Félix Soibelman

Félix Soibelman Formado em Direito pela UFF, advogado do processo que originou a súmula vinculante 57, no RE 330.817. Felix Soibelman, advogado, OAB-RJ 76117
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22/08/2026

MEU ANIVERSÁRIO E CENSURA - COMO RESPOSTA, CLIQUE NO BOTÃO SEGUIR

As Big Techs, diante do julgamento do Marco Civil, foram obrigadas a censurar sem depender de ordem judicial e o modo que encontraram até agora foi bloquear a distribuição de postagens.

Só os seguidores estão recebendo as postagens e eventuais pessoas que já tenham sido convidadas a seguir, em menor parte, recebem agora minhas postagens.

Anteriormente eu gastava cerca de R$ 10 a R$ 20,00 para promover uma postagem ou outra, mas já não vinha fazendo isso há algum tempo, havendo algumas postagens que sozinhas passavam até de 3000 curtidas. O Facebook agora recusa a promoção e faz o número de seguidores diminuir.

Se todos os convidados (aqueles que convido por mecanismo do próprio Facebook) clicassem no botão "seguir", esta página teria no mínimo 5 vezes mais de seguidores. É claro que esse tipo de atitude do Brasil já chegou nos ouvidos do departamento de Estado dos EUA.

A ditadura jurisaristocrática tenta agora, portanto, fazer a censura de forma mais dissimulada, mas, diante do olhar dos EUA e de um Ocidente cujo resgate entrou em trabalho de parto via Trump, isso de nada adiantará.

Aparece como desespero uma anacrônica libido censora, cega à mudança do mundo apostando na perpetuidade da transformação gramsciana da sociedade, vinda de uma gente que só consegue vencer por meio de repressão, nunca suportando a capilaridade das redes que fez sair do domínio concentrado a informação.

E que piada o Brasil, onde juízes sem o mínimo talho geopolítico e cultural para se situarem na grandeza do real contexto dos acontecimentos f**aram à frente da iniciativa, alguns deles salmodiando bobagens woke como se convencessem de sua virtude intelectual e moral.

É necessário ser muito tacanho para velar pelo establishment, com o estofo do "american way of life" ao mesmo tempo em que apoia o eixo eurasiano, que cedo ou tarde engolirá o tipo de vida que iconizam.

Muito bem, como hoje é meu aniversário, presenteie, querendo, essa página, clicando no botão curtir. É a resposta que daremos à censura.

Felix Soibelman

20/08/2026

HÁ SIGILOS SAGRADOS COMO OS SIGILOS BANCÁRIO E FISCAL DOS MINISTROS E OUTROS QUE PODEM SER PROFANADOS POR ELES MESMOS, COMO O SIGILO DA FONTE. O SOFISMA DO UNIVERSO MAL CONCEBIDO. MORAES, A ORIGEM: A “PUERILIZAÇÃO” DO DIREITO NUMA SUPREMA CORTE GINASIANA.

Eles não podem ser investigados pela Receita Federal.

Eles não podem ser julgados pelo CNJ.

A quebra de seu sigilo bancário não pode ser autorizada senão por eles mesmos.

Tudo que os cerca tem 129 milhões de razões, que, é claro, deságuam sempre na defesa da democracia.

E Gilmar Mendes acaba de dizer, segundo o Globo, que “propostas eleitorais de impeachment de ministros do STF terão dificuldade de se tornarem realidade” (1).

A piada já nasceu pronta, na maquinação constante da blindagem que a jurisaristocracia exerce em causa própria.

Eis que a dificuldade que Mendes tem em mente é justamente aquela criada por ele mesmo na decisão de duas arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs 1.259 e 1.260), quando abusivamente suspendeu, por liminar, artigos da Lei do Impeachment (Lei 1.050), que sabe que será usada contra a ditadura que eles mesmos, do STF, implantaram.

E é claro, com um Senado renovado, dominado pela direita, essa dificuldade vai ser removida num piscar de olhos por uma providência legiferante, até o choque, em confronto direto entre os poderes, quando em total paroxismo dos sistemas que dirimem a si mesmos, o STF irá entrar no torvelinho paradoxal, descendente, pelo qual agirá como poder que precede a si mesmo para legitimar o próprio poder.

