18/09/2026
O termo de consentimento que f**a na recepção pode ser um problema para o médico.
Aquele documento genérico, com várias páginas, que o paciente recebe para assinar antes do procedimento, sem que os riscos específicos sejam efetivamente explicados, pode ter pouca utilidade quando surge um conflito.
Consentimento livre e esclarecido não é simplesmente uma assinatura.
O paciente precisa receber informações adequadas sobre o procedimento, seus benefícios, riscos relevantes, possíveis complicações, alternativas existentes e consequências da decisão, em linguagem compatível com sua compreensão.
E existe um ponto jurídico que muitos médicos esquecem: não basta afirmar que o paciente foi informado. É preciso ter condições de demonstrar que essa informação foi efetivamente prestada.
Um TCLE genérico, utilizado indistintamente para todos os pacientes e procedimentos, pode não retratar aquilo que realmente foi conversado durante a consulta.
E quando ocorre uma complicação, a discussão pode ultrapassar a questão técnica do procedimento.
Pode envolver alegação de falta de informação, violação da autonomia do paciente e ausência de consentimento adequadamente esclarecido.
O resultado pode ser uma demanda judicial, prejuízo financeiro, desgaste profissional e até repercussões perante os órgãos de fiscalização profissional.
Por isso, o TCLE deve ser individualizado, específico e coerente com o procedimento realizado, além de integrar uma estratégia documental mais ampla.
Não se trata de fazer o paciente assinar um papel.
Trata-se de documentar adequadamente uma relação médico-paciente baseada em informação, transparência e autonomia.
Médico, seu TCLE é realmente específico para o procedimento que você realiza ou é apenas um formulário genérico da recepção?
Se você tem dúvidas sobre a documentação utilizada na sua prática, busque orientação jurídica especializada em Direito Médico.