Taquara em Foco

Taquara em Foco "Taquara em Foco": Um blog de opinião sobre política local, cultura e direito.

Site de opinião que nasce de uma ampliação do temática do site "JuridiQuê?" que tinha uma abordagem mais simples das questões jurídicas cotidianas. Nosso principal objetivo continua sendo tentar esclarecer questões jurídicas, incluído questões políticas, sempre que houver necessidade dentro do debate nacional e, especialmente, regional (Vale do Paranhana e RS). As ideias aqui lançadas não têm o ob

jetivo de ser a "última palavra", mas uma delas. O foco é auxiliar a comunidade a entender as decisões judiciais e fatos jurídicos / políticos e suas consequências, tendo um olhar voltado ao Estado Democrático e de Direito.

​Cada integrante se responsabiliza pelos conteúdos de seus textos.

Por que a Prefeitura prefere o "caminho do apoio direto" ao invés do edital?Ontem publiquei sobre a necessidade de edita...
16/04/2026

Por que a Prefeitura prefere o "caminho do apoio direto" ao invés do edital?
Ontem publiquei sobre a necessidade de editais para auxílios culturais em Taquara. O texto gerou uma conversa importante com Rafael Tourinho, ex-diretor de Cultura do município, que me alertou para algo que desconhecia: Taquara já tem uma lei que institui exatamente o sistema que defendi.

Trata-se da Lei 6.904/2023, sancionada em dezembro de 2023, que cria um sistema de patrocínios culturais via editais públicos, com critérios técnicos, comissão avaliadora e prestação de contas rigorosa.
Rafael, que conhece bem a máquina pública municipal, sempre defendeu esse modelo. E eu fiquei me perguntando: se a lei existe, por que vemos rotineiramente projetos de Lei como o de auxílio ao Piquete Vaqueanos? Por que Taquara não usa o sistema de Editais, que é muito mais transparente?

A Lei 6.904/2023 prevê edital de chamamento público com critérios de julgamento objetivos, incluindo mérito cultural, viabilidade técnico-financeira, contribuição para o desenvolvimento social e democratização do acesso à cultura. A comissão avaliadora é formada por técnicos, não por indicados políticos. A prestação de contas deve ocorrer em 45 dias, com documentação comprobatória rigorosa — notas fiscais, registros fotográficos, publicações.
Ou seja: a lei já responde a todas as preocupações que levantei. O problema é que ela não está sendo usada.

Projetos como o PL 026/2026 seguem outro caminho: uma entidade específ**a é indicada, o valor é fixado diretamente no texto da lei, e a aprovação passa pela articulação política com vereadores. Não há concorrência, não há seleção pública, não há critérios técnicos de pontuação. Isso é proposital como tática política ou é “o que dá para fazer”?
Não estou dizendo que há má-fé. Mas é possível observar que o modelo do projeto de lei oferece mais oportunidades de visibilidade política direta do que o edital. A entidade precisa ir à Prefeitura, conversar com vereadores, articular a tramitação, tirar fotos, agradecer publicamente. O edital, por ser técnico e impessoal, não gera esse mesmo tipo de relacionamento político personalizado.

Reforço: não questiono a importância do Piquete Vaqueanos ou de qualquer outra entidade cultural de Taquara. O que questiono é a lógica institucional.
Quando a Prefeitura ignora uma lei que ela mesma sancionou para criar um caminho paralelo, ela está escolhendo conveniência política em vez de previsibilidade institucional. E essa escolha tem custos para todos.

Para as entidades, signif**a f**ar dependentes de acesso político em vez de mérito cultural. Para os vereadores, é perder tempo com projetos pontuais em vez de debater políticas estruturais. Para a cidade, é perder a chance de ter um calendário cultural planejado, transparente e acessível a todos.

A Lei 6.904/2023 foi sancionada há pouco mais de dois anos. Ela foi aprovada por esta mesma Câmara. Por que não está sendo cumprida?
Cabe aos vereadores cobrar que a Prefeitura utilize o instrumento legal existente. Não é razoável que o Legislativo aprove leis que modernizam a gestão pública e, em seguida, acabe discutindo projetos isolados que ignoram essas mesmas leis.
A próxima vez que um projeto de auxílio cultural chegar à Câmara, a pergunta que deve ser feita é simples: por que não foi usado o edital previsto na Lei 6.904/2023?