Mendes “descobriu” que a Lei do Impeachment não havia sido recepcionada pela Constituição 38 anos depois da sua promulgação e, que “coincidência”, justamente quando paira no ar a iminência de impeachment dele e de outros ministros com uma nova composição no Senado.

Entre os artigos que Gilmar suspendeu, está aquele que legitima o Congresso à propositura da ação de impeachment, assim como de qualquer um do povo, suprimindo a máxima de Lincoln de que o poder é exercido pelo povo e para o povo, para tentar limitar a sua propositura à PGR, sempre contando que terá uma servidão por parte do MP.

Por outro lado, ainda decidiu que o quórum não seria de maioria simples, mas de dois terços. Voltou atrás quanto à exclusividade da PGR, porém não sobre o quórum.

A pseudojustif**ação tem sempre a mesma genética abstrusa que há para todas as iniciativas de limitar os poderes do Judiciário, veiculadas por ele no seu calibre de péssimo argumentante, empanado na aparência de sofisticação que só engana os incautos ou desprovidos de embasamento.

Retirar do Congresso a legitimidade ativa da ação de impeachment é golpear duramente o sistema de freios e contrapesos, constituindo uma miopia constitucional de primeira ordem.

Mendes ainda tenta arrazoar essa alucinação jogando tal legitimidade no cardápio geral de solapamento e ataque às instituições, coringa desgastado que já não convence ninguém, nem mesmo os idiotas de costume. Tenta convencer que descortinar criticamente as ações ilícitas cometidas por eles, Ministros, não é justamente o contrário, ou seja, fortalecer as instituições contra a desvirtuação delas no exercício que eles mesmos fazem do poder. Logo, ele disse o de sempre:

“O impeachment infundado de ministros da Suprema Corte, portanto, se insere nesse contexto de enfraquecimento do Estado de Direito. Ao atacar a figura de um juiz da mais alta corte do país, a ponto de se buscar sua destituição, não se está apenas questionando a imparcialidade ou a conduta do magistrado, mas também minando a confiança pública nas próprias instituições que garantem a separação de poderes e a limitação do poder” (3).

Entendam: a avidez popular por destituí-los do poder seria sempre uma aleivosia demagógica, estabelecendo-se isso a priori com a leviandade intelectual mais desabrida, sempre dentro desse recipiente fácil de formulação.

Parece um mero papagaiar regurgitando o automatismo do epíteto vazio de sempre, a “defesa da democracia e das instituições”, um biombo tosco no qual o mundo, como dito, não acredita mais, diante de injustiças abissais que têm sido registradas desde que Trump começou a desmantelar a aparência vestal das Cortes judiciais das quais se apropriou a esquerda.

A diferença de quórum para com a cassação de membros dos outros poderes se justif**a porque estes foram eleitos, devendo-se resguardar muito mais a escolha popular do que a indicação de juízes por governos, radicando aí a razoabilidade do discrimen.

Pretender que o cidadão que postula o impeachment esteja “atacando” o Judiciário no lugar de se defender contra os excessos deste poder, quando as hipóteses legais de impeachment são taxativas e objetivas, não se cuidando de tipos legais abertos, é opor uma generalização pífia, subjetiva, no lugar do que ele, Mendes, não sabe construir em termos de convencimento.

Logo, o que vemos aqui é o receituário fácil no qual vai haurir o STF e, dentro dele, como não poderia deixar de ser, vem agora a mitigação do direito ao sigilo da fonte. Obedece ao mesmo diapasão de redução simplória pela qual alguém pensa que está falando uma grande coisa ao proferir, como Moraes, que “sigilo da fonte que é uma garantia essencial para defesa da democracia, e não um instrumento oculto para associações criminosas praticarem impunemente diversas infrações penais” e, ainda, que “há provas robustas de atividades criminosas neste caso. Não se pode confundir jornalismo investigativo e jornalista investigado” (4).

Segue a mesma linha dos trocadilhos e frases de efeito como a de Fachin sobre as eleições serem para “forças desarmadas e não forças armadas”. A voltagem das conceituações anda mesmo baixa na suprema altura...

A Polícia Federal acaba de dizer que não há prova alguma de crime cometido pelo jornalista (5), o que coloca Moraes na posição de mentiroso ao declarar que há “provas robustas”, porque a distância entre essa afirmação e aquela da PF é gritante, o que faz dessa oposição entre as duas assertivas não apenas uma mera nuance. Afinal, não haver provas e haver provas robustas são pacotes inconciliáveis.

