Daiane Marangoni

Daiane Marangoni Direito italo-brasileiro, cidadania italiana por via judicial.

Você atravessou um oceano para f**ar com alguém.Trouxe na mala o que coube.E deixou para trás o que não cabia.Chegando a...
28/05/2026

Você atravessou um oceano para f**ar com alguém.

Trouxe na mala o que coube.
E deixou para trás o que não cabia.

Chegando aqui, tudo parecia certo.
A casa já existia.
A rotina já estava pronta.
As pessoas já tinham seus lugares nos almoços em família.

Menos você.

Os amigos são os do outro.
A família é a do outro.
As conversas acontecem ao seu redor, rápidas demais para acompanhar.

Você sorri.
Observa.
Tenta se encaixar.

Em alguns momentos você se sente uma criança, dependente, aprendendo tudo do zero.

Em outros um adulto que precisa legendar a própria existência, explicando quem é, de onde vem, o que gosta.

E nasce assim um tipo de silêncio que não vem da falta de som. Vem da falta de pertencimento.

De não ter amigos com quem dividir desabafar.
De não conseguir se expressar como gostaria.
De depender do outro até para coisas simples.

Migrar por amor também pode ser isso.

Um recomeço que não começa do mesmo ponto para os dois.

Enquanto um já tem história, rotina e referências, o outro precisa construir tudo quase do zero.

E isso pode trazer uma sensação difícil de nomear.

Não é falta de amor.
Mas, às vezes, é solidão.

Com o tempo, as coisas encontram lugar, é claro.

O idioma melhora.
Os caminhos f**am mais familiares.
As relações começam a ser suas também.

Mas esse meio do caminho existe porque amar alguém em outro país também envolve aprender a existir ali. E a existência nem sempre é simples, clara ou escrita em linhas retas.

Esse é um dos mitos bastante comuns na área da cidadania italiana. 1) O número de requerentes não interfere diretamente ...
26/05/2026

Esse é um dos mitos bastante comuns na área da cidadania italiana.

1) O número de requerentes não interfere diretamente no tempo de processo.

2) Não existe limite de autores por processo.

Aqui no escritório, por exemplo, já obtivemos sentença positiva para 20 requerentes de uma única vez e em um prazo normal.

Porém no Direito sempre trabalhamos com aquela máxima: cada caso é um caso.

Por isso, o ponto mais importante nesse tipo de situação é analisar as relações familiares para garantir que os laços com o dante causa italiano estejam claros.

Isso porque o processo de reconhecimento reúne uma grande quantidade de documentos. Para você ter uma ideia, é tanta documentação que a plataforma do governo pode levar horas, às vezes dias, para fazer o upload.

Então quanto mais requerentes, mais documentos serão anexados na ação. Se essas pessoas são irmãos, por exemplo, temos a mesma linha da árvore genealógica.

Se forem familiares mais distantes, temos uma ramif**ação muito mais prolongada e o próprio juiz pode desmembrar o processo,o que pode complicar o trâmite processual.

Por isso, em algumas situações pode ser mais interessante separar as ações desde o início. Ou seja, deixar o processo menos complexo de ser analisado.

Sempre consulte um advogado que tenha experiência na área, ele conseguirá indicar o melhor caminho.

“Posso mudar para a Europa agora que já tenho a sentença positiva?”. Vamos lá.A sentença positiva é o que todo requerent...
22/05/2026

“Posso mudar para a Europa agora que já tenho a sentença positiva?”. Vamos lá.

A sentença positiva é o que todo requerente espera e, quando chega, a vontade é de fazer as malas imediatamente. Mas antes de comprar a passagem, tem um detalhe importante que você precisa entender.

É o trânsito em julgado que efetiva a sua condição de cidadão italiano, não a sentença em si. Ele é que torna a decisão definitiva.

Depois disso, a documentação segue para transcrição no Comune, onde será emitida a sua certidão de nascimento italiana.

Ou seja: a sentença sozinha ainda não torna você cidadão italiano perante as autoridades.

🚨 Ao embarcar apenas com a sentença em mãos, será tratado como estrangeiro.🚨

Na prática, se um agente de imigração te abordar, ele não tem obrigação de conhecer o processo judicial ou verif**ar se a sentença é verídica. Se der problema na entrada, vai ser bem complicado resolver lá na hora.

