14/01/2026
Feitas as considerações sobre Um defeito de cor, um dos melhores livros que já li, percebi que a leitura também me tocava de forma íntima. Lê-lo no final de 2025 soou como um presente. Não por trazer respostas, mas por me permitir enxergar coisas que eu não estava conseguindo ver.
2025 foi um ano difícil. E, ao mesmo tempo, um ano muito especial. Como têm sido os últimos. Graças a Deus.
Foi também um ano mais familiar, mais conectado comigo e com os meus. Amigos, afetos e família.
Ainda assim, houve um ponto estranho. Um problema diante do qual eu me vi parado. Não conseguia resolver, não conseguia sair dele. E isso me incomodava mais do que o próprio problema.
Numa conversa despretensiosa, durante a confraternização do escritório, falando sobre isso com uma amiga, a resposta veio quase sem aviso. Como algo que sempre esteve ali, mas que eu não conseguia acessar.
Ao longo da vida, me acostumei a seguir adiante. Analisar, decidir, buscar solução. Talvez isso explique parte do caminho profissional que trilhei, o qual tenho certo destaque.
Mas aquele problema não se resolvia. E insistir em resolvê-lo me mantinha preso. Ao passado, às hipóteses, ao “e se”.
Quando terminei o livro, a sensação não foi de resposta, mas de deslocamento. O problema não tinha desaparecido exatamente. Eu é que já não estava no mesmo lugar. Veio uma calma estranha, quase um aceite. Talvez não houvesse solução, e tudo bem. Mas, dali em diante, nada seria como antes.
Um defeito de cor me fez perceber algo ao olhar para mim. Apesar dos muitos atravessamentos que já vivi, sempre houve uma escolha silenciosa de seguir. Não por coragem, mas por necessidade. Parar nunca pareceu uma opção.
Essa decisão interna, antiga, quase infantil, talvez tenha sido feita quando, ainda muito pequeno, precisei sair da casa da minha mãe. E, de algum modo, ela segue me definindo.
Compartilho essas reflexões sem intenção de conclusão, mas como convite. Para a leitura do livro. E para que, se fizer sentido, me contem também o que ele despertou em vocês.