Mais uma vez a Prefeitura a encaminhou projeto de apoio financeiro a uma entidade tradicionalista. O Piquete Vaqueanos d...
15/04/2026

Mais uma vez a Prefeitura a encaminhou projeto de apoio financeiro a uma entidade tradicionalista. O Piquete Vaqueanos da Tradição vai receber até R$ 2.000,00 para participar do 37º Entrevero Cultural de Peões do Rio Grande do Sul, em Santa Maria.

O problema é como esse (e outros) apoio é concedido, não com a entidade ou evento. E esse é um tema que já venho tratando por aqui.
Há falhas estruturais nesse sistema de projeto de lei para cada entidade, e elas prejudicam tanto o Legislativo quanto a comunidade:

1. Perda de tempo parlamentar
Cada projeto consome tempo de análise, discussão e votação na Câmara. Vejo vereadores que poderiam estar debatendo políticas públicas estruturantes dedicando sessões inteiras a autorizações pontuais de valores relativamente pequenos.
2. Falta de transparência orçamentária
Não se consegue mensurar quanto o município destina anualmente a esses auxílios. Os recursos são aprovados de forma fragmentada, projeto por projeto, sem que eu (ou qualquer cidadão) consiga ter uma visão do impacto agregado dessas despesas.
3. O risco da discricionariedade
Quando não há regras claras e públicas para acesso aos recursos, surge em mim — e acredito que em muitos de vocês — uma desconfiança legítima: será que apenas entidades próximas ao Executivo ou a determinados vereadores conseguem viabilizar seus projetos? Fico pensando em quantas entidades relevantes f**am de fora simplesmente porque não têm acesso político.

Essas reflexões apareceram ontem. Os vereadores Gustavo Luz (PP) e Fabi Reinaldo (Republicanos) também levantaram críticas ao modelo durante a sessão. Infelizmente, não houve um debate mais aprofundado sobre a questão estrutural. Os vereadores favoráveis ao projeto acabaram ressaltando a importância da entidade e do evento — o que ninguém contesta —, mas não responderam ao mérito da crítica: a necessidade de mudar o sistema como um todo.

Além disso, também foi mencionado durante a discussão um parecer do IGAM (Instituto Gaúcho de Auditoria Municipal) apontando a ilegalidade do repasse por se tratar de ano eleitoral. Talvez seja tema para outro post.

Já comentei por aqui, e reforço: a Prefeitura de Taquara deveria lançar editais por ano (ou por semestre) estabelecendo:
- Valor total disponível para o período, dividido entre cultura e esporte.
- Critérios objetivos de seleção (relevância cultural/esportiva, número de pessoas atingidas, histórico da entidade, etc.)
- Criação de uma “banca” para avaliação, evitando o favorecimento de um em detrimento de outros.
- Prazos e requisitos claros para inscrição e prestação de contas.
- Divulgação ampla nos meios oficiais e comunitários.
Transparência, igualdade de acesso, eficiência, planejamento.
Para que o sistema funcione plenamente, gostaria de ver a Prefeitura publicando anualmente:
- Valor total aprovado para editais de cultura e esporte
- Número de entidades inscritas e contempladas
- Ranking das entidades mais beneficiadas ao longo dos anos

Isso permitiria a mim e a todos os cidadãos identif**ar se há concentração de recursos em poucos grupos ou se o acesso está sendo democrático.
Precisamos ver Taquara deixar para trás o modelo caseiro de auxílios pontuais e adotar um sistema institucionalizado, transparente e igualitário. E vejo a Câmara de Vereadores com papel fundamental nessa mudança: pode instituir, por lei, a obrigatoriedade de editais para esse tipo de repasse, garantindo que o dinheiro público seja distribuído com critérios técnicos e não políticos.

Nas últimas semanas, uma onda de desinformação invadiu as redes sociais. Grupos organizados disseminam pânico sobre a su...
27/03/2026

Nas últimas semanas, uma onda de desinformação invadiu as redes sociais. Grupos organizados disseminam pânico sobre a suposta "aprovação de uma lei que prende quem divulgar informação verdadeira". O alvo: o PL 896/2023, que criminaliza a misoginia. O problema: tudo isso é mentira. E não é ignorância. É método.