Porém, a questão não é essa, mas sim a representada pelo sofisma do universo mal concebido. Só se elimina honestamente uma possibilidade ou justif**ação em razão de uma limitação necessária e não empregando uma razão artificiosa que desnatura o instituto. Moraes amputou do seu universo a ratio essencial do sigilo da fonte, que é: priorizar a publicidade de tudo que seja de interesse público, levando ao conhecimento geral tudo que seja relevante para a fiscalização da sociedade por ela mesma, servindo a imprensa como meio de sua realização.

Pouco importa se quem fornece a informação é um criminoso ou até está cometendo crime ao divulgar certos dados, ou ainda se ele se aproveita da imprensa para lograr objetivos ilícitos, como a morte de um rival no crime, em guerra de facções; essa triagem não pode se colocar entre o jornalista e a informação. Logo, se o criminoso informa que determinada autoridade está implicada no crime de tráfico tendo por escopo eliminar o concorrente, uma vez que poderá vir a ser morto por ordem da própria autoridade, para evitar confissões, essa notícia do envolvimento no crime pelo agente público tem de chegar à sociedade.

A desculpa de Moraes é juridicamente imberbe. Algo típico de sua platitude. Porém, é preciso contemplar as origens de Moraes, ou seja, olhar para aquilo que precedeu os despachos rasos onde desconstrói, em 4 ou 5 linhas, institutos que carreiam um lastro imenso de lutas históricas e signif**ação vital para a liberdade.

Ora, quando um bando de formuladores jejunos se une para manejar concepções jurídicas, fazendo delas tábula rasa, não pode acontecer outra coisa. O passo inaugural dessa sedição hermenêutica de quinta categoria foi a transformação do art. 43 do Regimento Interno do STF em substituto das repartições de competências constitucionais. A coisa foi tão despida dos escrúpulos inerentes à inteligência, aqueles que nos fariam normalmente experimentar vergonha pela aberração engenhada, que serviu como portal do poder absoluto, como veremos.

O citado artigo dispõe que os crimes cometidos nas dependências do STF, que só podem ser físicas, se praticados por pessoas sujeitas à jurisdição do tribunal, terão sua investigação presidida pelo presidente do STF e que, nos demais casos (aqueles cometidos por pessoas sem prerrogativa de foro), designará a autoridade competente; com facilidade desavergonhada, o artigo foi tão elasticamente deformado que os ministros se tornaram “extensões das dependências físicas do STF” e toda crítica passou a ser ataque à Corte; logo, a competência para julgamento teve como norte a condição da vítima (ser ministro o STF) e não aquela dos autores, como é próprio do direito processual penal.

O lugar do crime, em sendo cometido pela internet, passou a ser considerado a ambiência do tribunal, criando-se uma marota ubiquidade no seu sentido originário, a saber, não signif**ando apenas em dois lugares ao mesmo tempo, na forma que o direito penal designa o lugar do crime, que é definido tanto como o lugar onde ocorre a ação quanto aquele onde ocorre o resultado, mas uma ubiquidade no sentido de que, se o que estava na internet estava em todos os lugares, qualquer dos lugares teria condão de ser aquele do acontecimento em igual teor a todos os lugares do mundo, fazendo o todo presente no singular (semelhante ao conceito de homeomeria em Anaxágoras). Logo, o STF também poderia ser o lugar de ocorrência do crime. É claro que Toffoli ou Moraes não realizaram sequer o “dever de casa metafísico” de pensar isso, se é que sabem quem foi Anaxágoras (500 a.C.). Creio que Moraes seria capaz de ordenar que a Polícia Federal investigasse Anaxágoras...

Logo, o processo que precede Moraes é a “puerilização” do próprio sistema judiciário construída às expensas da Corte, uma Suprema Corte ginasiana que o fez sentir-se em casa para sair-se com essas.

Neste sentido, Moraes foi um “educando” da Casa, formado nessa escola de fragilidades adulterinas. Imagino-o chegando em casa e dizendo: “Vivi, nós podemos tudo, basta a fórmula! O pessoal do STF está me ensinando...”

