe sucessos no exercício das suas funções, manifestando confiança de que a sua liderança contribuirá para aprofundar as relações entre as duas instituições.

Por sua vez, o Provedor de Justiça de Angola, João Francisco, considerou o encontro uma oportunidade importante para reforçar os laços institucionais entre os dois países, sublinhando que, embora se tratasse do primeiro contacto formal neste formato, as relações entre Angola e Moçambique são históricas e assentam em fortes vínculos culturais, numa história comum e, sobretudo, na língua portuguesa.

O Provedor de Justiça de Angola reiterou a inteira disponibilidade da sua instituição para manter uma comunicação permanente e aberta com a Provedoria de Justiça de Moçambique, defendendo o aproveitamento pleno do Memorando de Entendimento em vigor entre as duas instituições.

Segundo explicou, o instrumento de cooperação deve servir para intensificar a partilha de experiências, promover o intercâmbio de conhecimentos e procurar soluções conjuntas para os desafios enfrentados pelas duas Provedorias.

“Queremos trabalhar juntos. Queremos partilhar experiências, identificar desafios comuns e procurar soluções que permitam melhorar a nossa intervenção na defesa dos direitos fundamentais”, finalizou.

Refira-se que o novo Provedor de Justiça de Angola, João Manuel Francisco, foi eleito pela Assembleia Nacional de Angola a 28 de Maio e tomou posse a 24 de Junho de 2026. Ele sucedeu Antónia Florbela de Jesus Rocha Araújo, cujo mandato de cinco anos terminou em Junho de 2026.

PROVEDORIA DE JUSTIÇA E PARCEIROS DEBATEM FORTALECIMENTO DO ACESSO À JUSTIÇA PARA GRUPOS VULNERÁVEIS EM CABO DELGADOA ci...
08/08/2026

PROVEDORIA DE JUSTIÇA E PARCEIROS DEBATEM FORTALECIMENTO DO ACESSO À JUSTIÇA PARA GRUPOS VULNERÁVEIS EM CABO DELGADO

A cidade de Pemba transformou-se, no passado dia 5 de Agosto de 2026, no centro de reflexão sobre a protecção jurídica dos cidadãos em situação de maior fragilidade social. A Delegação Provincial da Provedoria de Justiça acolheu um debate subordinado ao tema “Como fortalecer o Acesso à Justiça para grupos vulneráveis?”, uma iniciativa enquadrada no programa Promovendo o Acesso à Justiça, promovido em parceria estratégica com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Embaixada do Reino dos Países Baixos e o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD).

A abertura dos trabalhos ficou marcada por intervenções focadas na aproximação entre o cidadão e as instituições do Estado. Felismina Muhacha, em representação da Provedoria de Justiça, detalhou os procedimentos e a importância de recorrer a este órgão de soberania como garante da legalidade e da protecção dos cidadãos perante eventuais abusos ou omissões da administração pública. Na mesma linha, Sheila Massuque, da CNDH, reiterou as competências da comissão na salvaguarda dos direitos fundamentais, orientando os presentes sobre os canais formais e directos para a submissão de denúncias e o acompanhamento de casos de violação de direitos humanos.

A vertente comunitária e o apoio às camadas mais vulneráveis, em particular mulheres e raparigas, foram aprofundados por Sheila Mafuiane, Gestora de Projectos do IMD. A prelectora apresentou os mecanismos locais concebidos para encurtar a distância entre a protecção legal e as populações rurais, dando especial relevo à abordagem do Early Warning System – Community Based (EWS), um sistema de alerta prévio com base comunitária que permite prevenir e detectar precocemente situações de violência. Complementarmente, Sheila Mafuiane destacou o papel operativo da Linha Verde, um canal de apoio e denúncia rápida que tem facilitado o socorro a vítimas de abuso em locais de difícil acesso.