A tática é velha e conhecida: pegar um projeto arquivado, ignorar que foi retirado da pauta, e vendê-lo como se tivesse sido aprovado. Funciona assim: pega-se o texto do PL de 2024 da senadora Ana Paula Lobato — que continha o polêmico artigo sobre "informações verdadeiras associadas a estereótipos" — e esconde-se o fato de que esse projeto nunca chegou a votação. Foi arquivado. Abandonado. Enterrado.
No lugar dele, o Senado aprovou em 24 de março o PL 896/2023, com redação completamente diferente. O texto aprovado altera a Lei do Racismo (7.716/1989) para incluir a misoginia como crime de discriminação. Pune quem incita ódio ou aversão às mulheres.

Não fala em "desinformação". Não fala em "estereótipos". Não fala em prender jornalista. Pune conduta, não conteúdo informativo.

A diferença é juridicamente enorme. A primeira versão (arquivada) punia a difusão de fatos — o que seria inconstitucional. A versão aprovada pune a incitação ao preconceito — o que já acontece com o racismo há 37 anos, sem nenhum "apocalipse da liberdade de expressão".

Então por que a mentira persiste? Porque funciona. Gera engajamento. Alimenta o discurso de perseguição. Transforma uma proteção às mulheres em "ditadura do politicamente correto". E quem espalha sabe exatamente o que faz. Não é possível acreditar que desconhecem a diferença entre um projeto arquivado e outro aprovado. Não é possível acreditar que não leram os textos. É calculado.

O resultado é o esperado: deputados já anunciam que vão "mudar" na Câmara o que não existe. Influenciadores ganham seguidores com medo de um fantasma. E o debate real — sobre 4 mulheres assassinadas por dia em crimes de feminicídio — some sob a gritaria artificial.

O PL aprovado até pode não ser perfeito. Pode ser melhorado na Câmara. Mas precisamos discutir o que existe, não o que inventaram. A desonestidade intelectual de quem confunde projetos de propósito não é erro de interpretação. É obstrução deliberada.

A misoginia não é opinião. É estrutura de ódio que mata. E quem tenta confundir isso com "censura" sabe exatamente de que lado está.

25/03/2026

A sessão da Câmara de ontem trouxe decisões importantes — e que dizem muito sobre as prioridades do município.

De um lado, um avanço: foi aprovado o projeto que obriga a divulgação detalhada das emendas parlamentares no Portal da Transparência. Agora, a população poderá acompanhar quem indicou o recurso, para onde ele foi destinado, em que fase está e se aquilo que foi prometido está, de fato, sendo executado.
Mais transparência signif**a mais controle social — e isso é sempre positivo.

De outro lado, o reajuste dos servidores públicos: aprovado em 3,81%, com base na inflação. Até aí, dentro do esperado.

Mas houve uma tentativa de retirar os cargos políticos desse reajuste — proposta que foi rejeitada pela maioria.

E, mais uma vez, os professores f**aram em segundo plano.

Enquanto o piso nacional do magistério foi reajustado para cerca de R$ 5,1 mil em 2026, o município optou por aplicar apenas o reajuste linear, sem qualquer diferenciação para a categoria.

Uma escolha política.

Num contexto em que professores enfrentam sobrecarga, desgaste e desafios cada vez maiores, a falta de valorização concreta não pode ser tratada como algo normal.

Avançamos na transparência — o que é importante.

Mas seguimos devendo no reconhecimento de quem sustenta a base da educação.

E isso também precisa ser dito.

A Prefeitura de Taquara encaminhou à Câmara Municipal, em março deste ano, o Projeto de Lei Ordinária Executivo nº 019/2...
24/03/2026

A Prefeitura de Taquara encaminhou à Câmara Municipal, em março deste ano, o Projeto de Lei Ordinária Executivo nº 019/2026. O texto institui a obrigatoriedade de tratamento de esgotamento sanitário individual em todo o município — área urbana ou rural — onde não houver rede pública. À primeira vista, trata-se de uma medida ambientalmente correta e alinhada às diretrizes da saúde pública. Mas uma análise mais atenta, especialmente quando cruzada com o Projeto de Lei nº 165/2025 (que trata da adesão ao Plano Regional de Água e Esgoto da CORSAN), revela algo preocupante: a possibilidade de transferência para o cidadão do custo e a responsabilidade por um serviço que é, constitucionalmente, dever do Estado.

