20/02/2017
500 anos de ciclos econômicos
por Ana Claudia Ferrari
Da Agência Estado
A história econômica do Brasil é marcada por uma sucessão de ciclos, cada qual baseado na exploração de um único produto de exportação: nos séculos XVI e XVII a cana-de-açúcar; no século XVIII os metais preciosos (ouro e prata) e pedras (diamantes e esmeraldas); e no século XIX e início do século XX o café que começou a ser cultivado depois de uma série de expedições ao interior, e a borracha. Paralelamente, atividades agropecuárias em pequena escala foram desenvolvidas para o consumo local.
A primeira atividade econômica adotada pelos portugueses em terras brasileiras foi a exploração de pau-brasil, árvore então abundante na Mata Atlântica. Mas é o açúcar a base principal da colonização nos dois primeiros séculos, sobretudo no Nordeste. A agricultura canavieira se transforma no setor mais importante da economia colonial. O açúcar era exportado para a Europa, cuja demanda crescente começava a superar os suprimentos das fontes tradicionais.
A descoberta do ouro – a mais importante conseqüência das expedições que partiram de São Paulo para o interior, no final do século XVII – desencadeia profundas transformações. Por volta da metade do Século XVIII, a mineração está no auge do desenvolvimento, exportando entre 14 e 15 toneladas de ouro anuais.
O sucesso da mineração do ouro e diamantes, assim como o do plantio da cana-de-açúcar, foi seguido pela ascensão de uma fonte de riqueza ainda mais importante: o café. Em meados do Século XIX, o café ocupa as terras das antigas lavouras de cana de açúcar e de algodão e invade o oeste paulista. O ambiente favorável fez do Brasil o maior produtor de café do mundo.
Nas últimas décadas do Século XIX e na primeira do Século XX, a região amazônica transforma-se em cenário de um dos ciclos econômicos mais rápidos do Brasil, baseado na exploração da seringueira. Com a invenção do pneumático, em 1888, e a expansão da indústria automobilística, principalmente nos EUA, a demanda do produto aumenta, elevando seu preço e trazendo um surto de progresso às principais cidades amazônicas. Em 1913, a produção brasileira de borracha é suplantada pela das colônias britâncas do sudeste asiático. Somente após 1930 o Brasil alcançou nível moderno de desempenho econômico.
INDUSTRIALIZAÇÃO – Nos anos 40, a primeira usina siderúrgica foi construída em Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, com finaciamento norte-americano. Nas décadas de 50 e 70 houve acelerado processo de industrialização, que resultou no crescimento de setores importantes da economia, como o da indústria automobilística, da petroquímica e do aço, assim como o início e conclusão de grandes projetos de infra-estrutura.
Nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, a taxa anual de crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) do Brasil estava entre as mais alta do mundo, apresentando, até 1974, média de 7,4%.
Depois de um longo período de crise e inflação, o Governo brasileiro tomou uma série de medidas econômicas no início dos anos 90, que incluíam uma política fiscal severa; reforma tributária; liberalização do comércio; desregulamentação; privatização de empresas públicas; e o estabelecimento de um plano para atrair e aumentar o investimento estrangeiro. O País consolidou-se como base de projetos industriais – uma plataforma de exportações de empresas transnacionais – e se inseriu no mercado financeiro mundial.
Pagando uma das mais altas taxas de juros aos investidores estrangeiros, passou a se financiar também com o chamado capital volátil, capaz de engordar ou sangrar as reservas monetárias em poucos dias.
Em função disso, em 1998 o Brasil foi epicentro de um grande abalo financeiro internacional ao perder bilhões de dólares subitamente em meio à insegurança que se criou a partir de uma moratória decretada pela Rússia. Os reflexos internos também foram graves. Os investimentos se reduziram, a atividade econômica perdeu o ritmo, a inflação voltou a ameaçar e o desemprego cresceu com a baixa produção das empresas. Só no ano passado os indicadores voltaram a apontar para uma recuperação.