Um dos momentos mais prementes do debate foi conduzido por Adelina Afonso, Juíza da Secção de Execução de P***s do Tribunal Judicial da Província de Cabo Delgado, que esteve a representar a Associação Moçambicana de Juízes (AMJ). A magistrada orientou uma dissertação sobre a “Preservação de Provas de Violação de Direitos Humanos: importância, tipos de provas e onde submeter”, onde começou por explicitar o conceito jurídico de prova, a sua finalidade processual e o seu papel insubstituível na descoberta da verdade material.

Atendendo ao contexto adverso que afecta a província de Cabo Delgado, marcado pelo impacto do terrorismo e por relatos recorrentes de violação de direitos humanos em zonas de acesso complexo, Adelina Afonso enfatizou a urgência de capacitar os actores locais para a preservação da cena do crime. Ademais, a magistrada alertou para a importância de impedir a contaminação ou alteração intencional ou acidental dos vestígios até à chegada das autoridades competentes, sublinhando que a integridade da prova é a única garantia de uma responsabilização penal efectiva.

A intervenção da representante da AMJ incidiu igualmente sobre os crimes se***is e a violência baseada no género, matérias que exigem uma actuação célere, coordenada e profundamente humanizada. No mesmo contexto, destacou que a recolha e custódia de elementos probatórios nestes casos devem obedecer estritamente aos ditames legais, sem contudo descurar a protecção e a sensibilidade devidas às vítimas.

O debate encerrou num ambiente vivamente interactivo, marcado pelo diálogo aberto entre o painel e os participantes. As rondas de perguntas e respostas permitiram esclarecer dúvidas jurídicas e consolidar o conhecimento prático dos presentes. Há que referir que o encontro reuniu magistrados, defensores de direitos humanos, líderes comunitários e representantes da sociedade civil dispostos a concertar estratégias face aos desafios institucionais e sociais que prevalecem na região.

Provedoria de Justiça projecta parceria com ACNURA instalação da Delegação da Provedoria de Justiça, em Cabo Delgado, co...
06/08/2026

Provedoria de Justiça projecta parceria com ACNUR

A instalação da Delegação da Provedoria de Justiça, em Cabo Delgado, constitui uma enorme realização, nos processos de salvaguarda de direitos, através da proximidade criada com os serviços públicos locais, visando, dentre outros aspectos, celeridade na resolução das preocupações apresentadas pelos cidadãos.

Ciente da urgência, em volta do debate sobre a situação dos refugiados, deslocados e demais cidadãos afectados pela situação dos conflitos, naquela província, uma comitiva da Provedoria de Justiça, liderada pela Coordenadora Felismina Muhacha, visitou hoje, 06 de Agosto, o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), com o intuito de estudar pontos de convergência.

Na ocasião, Felismina Muhacha destacou os trabalhos que tem sido desencadeados, objectivando a premente protecção dos direitos de todos cidadãos, partindo da premissa que assegura a intervenção do Provedor de Justiça em assuntos relacionados com cidadãos nacionais, assim como os demais, podendo destacar os refugiados e apátridas, que se podem encontrar em conflito com determinados entes públicos.

Na voz da ACNUR, José Katunda, Chefe do Escritório, para a região Norte, a aproximação desenvolvida representa uma janela de possibilidades, principalmente pela convicção de que existem pontos de convergência, que podem justificar a necessidade de criação de sinergias, em prol de uma sociedade cada vez mais justa e que respeita dos direitos fundamentais dos indivíduos.

Importa referir que fizeram parte da comitiva Sérgio dos Céus Nelson, Director Nacional de Relações Institucionais, Comunicação e Imagem e Clemente Momola, Delegado da instituição, na Província de Cabo Delgado.

Embaixadora dos Países Baixos valoriza parceria estratégica com a Provedoria de JustiçaA província de Cabo Delgado conti...
05/08/2026

Embaixadora dos Países Baixos valoriza parceria estratégica com a Provedoria de Justiça

A província de Cabo Delgado continua a enfrentar um cenário complexo e desafiador no que se refere à garantia e ao exercício do acesso à justiça, um quadro severamente agravado pela persistência do conflito armado, pelos fluxos massivos de deslocamentos forçados e pelas limitações estruturais que condicionam a prestação regular dos serviços públicos essenciais.

