03/06/2026
Revolução silenciosa da identificação civil na Itália?
Você já percebeu que a Itália está passando por uma das maiores transformações administrativas de sua história recente? Tudo começou com a criação da ANPR (Anagrafe Nazionale della Popolazione Residente), instituída pelo Decreto-Lei nº 179/2012 e implementada gradualmente a partir de 2016. O objetivo era ambicioso: unificar os registros civis dos mais de 8 mil comuni italianos em uma única base nacional.
A mudança não ocorreu por acaso. Durante anos, a União Europeia pressionou os Estados-membros a modernizarem seus documentos de identificação. A Itália, que ainda utilizava amplamente as tradicionais carteiras de identidade em papel, precisou adequar seu sistema aos novos padrões europeus de segurança documental e interoperabilidade digital.
O Regulamento (UE) 2019/1157 reforçou essa exigência ao estabelecer critérios mais rigorosos para os documentos de identidade dos cidadãos europeus. Foi nesse contexto que a Carta d’Identità Elettronica (CIE) ganhou protagonismo.
A substituição da carteira de identidade em papel pela versão eletrônica começou em 2016 e foi expandida progressivamente para todos os comuni italianos. Desde então, a emissão da CIE tornou-se a regra, enquanto o documento em papel passou a ser reservado apenas para situações excepcionais.
Mas talvez a mudança mais importante seja outra: Com a integração promovida pela ANPR, os dados dos cidadãos passaram a estar conectados em uma plataforma nacional. Na prática, isso significa menos dependência do comune de residência e maior eficiência na prestação de serviços públicos.
A Itália está deixando para trás um modelo fragmentado e caminhando para uma administração pública cada vez mais digital, integrada e alinhada aos padrões da União Europeia. E essa transformação ainda está em curso. 🇪🇺