Mesmo que desse tudo certo, como brasileiros temos permissão para f**ar 90 dias como turistas no Espaço Schengen, a pergunta que f**a é: dá para conseguir o trânsito em julgado e concluir as transcrições dentro desse prazo?

Honestamente? Seria algo raríssimo e extremamente improvável. Irreal, até.

Então, em geral, mudar-se para a Europa apenas com a sentença em mãos é um risco que não vale a pena correr. A não ser que você venha também com visto de trabalho, de estudo ou outro tipo de autorização, claro.

Agora, se o plano é entrar como cidadão italiano, o ideal é aguardar até ter a certidão de nascimento em mãos. Afinal, você vai precisar dela para dar entrada em toda a documentação de residente.

E se estiver pensando em vir morar na Itália, consulte um advogado italiano para esclarecer todas as dúvidas!

Se você reconheceu a cidadania italiana e tem filhos menores, provavelmente já se perguntou: preciso registrá-los no con...
20/05/2026

Se você reconheceu a cidadania italiana e tem filhos menores, provavelmente já se perguntou: preciso registrá-los no consulado? Via de regra, sim. Mas é importante saber algumas coisas antes.

1) Primeiro de tudo: a lei mudou.

Antes de março de 2025, filhos de cidadãos reconhecidos eram automaticamente italianos, bastava registro no consulado.

Atualmente filhos menores nascidos antes do decreto precisam ser registrados até 31/05/2029. Já os nascidos depois têm até um ano após o nascimento.

Além disso, o que antes era jus sanguinis tornou-se um benefício de lei. Ou seja:filhos registrados por esse benefício de lei não poderão transmitir a cidadania aos próprios filhos no futuro.

2) Registrar agora é a melhor decisão?

A Corte Constitucional italiana tem audiência marcada para junho deste ano e a decisão pode impactar o cenário atual. Minha sugestão: não registre já, aguarde até ter todas as informações em mãos.

3) Como funciona se os pais forem separados ou o genitor não for presente?

Muitos consulados exigem a assinatura de ambos os genitores no formulário.

Em casos de divórcio, separação ou ausência do outro genitor, é possível apresentar a documentação que comprove a guarda unilateral. Isso tira a necessidade de apresentar a segunda assinatura.

Se esse é o seu caso, antes de resolver isso agora, vale refletir se "o beneficio de lei" é mesmo o melhor caminho. O cenário ainda pode mudar.

Por isso, em muitos casos, o mais inteligente não é correr, mas esperar para decidir com estratégia mais adiante.

Para mais informações consulte o site do consulado de sua jurisdição ou contate um advogado especializado em cidadania italiana.

Há 14 anos nascia minha primeira “filha”.Antes de a Noemi e a Aurora chegarem, veio a MAI (Marangoni Advocacia Internaci...
18/05/2026

Há 14 anos nascia minha primeira “filha”.

Antes de a Noemi e a Aurora chegarem, veio a MAI (Marangoni Advocacia Internacional).

Um baby jurídico, um escritório especializado em demandas ítalo-brasileiras.

Brincadeiras à parte, quem empreende sabe o quanto uma empresa pode tomar conta de nós (e o quanto nós precisamos tomar conta dela).

Com a MAI não foi (e não é) diferente.

O escritório nasceu da minha formação acadêmica como advogada no Brasil, mas também da minha história com a cidadania italiana.

Dos perrengues que eu mesma enfrentei, da papelada em italiano que eu precisei traduzir enquanto argumentava no Comune.

Do desejo de refazer os passos do meu bisavô que sonhava em retornar à Itália (mas nunca conseguiu).

Milhares de dezenas de horas investidas em construir não apenas um ganha-pão, mas um escritório pelo qual eu mesma gostaria de ter sido atendida quando estava em busca da minha cidadania.

Um escritório para amparar quem tem raízes, amores ou sonhos que passam pela Itália.

Uma advocacia próxima, artesanal e que conhece a sua história.

Esse propósito me movia em 2012 e segue me impulsionando todos os dias desses catorze anos.

Obrigada a cada um que faz parte dessa trajetória, a cada cliente que confia na MAI. Grazie!

Roma é uma cidade incrível para visitar.Linda, histórica, cheia de detalhes que fazem você olhar para todos os lados o t...
14/05/2026

Roma é uma cidade incrível para visitar.

Linda, histórica, cheia de detalhes que fazem você olhar para todos os lados o tempo todo. Um verdadeiro museu a céu aberto.

