19/09/2025
A IMPORTÂNCIA DO REGISTO DE BENS PARA PREVENIR CONFLITOS
Em Moçambique, têm-se tornado cada vez mais frequentes os casos de disputas pela pertença de bens, sobretudo imóveis – terrenos, casas e edifícios.
Muitas famílias, vizinhos e até sócios vêem-se envolvidos em longos processos judiciais para provar quem é o verdadeiro proprietário de um determinado bem.
Grande parte desses conflitos surge, não por falta de direito, mas por falta de registo.
O registo de bens, principalmente imóveis, é a única prova oficial da propriedade perante a lei.
Mesmo que alguém possua um contrato de compra e venda ou um documento de herança, só o registo na Conservatória do Registo Predial confirma juridicamente quem é o legítimo titular.
Alguns exemplos comuns de litígios:
- Venda dupla: o vendedor negocia o mesmo terreno com dois compradores diferentes.
- Conflitos familiares: irmãos ou filhos disputam casas herdadas sem que o falecido tenha registado o bem.
- Falsificação de documentos: sem registo, torna-se mais fácil apresentar contratos falsos.
Como prevenir conflitos?
Para evitar este tipo de problema, é fundamental adotar medidas preventivas:
1. Registar imediatamente a propriedade
Após a compra, doação ou herança, faça o registo na Conservatória do Registo Predial.
No caso da terra, obtenha e inscreva o DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento da Terra).
O registo deve ser feito mesmo que haja confiança entre as partes.
2. Guardar todos os documentos originais
Contratos, certidões e comprovativos de pagamento devem ser arquivados de forma segura.
3. Actualizar os registos
Sempre que houver mudança de titularidade (venda, doação, falecimento), o registo deve ser actualizado.
Um imóvel herdado, por exemplo, só pertence legalmente aos herdeiros depois da partilha e registo em seus nomes.
4. Evitar transações informais
Não basta uma simples declaração ou contrato particular.
Exigir escritura pública e registo é a única forma de garantir segurança jurídica.
O registo de bens não é um luxo nem mera burocracia, mas uma garantia de paz e segurança jurídica.
Num contexto em que os litígios pela posse de imóveis se multiplicam, quem regista protege-se, evita conflitos familiares, preserva o seu património e garante que os seus direitos sejam reconhecidos perante a lei e perante a sociedade.