01/04/2015
A SEDUÇÃO ENGANOSA DA DROGA
Vlamir de Jesus Sandei
Delegado de Polícia Aposentado
Professor de Criminologia da Academia de Polícia
Advogado – OAB/SP n.º 71.916
É na família e no lar que a criança tem o primeiro conhecimento dos valores do mundo, é exatamente onde vai iniciar a formação da personalidade e vai ter as primeiras lições de vida para enfrentar as suas dificuldades. Por isso, é muito importante deixar bem definido para a criança de que não existe “droga milagrosa” que elimina instantaneamente os problemas do dia-a-dia e que os contratempos são naturais e o que vale na vida é saber enfrentá-los de forma consciente.
De qualquer modo, não adianta o pai condenar o consumo de droga ilícita e ao mesmo tempo defender o uso de tranquilizante para dormir ou de uma dose de uísque “para relaxar” quando chega estressado do trabalho. Por óbvias razões, esse procedimento vai transferindo a ideia de que a substância química funciona como uma “poção” mágica, que resolve qualquer problema do ser humano.
É importante relembrar que até o pai da psicanálise, Sigmund Freud, por razões profissionais foi fisgado pela sedução das dr**as, em especial pela co***na. Inicialmente relatava as suas experiências da seguinte forma: “Senti uma rápida sensação de bom humor, acompanhada de uma impressão de bem estar de tão longa duração que nada diferenciava da euforia normal de uma pessoa saudável. Tem-se a impressão de poder se dominar melhor, ter vitalidade e de poder trabalhar melhor”.
Não demorou muito para que Freud percebesse que estava extremamente equivocado sobre os efeitos das dr**as. Em sua experiência “Sobre Coca”, de 1884, ele recomendou a pacientes e aplicou em si mesmo. De fato, receitou injeções de co***na para seu amigo Ernst von Fleischl – Marxon com a intenção de recuperá-lo da dependência física da morfina.
Porém, a co***na acelerou a agonia de Fleischl – Marxow e Freud silenciou sobre a causa de sua morte. Com isso e com a descoberta de que a co***na causa dependência e ao mesmo tempo propicia a instalação da tolerância, que nada mais é, que a adaptação do organismo a adição da droga, o que sugere o aumento gradativo do uso, abandonou imediatamente o hábito e a utilização profissional.
É oportuno, todavia, frente a essas informações detalhadas, salientar que apesar de toda sedução que envolve o mundo das dr**as, o que Freud percebeu e todas as pessoas devem no mínimo procurar entender é que o uso contínuo da droga deforma a personalidade, acaba tornando-se um escudo, sem o qual o dependente acha que não pode mais enfrentar as inseguranças que vida oferece.
A sensação agradável do início pode rapidamente transformar-se em pesadelo incontrolável, sujeito à dependência, tolerância, síndrome de abstinência, compulsão, ressaca e a insatisfação pessoal. Portanto, isso tudo vem demonstrar de forma clara e sistemática que não vale a pena correr esse risco tão grande, pelo simples fato de submeter-se a experiência inicial.
Na verdade, a co***na é o maior estimulante natural que existe, mas nem por isso é necessária e importante para o organismo do ser humano. Mesmo porque a sua excitação inicial transforma-se em depressão quando o efeito termina e, a partir daí, começa um círculo vicioso fazendo o usuário utilizar novamente a droga para evitar esse abatimento físico e moral. Portanto, as razões e os argumentos para não usar dr**as, são maiores e mais coerentes quando se destaca a qualidade de vida do ser humano.
Portanto, é importante uma reflexão sobre o uso indiscriminado de substância química.