Há poucos dias, já alertei sobre os riscos do PL 165/2025, que autoriza a adesão de Taquara ao Plano Regional de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (PRAE) da CORSAN. Naquela ocasião, levantei questionamentos sobre a pressa em aprovar um projeto estrutural sem transparência suficiente sobre metas específ**as, cronogramas de investimento e mecanismos de fiscalização municipal. Agora, o PL 019/2026 parece ser uma peça complementar desse quebra-cabeça — e não exatamente de forma benéf**a ao cidadão.

O PRAE estabelece metas de universalização até 2033: 99% de cobertura de água e 90% de esgoto. Mas o plano é seletivo. A CORSAN, gestora regional do sistema, naturalmente direcionará investimentos para áreas economicamente viáveis — centro urbano denso, loteamentos consolidados, regiões de maior renda. E as periferias? As zonas rurais? Os novos loteamentos em áreas de expansão? É aí que entra o PL 019/2026, com sua obrigatoriedade de "soluções individuais".

Atenção ao argumento técnico: onde não há rede, o cidadão deve ter sistema individual. Parece lógico. Mas há três problemas graves nessa abordagem:

Primeiro: a cronologia invertida. O projeto de lei não estabelece prazo de transição para casas existentes, nem vincula a obrigatoriedade à existência de programa de apoio técnico ou financeiro. O cidadão deverá arcar com custos que podem variar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil (ou mais) imediatamente após a publicação da lei, sem qualquer amparo público. É o famoso "te vira aí!".

Segundo: a omissão estratégica. Ao criar uma base legal robusta para sistemas individuais, o município está, na prática, autorizando a CORSAN a não levar rede para áreas de menor densidade ou renda. O PL 019/2026 funciona como um "checklist" de desculpas: se o cidadão tem fossa e sumidouro, a meta de universalização está cumprida — mesmo que ele tenha pago do próprio bolso.

Terceiro: a fragmentação da responsabilidade. O PRAE delega à CORSAN a gestão regional, mas mantém a Prefeitura como titular do serviço. O PL 019/2026 cria uma obrigação municipal paralela. Resultado: quando o sistema de rede falhar, a culpa é da CORSAN; quando o sistema individual falhar, a culpa é do cidadão. E a Prefeitura? F**a com a fiscalização, sem assumir de fato nem de direito a universalização do serviço.

Poderia levantar outras incongruências (que um leigo ao “bater o olho”, vê). Mas uma das questões mais graves que observo é que o PL 019/2026 não menciona, em nenhum artigo, o PRAE. Não estabelece como os dois planos se articulam, não define zonas de atuação, não cria comissão de acompanhamento. São dois projetos que deveriam conversar, mas que parecem ter sido elaborados em silos separados — ou pior, de forma intencionalmente descoordenada para dificultar o controle público?

Estamos diante de uma decisão que moldará o desenvolvimento de Taquara pelas próximas décadas. Se aprovados sem emendas substanciais, o PL 165/2025 e o PL 019/2026 criarão um modelo híbrido de saneamento onde:

- A CORSAN f**a com as áreas rentáveis (rede pública)
- O cidadão f**a com as áreas não rentáveis (soluções individuais de custo próprio)
- A Prefeitura mantém a titularidade formal, mas transfere a responsabilidade efetiva
- As metas de universalização são cumpridas estatisticamente, não efetivamente

Propostas para o debate

Os vereadores de Taquara têm a obrigação de não reduzir seu papel a mero "carimbo" do Executivo, como rotineiramente vemos a base governista fazer. Seria interessante que o debate passasse por alguns pontos:

Vinculação do PL 019/2026 ao PRAE, estabelecendo que soluções individuais só são exigíveis após comprovação de inviabilidade técnica de rede pública, com prazo e investimento definidos;
Criação de programa municipal de apoio técnico e financeiro, com subsídios para famílias de baixa renda e orientação gratuita para projetos;
Estabelecimento de prazo de transição (mínimo 24 meses) para casas existentes, com cadastro municipal prévio;
Definição de zoneamento, indicando quais áreas serão atendidas por rede (com cronograma CORSAN) e quais f**arão com soluções individuais;

O PL 019/2026, na forma atual, parece mais um instrumento de transferência de responsabilidade do que uma política pública integrada. Se aprovado sem os devidos ajustes, Taquara terá uma lei rigorosa para o cidadão e uma permissividade conveniente para o poder público e a concessionária.