Esta convergência de factores críticos atinge de forma desproporcional e profunda os segmentos populacionais em situação de maior vulnerabilidade, designadamente as mulheres, as crianças e os deslocados internos, cuja capacidade de reivindicar e proteger os seus direitos fundamentais se vê frequentemente comprometida.

Foi no contexto da busca de soluções sustentáveis e articuladas para esta problemática que se realizou hoje, 05 de agosto, um debate de alto nível subordinado ao tema “Como fortalecer o acesso à justiça para grupos vulneráveis?”. A iniciativa inseriu-se no âmbito do Programa Promovendo o Acesso à Justiça, uma intervenção multissectorial coordenada que junta a Provedoria de Justiça, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, o Instituto para a Democracia Multipartidária e a Embaixada do Reino dos Países Baixos.

A reflexão sobre a conjuntura actual da província foi aberta com as contribuições do Delegado da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Quito Emílio Schreiber, que apresentou um diagnóstico analítico fundamentado nos dados colhidos no terreno. O representante traçou um panorama pormenorizado sobre as dinâmicas dos direitos fundamentais da população local, sublinhando os desafios prementes que persistem na salvaguarda dos cidadãos perante episódios sistemáticos de violência e abuso.

Na sua intervenção, foi enfatizada a imperiosa necessidade de consolidar um esforço institucional conjunto e coordenado, focado tanto na consciencialização e capacitação da sociedade civil para a identificação e denúncia de atropelos, como no fortalecimento dos mecanismos estatais de responsabilização efectiva dos infractores, de modo a combater a impunidade e restaurar a confiança nas instituições.

No âmbito da actuação dos órgãos de supervisão e garantia da legalidade, a Coordenadora da Provedoria de Justiça, Felismina Muhacha, detalhou as acções estratégicas que a instituição tem vindo a implementar na região do conflito, destacando como marco operacional a instalação e pleno funcionamento da primeira delegação provincial da Provedoria de Justiça em Pemba. Este avanço infraestrutural e administrativo estabelece uma ponte directa e permanente com as comunidades, encurtando distâncias e permitindo uma mediação mais célere e eficaz nos diferendos que opõem os cidadãos às entidades da administração pública.

A Coordenadora fez ainda questão de sublinhar a relevância do compromisso assumido pelos Países Baixos e pelos restantes parceiros do consórcio, classificando a cooperação internacional como um pilar indispensável para traduzir mandatos legais em resultados tangíveis no terreno. Entre os avanços concretos viabilizados por esta parceria, destacam-se as campanhas de atribuição de documentação civil essencial a populações desprovidas de identificação, o apoio jurídico especializado a deslocados e refugiados e a operacionalização das competências acrescidas atribuídas à Provedoria de Justiça no âmbito do novo quadro legal fixado pela Lei n.º 10/2023, de 21 de julho.

Reafirmando a solidez e a oportunidade desta aliança estratégica, a Embaixadora do Reino dos Países Baixos, Elsbeth Akkerman, enalteceu os impactos alcançados no âmbito da iniciativa conjunta com a Provedoria de Justiça, a CNDH e o IMD, reiterando o empenho do seu governo na consolidação do Estado de Direito e da democracia em Moçambique. A diplomata enfatizou que a continuidade e a expansão destas plataformas de diálogo e capacitação são vitais para descentralizar a informação e dotar o cidadão comum das ferramentas necessárias para accionar os canais formais de protecção sempre que os seus direitos forem violados.

Akkerman concluiu ressaltando que, perante a magnitude dos desafios estruturais que o aparelho estatal ainda enfrenta na erradicação de práticas nocivas à dignidade humana, o fortalecimento contínuo destas parcerias institucionais permanece o caminho mais seguro para garantir a plena protecção das garantias constitucionais de todos os cidadãos.

Importa destacar que o encontro teve como propósito central aprofundar o conhecimento técnico-operacional sobre os mecanismos institucionais de protecção e reforçar as metodologias de recolha e preservação de evidências em cenários de violação dos Direitos Humanos, assegurando que o devido processo legal possa ser activado de forma célere e rigorosa.

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