Esse foi o modo pelo qual aqueles que quiserem questionar qualquer coisa sobre a Corte, como levantar suspeitas sobre inidoneidade dos ministros, viram-se “supliciados pela defesa da democracia”. Já para eles, os Ministros, a regra é o contrário: não ter regra nenhuma que não possa ser metamorfoseada no “estilo folhinha de calendário”.

A profanação do sigilo da fonte está nesse contexto. Já se o sigilo for o de suas contas bancárias, nem ouse pensar que eles, como agentes públicos, teriam o dever de serem os primeiros a se submeterem a todo exame cabível.

O que falar da suposta “vítima” Flávio Dino? Como eu disse noutro texto, foi divertido “vê-lo passando recibo de sua contrariedade por meio do desassossego desastrado” quando ainda era Ministro da Justiça. Dizia eu que “nesses momentos em que a nave se aquece e ele perde toda a noção de direção é que a coisa f**a mais engraçada, como quando, por exemplo, disse na reunião com representantes das redes sociais no Brasil que ‘o tempo de liberdade de expressão acabou no Brasil, foi sepultado’, ainda acrescendo que tal liberdade de expressão seria uma ‘falcatrua’” (1). E seguia o texto: “Posso imaginar a carta de perplexidade dos agentes das Big Techs com essa sem-cerimônia de ‘demônio soviético’ destrambelhada querendo cassar a liberdade, medida tão peculiar aos regimes distópicos e hediondos que sua ideologia comunista secunda. Se eu estivesse presente, não teria me contido e soltado uma gargalhada”. Deixo o leitor com essas reflexões.

Felix Soibelman

(1) https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/10-motivos-que-tornam-flavio-dino-um-risco-a-liberdade-de-expressao-no-brasil/?utm_id=97758_v0_s00_e0_tv2_a1demo0dy5epof&fbclid=IwY2xjawTzMkdwZG9mAWV4dG4DYWVtAjEwAGJyaWQRMUJmRHlPNEIzM0M2TmNYU3VzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeHV8fueQpRQmr2Tpb5A8PGO-p921e-_nu1pUFWHF72B1z6C06lcIyPdgw6eI_aem_rDnLzTdW_0Ub8kOhabcJRg

(2) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/19/gilmar-diz-que-propostas-eleitorais-de-impeachment-de-ministros-do-stf-terao-dificuldade-de-se-tornarem-realidade.ghtml

(3) https://conjur.com.br/2025-dez-03/gilmar-suspende-trechos-da-lei-de-impeachment-sobre-ministros-da-corte/

(4) https://horadopovo.com.br/nao-se-pode-confundir-jornalismo-investigativo-com-jornalista-investigado-diz-moraes/

(5) https://www.poder360.com.br/poder-justica/pf-diz-nao-ter-prova-de-que-jornalista-alvo-do-stf-tenha-cometido-crime/

A Força Delta errou...
16/08/2026

A Força Delta errou...

10/08/2026

Os EUA enviarão uma esquadra para cá? Prevejo que sim.

Não sei onde já vi esse filme de juiz....
07/08/2026

Não sei onde já vi esse filme de juiz....

06/08/2026

Coluna Poucas & Boas

O MUNDO JURÍDICO: A PERDA DO SENSO DO RIDÍCULO COMO ESPERMATOZÓIDE DAS DITADURAS

Para que entendam a quantas anda o nosso Direito, acreditem se quiserem, há muitos anos, conversava eu com um sujeito que foi coordenador do curso de Direito numa das universidades públicas mais renomadadas, possuindo ele dois doutorados, aprovado num dos concursos públicos mais difíceis, etc., e eis que no meio da conversa resolvi fazer um gracejo, que descrevo a seguir, que, para minha surpresa, ele levou a sério.

Disse eu que iria fazer uma tese de doutorado assim denominada: "O Direito à posse da laranja por quem toma laranjada em briga na feira".

Para mim era algo obviamente hilário. Imaginem , todo mundo tacando laranja ou ovos, um no outro, e alguém f**ar debulhando a classif**ação jurídica dos frutos arremessados, se quem tomou um ovo na cara tem direito ao omelete que se pode fazer com ele...

Não é que para minha surpresa o tipo começou a discorrer e refletir sobre o aspecto jurídico, para saber se o arremesso da laranja se caracterizava ou não como renúncia tácita à posse?