Por Diogo Corrêa

Nos últimos dias, os feeds das redes sociais taquarenses têm sido tomados por uma mesma queixa: a água da Corsan está co...
23/03/2026

Nos últimos dias, os feeds das redes sociais taquarenses têm sido tomados por uma mesma queixa: a água da Corsan está com gosto, cheiro ou cor estranhos. Moradores de diferentes bairros — do centro aos mais periféricos — relatam situações que vão desde o incômodo estético até a preocupação com a própria saúde.

Não é a primeira vez que isso acontece. Consultando registros recentes, percebemos que episódios similares se repetem com certa frequência, especialmente após interrupções no abastecimento ou em períodos de chuva intensa. O que muda, desta vez, é o volume de manifestações.

A Corsan, em sua comunicação institucional, explica que alterações no gosto, cor ou cheiro da água podem ocorrer por diversos fatores: manutenção na rede, rompimento de tubulações, ou simplesmente o retorno do abastecimento após uma parada. A orientação padrão é deixar a to****ra aberta por alguns minutos até que a água "limpa" retorne.

Tecnicamente, isso faz sentido. Mas há um limite entre o explicável e o aceitável. Quando o problema se arrasta por dias, quando moradores relatam mal estar, quando famílias são obrigadas a comprar água mineral para ter segurança — aí a questão deixa de ser meramente técnica e se torna política.

Em uma situação como esta, seria importante que o poder público municipal se posicionasse. Não necessariamente para apontar culpados, mas para informar e mediar. A população precisa saber se há fiscalização ativa, se as análises laboratoriais estão sendo feitas, se há registro de contaminação ou se tudo está dentro dos padrões legais.

O silêncio, nesses casos, é muito ruim. Ele amplia a desconfiança. Faz com que boatos se multipliquem. E, pior, deixa o cidadão sozinho diante de uma concessionária de saneamento — uma desigualdade gritante de poder.

A comunicação pública em saúde é, ela mesma, uma forma de cuidado. Quando a Vigilância Sanitária se manifesta, mesmo que para dizer "estamos investigando", ela reconhece a legitimidade das preocupações da população.

Em um município onde parte da população já enfrenta desafios de abastecimento regular — conforme aponta o próprio Plano de Saneamento da Corsan, que lista bairros críticos — a qualidade da água que chega não pode ser variável.

Quando muitas pessoas sentem o mesmo problema, é sinal de que algo na cadeia de comunicação — ou na própria água — falhou.

Até o momento desta publicação, não encontramos posicionamento oficial da Prefeitura sobre o tema.

19/03/2026

Emenda parlamentar não é troféu político — é recurso público. 💰

É preciso reconhecer: a lógica da disputa por emendas se espalhou por todo o espectro político. Parlamentares de esquerda, direita e centro passaram a operar dentro desse mesmo sistema, muitas vezes pressionados pela própria dinâmica institucional e pela expectativa de “entregar resultados” imediatos aos seus territórios.

O problema é que essa prática, quando vira instrumento de autopromoção, distorce o debate público e pode desorganizar o planejamento do município. Recursos passam a ser definidos por articulações políticas pontuais, e não necessariamente pelas prioridades técnicas e estratégicas do Executivo. O resultado pode ser fragmentação de políticas públicas, obras desconectadas entre si e um orçamento cada vez mais pressionado.

Além disso, o modelo de captação de emendas pode favorecer práticas clientelistas e abre brechas para desvios e corrupção — algo que já aparece em investigações e condenações recentes. ⚠️

Isso não signif**a ignorar que, no sistema atual, deixar de disputar emendas pode signif**ar perder investimentos importantes para a população. Mas justamente por isso é urgente ampliar o debate sobre esse modelo. A sedução do poder político associado às emendas não pode substituir a construção de um projeto coletivo de desenvolvimento. 🏛️

Mais do que celebrar quem “traz recursos”, precisamos discutir como o dinheiro público é planejado, distribuído e controlado.

18/03/2026

O questionamento da vereadora Magali (União Brasil) é muito pertinente. Taquara sediou a apresentação de um relatório e um debate sobre o feminicídio — um tema urgente, que exige responsabilidade pública e compromisso institucional. Ainda que tenha lotado a câmara, ausências importantes foram sentidas. Ausência da prefeita Sirlei. Ausência de secretários e secretárias. Ausência de quem tem poder para agir.