Mas morar já é uma história um pouquinho diferente.

Eu vivi na capital italiana por anos.

Nessa época, quem passasse pela calçada do meu prédio talvez me encontrasse parada com sacolas de compra na mão, tentando resolver como subir tudo enquanto meu marido procurava um lugar para estacionar. E, claro, torcendo para o elevador do século passado não estar travado em algum andar.

Hoje vivo em uma cidade menor próxima, chamamos de cidade satélite e posso dizer que tenho mais qualidade de vida.

Ainda assim, estou em Roma com frequência, principalmente por conta do trabalho, e posso dizer que, no dia a dia, ela pode ser… caótica.

Então, sim, visitar a Itália é muito diferente de morar nela.

Claro, não posso falar por todas as cidades do país, mas posso dizer que, ao morar aqui, você precisará se acostumar com burocracias presenciais, trâmites pouco digitais e um ritmo de vida diferente.

Porque a Itália é incrível, sim. Mas a vida aqui também é feita de detalhes pouco "instagramáveis", aqueles que só aparecem quando você deixa de ser turista e passa a chamar esse país de lar. 💚🤍❤️

O juiz marcou uma segunda audiência no seu processo de reconhecimento?Não se preocupe que, em geral, isso não signif**a ...
12/05/2026

O juiz marcou uma segunda audiência no seu processo de reconhecimento?

Não se preocupe que, em geral, isso não signif**a necessariamente um problema.

Um processo funciona assim:

A primeira audiência é chamada de audiência de instrução.

Após ela, o juiz avalia se o processo está "maduro". Ou seja, se há elementos suficientes para proferir a sentença.

Se estiver tudo completo e bem documentado, ele pode encaminhar o processo diretamente para conclusão, sem necessidade de nova audiência (o que é muito comum nos processos de cidadania, já que são 100% baseados em prova documental).

Mas quando acontece a segunda audiência?

Prevista no próprio Código de Processo Civil italiano, ela se chama, em tradução literal, ‘audiência de precisão e conclusão’, e normalmente ocorre em duas situações:

1) Para precisar as conclusões
Nenhuma informação nova é apresentada. As partes apenas reafirmam e explicam melhor o que já foi dito, concluindo o que foi exposto anteriormente.

2) Para sanar pontos que não f**aram claros
Se alguma documentação não comprovou algo de forma suficiente, o juiz pode marcar uma nova audiência para dar à parte tempo hábil para juntar ou complementar a documentação necessária.

Porém apenas analisando os autos é possível entender o motivo do segundo agendamento.

É raro ter uma segunda audiência?

Não necessariamente.

Depende do juiz, do contexto de cada processo e também de como a ação foi estruturada.

Então a melhor coisa a se fazer é não comparar o seu processo com o de outra pessoa, cada caso tem suas particularidades.

Se isso aconteceu com você, converse com seu advogado e peça para ele te explicar o que consta na manifestação do juiz e o que será tratado na próxima audiência.

Nada te prepara completamente para ser mãe. Mas ser mãe longe do seu país de origem? Isso então é uma empreitada para a ...
10/05/2026

Nada te prepara completamente para ser mãe. Mas ser mãe longe do seu país de origem?

Isso então é uma empreitada para a qual nenhum livro, nenhum grupo de WhatsApp e nenhuma consulta médica te prepara de verdade.

Longe da sua mãe. Longe das amigas que te conhecem desde sempre. Longe do cheiro, do sotaque, das referências que fizeram de você quem você é. E é justamente essa pessoa, com toda essa história, que agora precisa criar outra.

Que peso. Que privilégio. Que complexidade bonita.

Ser mãe no exterior é viver num eterno entre: entre culturas, entre idiomas, entre formas de educar que nem sempre combinam, mas que você vai juntando do seu jeito, com o que faz sentido para você e para o seu filho.

É explicar para uma criança pequena por que na casa de vocês tem brigadeiro e pizza, Saci e Befana, festa junina e Ferragosto. É ver ela crescer carregando mundos que você mesma ainda está aprendendo a habitar.

É também, em alguns dias, sentir uma solidão que não tem nome certo. Não é tristeza. Não é arrependimento. É só a saudade de um colo que não está alcançável. É querer, mesmo sendo mãe, ser filha por um instante.

Porque mãe também precisa de mãe.

E nesse dia a dia de adaptações, descobertas e recomeços, tem mães que migraram por amor, mães que migraram por necessidade, mães que nem sabiam direito o motivo, mas foram. E f**aram. E criaram raízes onde antes não havia nada familiar.