Bem, por aí já compreendemos como funciona o cógito jurídico no seu afazer ditatorial no Brasil, com Gilmar Mendes lubrif**ando as teses mais mirabolantes para justif**ar toda transgressão da Constituição, o que tem o Brasil enfastiado, ninguém engolindo mais tanta impertinência pomposa, como sempre digo, na "reengenharia do óbvio".

Isso tudo me faz pensar neste curioso caso em que a perda de senso do ridículo também pode ser o primeiro espermatozóide das ditaduras.

Felix Soibelman

05/08/2026

Coluna Poucas & Boas

Fala-se em invasão e temor de Lula de ser preso pelos EUA.

Em meio ao Julgamento de Nuremberg foi dito certa vez por uma autoridade americana que o exército dos EUA não tinha atravessado milhares de km para punir secretárias e estenógrafos.

Lula, com razão, teme tanto sua própria insignificância que a ideia de não ser preso pelos EUA chega a ser uma ofensa.

Os EUA não se movimentam por subalternos. A mira americana está no STF, no cabeça e no capataz encarregado do serviço de psicopatia funcional.

Felix Soibelman

05/08/2026

Coluna Poucas & Boas

Lemos que Faucci teve um "enfarte pulmonar" (coisa que eu nem conhecia) por causa da Covid, e o escondeu.

Pesquisando sobre o momento em que o STF descarrilou dos trilhos constitucionais para se tornar a vanguarda das ditaduras jurisaristocráticas vi que foi na época da Covid. As datas casam...

Então entendi o que houve...A Covid produziu na Corte um enfarte hermenêutico.

Felix Soibelman

Quem quiser comprar fala comigo.😉
29/07/2026

Quem quiser comprar fala comigo.😉

27/07/2026

SOBRE INTERVENÇÃO – SIM! – DOS EUA, NO BRASIL. O MOVIMENTO DA RECUSA DOS OBSERVADORRS AMERICANOS NAS ELEIÇÕES.
O Padrão Trump e o "nada vai acontecer" dos pseudodesenganados.

As ações de Trump seguem um padrão nada errático, diferentemente do que pensam as pessoas confundindo com hesitação o vaivém próprio das negociações que o presidente americano tenta

Primeiro avisa, depois abre espaço para a negociação, o vai e volta faz parte desse hábito, e, quando as coisas definitivamente não dão certo, de repente ele aparece com uma esquadra.

Quantas vezes, nestes anos torturantes, desde o Golpe de Estado desferido pelo STF, tive e continuo tendo de enfrentar pessoas que se comportam como desenganadas a partir de sua sapiência descrente, sempre a repetirem que "nada vai acontecer"; a reboque vinha a citação da longevidade das ditaduras comunistas.

Lembro de um tal Papini, bom articulista, advogado, dizendo que esquecêssemos, que Trump não iria fazer nada, que essa ditadura vem para f**ar. Poucos meses depois os vistos de vários Ministros do STF para os EUA eram revogados, tarifas foram impostas com menção clara às violações de direitos no Brasil e finalmente a Magnitsky foi aplicada, sendo revogada unicamente pela questão das terras raras. Foi o único momento em que vacilei, mas logo me recuperei.

E enquanto isso os velhos amigos continuavam afirmando que nada iria acontecer, tendo por conselheiros o elevador de seus edifícios, ou seja, bastava descerem ao térreo e verem na rua que a autoridade que se impôs ditatorialmente e seguia de pé, e de pronto o "nada vai acontecer" se reinstalava forte em suas mentes.

Muitos destes denomino como pseudodeseganados, para designar o sujeito que que ostenta um desengano apenas aparente, utilizando um pessimismo sistemático como estratégia para projetar experiência, lucidez ou superioridade intelectual, sem que esse pessimismo decorra de efetiva compreensão da realidade.
O pseudodesenganado refugia-se no pessimismo não porque conheça melhor a realidade, mas porque o pessimismo lhe empresta a aparência de quem a conhece.

Trump retornou com uma compreensão que despossuía no mandato anterior; ele foi derrubado pelo verdadeiro poder, que agora compreende que não tinha. Agora, extraordinariamente litiga com sucesso contra uma estrutura profunda, com anos de entranhamento da degradação ocidental no estômago dos EUA.