A justif**ativa por esse esvaziamento pela presença de uma parlamentar com trajetória reconhecida na defesa dos direitos das mulheres, Maria do Rosário (PT), é reduzir uma pauta de vida ou morte a uma disputa ideológica mesquinha. Feminicídio é uma realidade brutal que exige atenção de todos, seriedade e ação concreta.

Também é impossível ignorar a baixa presença de vereadores homens. Apenas um entre 10! São eles, em grande medida, que precisam ocupar esses espaços para ouvir, aprender e assumir responsabilidades. Combater a violência contra as mulheres não é um gesto simbólico — é uma obrigação ética e política.

Quando autoridades escolhem não estar presentes, o recado que f**a é claro: a vida das mulheres segue sendo tratada como secundária. E isso não pode ser normalizado.

18/03/2026

A condenação de Josimar Maranhãozinho (6 anos e 5 meses), Pastor Gil (5 anos e 6 meses) e João Bosco (5 anos) revela um esquema sofisticado:

O "imposto" da corrupção: 25% do valor das emendas era desviado sistematicamente
A organização: Divisão de tarefas entre deputados, intermediários e prefeitos
O mais grave: o STF afastou a acusação de organização criminosa por falta de provas, mas manteve a condenação por corrupção — sugerindo que o esquema pode ser ainda mais difuso do que o processo conseguiu demonstrar.

Os Males das Emendas Parlamentares: Uma Análise Estrutural
1. Personalização do Orçamento vs. Interesse Público
As emendas transformam o orçamento público em moeda de troca política. Em vez de recursos serem alocados por critérios técnicos (necessidade da população, viabilidade, impacto social), são distribuídos segundo o poder de barganha de cada parlamentar.
O resultado: Municípios com deputados mais "influentes" (ou mais corruptos) recebem recursos; regiões que realmente precisam, mas têm representação fraca, f**am à margem.
2. A Captura do Executivo pelo Legislativo
Em tese, o Legislativo fiscaliza o Executivo. Na prática das emendas, ocorre o inverso: deputados e senadores usam o orçamento para controlar prefeitos e governadores. O caso do Maranhão é exemplar — os deputados impuseram condições criminosas ao prefeito para liberar recursos que já eram públicos.
Isso cria uma hierarquia de poder paralela, onde o parlamentar se torna "dono" de verbas que deveriam ser administradas tecnicamente.
3. Sobrepreco em obras: Empresas que pagam propina precisam compensar nos preços
Obras inacabadas: Projetos mal planejados (para atender pressa política) geram abandonos
Desvio de finalidade: Recursos para saúde/educação viram asfalto em estradas sem demanda, apenas para gerar visibilidade eleitoral
4. A Perversão da Representação Democrática
Deputados deveriam representar interesses sociais. Com as emendas, representam interesses próprios de financiamento político:
Empresários de construção civil financiam campanhas em troca de emendas direcionadas
Prefeitos viram "clientes" que precisam pagar para ter acesso a recursos públicos
O voto do cidadão é desvalorizado — o que importa é o "tráfico de influência" no Congresso
5. A Impunidade Estrutural
Observe os detalhes da sentença:
Regime semiaberto: Apesar de milhões desviados, os condenados não irão para prisão fechada inicialmente
Mandatos preservados: O STF deixou para a Câmara decidir sobre a cassação — sabidamente um órgão refratário a punir colegas
Inelegibilidade: Pena branda para crimes que destruíram serviços públicos
Isso demonstra que o sistema tolera a corrupção via emendas como "crime de colarinho branco" menos grave — quando, na prática, rouba diretamente da saúde e educação da população.

O Contexto Mais Amplo: Emendas sob Bolsonaro
Este caso do PL não é isolado. Durante o governo Bolsonaro, as chamadas "emendas do relator" (sem identif**ação de autor) explodiram, alcançando R$ 19 bilhões em 2022. O mecanismo permitiu que o governo federal comprasse apoio parlamentar sem transparência, enquanto deputados individuais mantinham esquemas locais como o do Maranhão.

A lógica é a mesma: emendas são instrumento de poder, não de política pública.

16/03/2026

Quem olha o preço dos combustíveis, já pensa: "É a guerra no Oriente Médio, não tem jeito." Só que parte dessa alta poderia ter sido evitada — se o Brasil não tivesse vendido justamente as empresas que nos protegiam nessas horas.

O problema trazido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é apenas uma parte do estrago feito pela privatização BR Distribuidora (atual Vibra) durante o governo Bolsonaro.