Essas mães não são heroínas de propaganda de margarina. São reais. Aprendem no caminho, erram, recomeçam. Ensinam sobre o mundo enquanto o mundo ainda as ensina também.

Feliz Dia das Mães para todas nós, imigrantes ou não, mas sempre sonhadoras e, ao mesmo tempo, pé no chão. 💚🤍❤️

Quando a Noemi e a Aurora nasceram, quem fez o registro de nascimento foi o meu marido, assim eu pude dedicar todo o tem...
08/05/2026

Quando a Noemi e a Aurora nasceram, quem fez o registro de nascimento foi o meu marido, assim eu pude dedicar todo o tempo aos cuidados das meninas. E acredito que isso é muito comum, não é?

Mas, por aqui na Itália, nem sempre funciona dessa forma e às vezes muitos pais só descobrem isso no dia do registro.

Como assim?

O status de relacionamento dos pais influencia diretamente o registro de nascimento.

Quando o casal é casado, o processo costuma ser mais simples: a presença de apenas um dos dois já é suficiente para fazer a declaração.

Mas quando não há casamento, o cenário muda: ambos (pai e mãe) precisam comparecer para declarar o nascimento e reconhecer a criança.

E é justamente aí que muitas famílias são pegas de surpresa, especialmente logo após o parto, quando tudo ainda é muito recente.

Mas existe uma alternativa pouco conhecida que pode facilitar bastante esse momento.

Durante a gestação, o casal pode ir até o comune e declarar que está esperando um filho.

Esse procedimento antecipa o reconhecimento e torna o registro mais simples depois do nascimento.

É um detalhe pequeno, mas que faz diferença em um momento em que o ideal seria se preocupar apenas com o bebê (e não com burocracias).

De forma geral, o nascimento deve ser declarado ao oficial do estado civil do comune onde ocorreu o parto, ou diretamente no hospital, dentro dos prazos legais.

Se você está vivendo ou planejando essa fase na Itália, busque orientação para passar por esse momento com mais tranquilidade.

Aqui no escritório, já acompanhei histórias que me lembram, todos os dias, que cidadania não é um documento, é a vida ac...
07/05/2026

Aqui no escritório, já acompanhei histórias que me lembram, todos os dias, que cidadania não é um documento, é a vida acontecendo.

Veja só algumas delas:

Um cliente viveu oito anos irregular na Itália.

Oito anos sem sair do país, sem conta em banco, sem contrato de trabalho, sem acesso básico à saúde.

Quando finalmente fizemos o processo de reconhecimento de cidadania italiana via judicial, não era só uma sentença favorável. Era o fim de um medo que o acompanhou por quase uma década.

Outra cliente chegou até mim presa em um relacionamento abusivo, sem apoio, sem voz.

Deu entrada no processo de cidadania por casamento, porém logo em seguida a lei foi alterada. Então, apesar de ela ter conseguido a naturalização italiana na “Prefettura”, o comune não quis marcar o juramento porque identificou uma separação (que é diferente do divórcio).

Entramos então com um processo judicial argumentando que o comune não tinha competência para questionar, deveria apenas obedecer o decreto dado pelo Ministério. Juntamos jurisprudência e o Tribunal de Roma deu razão à cliente, ordenando que o comune fizesse o agendamento.

Eu acompanhei o juramento, ela estava tão emocionada que mal conseguia falar. Aquele “sim” não era só sobre cidadania: era sobre recuperar a própria vida.

Teve também o caso de um homem que cresceu sem o nome do pai na certidão. Sem respostas, sem uma história completa para chamar de sua.

Filho de uma brasileira e um italiano, foram 40 anos esperando pelo reconhecimento da paternidade.

Quando finalmente chegou o momento, lembro que viajei à cidade onde o pai estava para acompanhar a coleta do DNA e garantir que ele pudesse servir como prova judicial.

Ele não buscava indenização nem conflito. Queria, simplesmente, ter um pai. Depois do reconhecimento da paternidade, seguimos juntos no próximo passo: o reconhecimento da cidadania italiana.

Indirizzo

Rome

Orario di apertura

Lunedì 09:00 - 18:00
Martedì 09:00 - 18:00
Mercoledì 09:00 - 18:00
Giovedì 09:00 - 18:00
Venerdì 09:00 - 18:00

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