04/05/2022
A desigualdade econômica e social é algo incontestável em nosso país. Com a pandemia, vieram à tona várias facetas da vulnerabilidade social; uma delas é a pobreza menstrual.
A pobreza menstrual expõe as pessoas menstruantes aos desafios de acesso a direitos e a dificuldade na obtenção a insumos de saúde. Ou seja, a falta de saneamento básico e de acesso à água tratada, assim como a carência referente a itens de higiene pessoal impedem que elas tenham capacidade de cuidar de sua menstruação.
Segundo a ONU Mulheres, 12,5% da população feminina do planeta não tem acesso a produtos de higiene pessoal. Isto se dá pelo alto custo dos produtos, levando essas mulheres a socorrem-se de mecanismos não seguros para conter a menstruação. Esta situação é mais grave quando se faz o recorte racial: segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), publicado 28/05/2021, meninas negras têm três vezes mais chances de viverem sem acesso a banheiro do que meninas brancas no país. Além disso, enquanto cerca de 24% das meninas brancas vivem em locais sem esgoto, o número salta para 37% quando são consideradas as meninas negras.
A fim de intensificar o debate no município de Varginha, a Comissão de Promoção da Igualdade Racial (gestão 2019-2021), presidida à época pelas advogadas Shirley Teodoro e Thais Corcetti, participou, em conjunto com outras instituições, da Campanha Miêta Santiago pela Dignidade Menstrual que arrecadou 7.452 unidades de absorventes, equivalente a 931,5 pacotes. Tudo foi entregue ao Núcleo de Capacitação da Paz – NUCAP, que ficou responsável pela distribuição mensal à 53 mulheres e as suas filhas em idade menstrual, bem como às pessoas em situação de rua.
É importante destacar que a debilidade menstrual favorece a misoginia, o aumento da desigualdade entre homens e mulheres. Desta forma, ações afirmativas, políticas públicas voltadas a responsabilidade social se fazem necessários para a saúde e dignidade das mulheres.