Antes de ser privatizada em 2019, funcionava como um termômetro regulador do mercado. Quando a estatal mantinha preços mais baixos em suas bombas, as distribuidoras privadas — BR Mania, Ipiranga, Shell — eram forçadas a acompanhar, sob risco de perder mercado. Hoje, com a BR nas mãos da Petrobras (mas impedida de voltar ao mercado de distribuição até 2029 por cláusulas contratuais) , esse mecanismo deixou de existir.

Resultado: as distribuidoras privadas agora fazem o que querem. Subiram o preço junto com a guerra no Oriente Médio? Subiram. Mas quando o petróleo baixou no passado, demoraram para repassar a queda. É o famoso: sobe rápido, desce devagar.
Não parou na BR. O governo Bolsonaro vendeu refinarias grandes — como a de Mataripe (Bahia), Abreu e Lima (Pernambuco) e a do Paraná.

O Brasil produz petróleo, mas não consegue transformar tudo em gasolina e diesel. Precisamos importar parte desses derivados. Quando você vende refinarias, você depende mais do exterior — justamente quando o mundo está em guerra e os preços lá fora explodem.
O governo Lula teve que correr atrás do prejuízo com desconto de impostos — o que ajuda, mas é um remédio emergencial. O certo era não ter vendido o hospital para depois precisar pagar o plano de saúde caro.

“Privatiza que melhora”. Para quem??? Para os donos das empresas privatizadas, com certeza. Para você, que abastece o carro e que vai pagar tudo mais caro depois com os custos elevados de produção e transporte?

A plataforma do candidato ao governo do RS de Onyx Lorenzoni em 2022 previa exatamente o mesmo tipo de privatização das ...
12/03/2026

A plataforma do candidato ao governo do RS de Onyx Lorenzoni em 2022 previa exatamente o mesmo tipo de privatização das rodovias que Leite agora tenta implementar. Ambos compartilham a mesma matriz ideológica: o Estado mínimo, a "parceria" com a iniciativa privada, a transformação de direitos em mercadorias. A diferença é que Leite tem melhor marketing.

Mesmo assim, nos comentários do meu último texto sobre os pedágios, uma retórica preguiçosa tem aparecido com frequência: "Faz o L", "Eu não votei nele", "Vocês votaram nele, agora aguentem". A falsa lógica sugere que a mobilização contra os pedágios seria uma consequência direta de quem venceu as eleições de 2022 no Rio Grande do Sul.
Errado: Eduardo Leite e Onyx Lorenzoni fazem parte do mesmo campo político!

Em 2018, Eduardo Leite declarou abertamente seu apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. "A volta do PT parecia um mal maior", justificou ele posteriormente, admitindo que "menosprezou a capacidade de fazer o mal do Bolsonaro" . O governador que hoje tenta se vender como "terceira via" foi, de fato, eleito com o apoio explícito do bolsonarismo em seu primeiro mandato.

Em 2022, Leite manteve neutralidade estratégica entre Lula e Bolsonaro, mas nunca rompeu de fato com a direita. Hoje, ele se coloca como alternativa aos dois, mas sua crítica a Bolsonaro é, no máximo, instrumental: recentemente afirmou que o "grande legado" do ex-presidente foi justamente "trazer Lula de volta" — uma forma de dizer que, para ele, ambos são igualmente indesejáveis .

Quando o governador diz que "não há outra solução" para as estradas senão os pedágios, está repetindo o mesmo mantra neoliberal que Onyx defenderia se estivesse no Palácio Piratini. Quando injeta R$ 1,5 bilhão do Funrigs (dinheiro federal de reconstrução pós-enchente) nas concessões privadas, está aplicando à risca a receita que qualquer governo de direita seguiria.

A CPI dos Pedágios, presidida pelo PT, é hoje a principal resistência a esse projeto — não por acaso, um partido que nunca teve o apoio de Leite e que é sistematicamente atacado por ele. Enquanto isso, o governo tenta vender dois centavos de desconto na tarifa como "diálogo com a sociedade".

Não se trata de "fazer o L". Aquela eleição não tinha outra saída para os gaúchos. O projeto de privatização das estradas gaúchas era o plano de ambos. Leite e Onyx unidos no mesmo compromisso: entregar o patrimônio público para a iniciativa privada, transformar nosso direito de ir e vir em lucro de concessionária.