A demarcação da doutrina Donroe veio como uma moldura de ferro com um propósito de restauração que ainda deverá ser empreendido por muitos anos. Mas a fratura do eixo eurasiano bem como a capacidade de fisgar os filamentos por onde se sustenta a corrosão, mudaram o mundo num tempo antes impensável.

Falta, todavia, a abordagem das universidades, como incubadora que despeja todos os anos inimigos da sociedade americana que depois irão dividir o poder e a mídia.

Com menos de dois anos de governo o mundo ocidental se reorienta para seu próprio eixo civilizatório e Trump está conseguindo fazer a Europa acordar, bem como despertou a América Latina. A Europa já toma fortes medidas contra o avanço do islamismo e se rearma como sinalização de sua independência.

Já não se empenha facilmente o discurso antiocidental como fruto da consciência de culpa moral, tal e qual o Ocidente não houvesse edif**ado uma axiologia profunda, e do outro lado o oceano de sangue nunca houvesse fluído, agenciando as maiores barbaridades.

Porém, é impressionante a incapacidade do Brasil de se aperceber disso, ainda sendo ridiculamente capitaneado por dois sujeitos que nunca pensaram sobre o mundo para decidir sobre ele, como Gilmar Mendes e seu capataz Alexandre de Moraes. Um sujeito como Mendes, que não consegue diagnosticar a implicação dimensional do que diz elogiando o regime chinês ao mesmo tempo que demarcou-se no Brasil, até o advento de Bolsonaro, como garantista, é de uma desestrutura que causa riso.

É isso mesmo: temos um garantista, defensor do constitucionalismo, que se tornou um entusiasta do regime chinês, o fez do constitucionalismo a nova cápsula do totalitarismo. Os "capangas do Mato Grosso" dos quais falava Joaquim Barbosa terão participado da redação dos seus livros?

No entanto, o entorno que lhe segue, o "centrão", parece secundar a Corte. E o que é pior, parece que não se dá conta de que uma direção geopolítica americana, como visão de mundo, não será detida pela idiossincrasia política brasileira e a malemolência palaciana.

O meu diagnóstico é simples: como dito acima, Trump tem um padrão e quando esse padrão diplomático se revela impotente, ele de pronto aparece com uma esquadra. Ele não é como os outros presidentes americanos que, diante da recusa, limitam-se a aplicar sanções e se deixaram humilhar.

Trump mostra que o uso da força é a continuação da diplomacia fracassada, ou seja, ele lembra que os EUA não se tornaram poderosos militarmente para que essa capacidade f**asse apenas potencial. Ele a usa sem titubear.

Logo, vem a pergunta: se Alexandre, o mais obtuso desse jogo geopolítico, pensa que sua política amparada pelas forças armadas de investir nas prisões e "lawfare" seguirá, e que ao assumir a presidência do STF irá voltar ao protagonismo, isso prosperará contra os americanos deixando a China plantada aqui?

É fácil entrever as linhas dicotômicas deste jogo, bastando perguntar: a quem serve a liberdade de expressão? Resposta: aos regimes democráticos, no caso de Trump, como salvaguarda contra o avanço dos inimigos totalitários. É com a contestação livre que se os enfraquece; logo, democracia, para os americanos, sempre foi forma de projeção de poder.

Finalmente, respondendo à pergunta, eu penso que sim, os passos seguidos por Trump serão os mesmos que deu na Venezuela. Se teimarem na censura, se inviabilizarem a auditoria nas urnas ou aplicarem o novo golpe de Estado via lawfare, reprimindo as redes sociais, aprenderão a não serem burros, pois, rumará para cá, sim, uma esquadra americana.

Trump vai às últimas consequências e não será esse escrete terceiro-mundista, caudilhista, que vai fazer o contraponto de uma ordem de grandeza muito maior.

Trump acabou de ter uma vitória auspiciosa, dando mostras de sua vitalidade política, ao contrário do que a mídia quer que pensem, conseguindo aprovação de 94 bilhões de dólares para armamento, e ainda agradeceu aos políticos democratas que votaram para aprová-lo. Os EUA estão aos poucos esfregando os olhos após redespertarem e recuperando sua unidade em torno de temas fundamentais.

Felix Soibelman

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