Aqueles que acham que Onyx faria diferente estão enganados. Redondamente.

Diogo Corrêa

Na sessão do dia 10 de março, zeladores de escolas municipais ocupam a galeria da Câmara de Taquara para cobrar salários...
11/03/2026

Na sessão do dia 10 de março, zeladores de escolas municipais ocupam a galeria da Câmara de Taquara para cobrar salários atrasados. Estão sem receber. Estão sem respostas. E, o pior: estão sem trabalho — 33 deles foram dispensados ontem, deixando as escolas desprotegidas por 10 dias.

A oposição — Gustavo Luz (PP), Fabi Reinaldo (Republicanos), Mônica Facio (PT) e Magali (União Brasil) — tenta há meses alertar sobre a empresa Otimiza. Desde maio do ano passado, denunciaram contratos mal feitos, ausência de licitação, falta de seguro para trabalhadores. Nada foi feito.

A base governista — 11 vereadores — tem a maioria para aprovar qualquer medida. Mas quando precisam explicar por que não agiram antes, oferecem apenas silêncio constrangedor ou, no caso do vereador Lisandro (MDB), um pedido de "respeito às escolhas políticas".

O caso dos zeladores é a continuidade lógica do que já abordei aqui sobre as merendeiras. A Prefeitura paga a empresa em dia. No papel, está tudo "regular". Mas os recursos foram bloqueados pela Justiça para pagar outras dívidas trabalhistas da mesma empresa — as serventes, também prejudicadas.
O resultado? Quem trabalhou não recebe. Quem fiscalizou? Ninguém!

A histórica alegação do movimento sindical de trabalhadores se confirma: A terceirização não é apenas precarização — é fragmentação da responsabilidade. A Prefeitura diz: "pagamos a empresa". A empresa diz: "a Justiça bloqueou". Os vereadores governistas dizem: "tomara que dê certo". E o trabalhador? F**a no limbo, sem salário, sem vínculo, sem proteção.

O momento mais revelador da sessão foi a fala do vereador Lisandro. Confrontado por Gustavo Luz sobre sua mudança de posição — antes queria investigar, agora defende o governo — não apresentou uma justif**ativa factual. Não explicou por que não apoiou a investigação em 2025. Não detalhou o que fez para evitar a crise.
Pediu apenas "respeito às escolhas políticas". Como se "escolha política" fosse sinônimo de isenção de explicação. Como se ser base governista signif**asse nunca precisar prestar contas. O vereador se sentiu "envergonhado" pelo tom da oposição, mas não foi convincente nas explicações.

A fala de Gustavo Luz ilustra o problema: "Desde maio do ano passado eu venho dizendo... vocês não têm culpa que a Otimiza fez contratos fraudulentos". Fabi Reinaldo completou: "Não é por falta de aviso, não é por falta de cobrança".

A oposição em Taquara previu o desastre, gritou, foi ignorada, e depois assistiu a tragédia se concretizar. Quando Mônica Facio pede "mais dispositivos legais nos editais" e Magali provoca o governo para "estudar alguma forma" de pagar os trabalhadores, estão fazendo o trabalho que a maioria, pelo menos publicamente, se recusa a fazer.

Mas são apenas quatro. E quatro não aprovam lei e não rompem contratos.

A nova empresa, Radar, deve assumir dia 21. Os zeladores, se tiverem sorte, serão "absorvidos". Guido Mário diz que é "idônea".

Fabi Reinaldo alertou para os 10 dias sem segurança nas escolas. Menciona "tanta barbaridade acontecendo nas escolas", especialmente no bairro Empresa. A preocupação não é retórica — é concreta. Enquanto isso, o líder de governo promete "conversar com o Executivo".

Acho que já passamos da fase da conversa. Temos 11 vereadores da base para exigir que a Prefeitura apresente uma solução imediata. Não acha?

No post anterior, escrevi que a terceirização separa o serviço da pessoa. Em Taquara, vemos algo pior: ela separa o poder da responsabilidade. A maioria governista tem votos para aprovar qualquer contrato, mas quando o contrato desmorona, desaparece.
A pergunta que f**a: se quatro vereadores conseguiram prever o problema, por que onze não conseguiram evitá-lo?

Diogo Corrêa
Taquara em Foco

Endereço

Taquara, RS
95600466

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Taquara em Foco posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Taquara em Foco:

Compartilhar

Categoria