05/09/2024
Procuro trabalhar com o empoderamento das pessoas que estão no lugar de serem empoderadas. Sempre que há um conflito, falta empoderamento. Sempre que alguém se considera vítima, falta empoderamento, falta poder pessoal para a pessoa. Ela não está exercendo o seu lugar com plenitude.
Os pais, quando querem delegar uma solução, uma decisão relativa à família, relativa aos filhos, para um terceiro, seja um advogado, mediador ou juiz, estão fragilizados em seu lugar de pais, e isso é prejudicial aos filhos. Mas é assim. As famílias, em geral, não são perfeitas. Logo, qualquer um está sujeito a precisar do auxílio de terceiros, a não conseguir se entender com alguém que um dia amou.
Quando os pais não querem conversar diretamente, não querem olhar-se nos olhos, quando não há diálogo entre eles, diigo-lhes o seguinte: “Olha, para decidir a guarda dos filhos ou o regime de visitas, vocês precisam se entender, porque, se eu der uma decisão com a qual pelo menos um dos dois não esteja de acordo, vocês continuarão tendo problemas. É uma ilusão achar que eu vou resolver. Se não tiver comunicação entre vocês, vou determinar o regime de guarda e o regime de visitas, os dias que vai f**ar com o pai e os dias que vai f**ar com a mãe. Se um dia um atrasar, já vai dar problema, já vai ter queixa: — Ah, ele combinou e atrasou. Aí vai ter queixa do outro porque ele combinou, foi embora e devolveu o filho num horário inadequado. Quando as férias chegarem, como serão resolvidas? Vai ter briga para ver quem f**a no Natal, quem f**a no Ano Novo. Há tantas questões que vocês precisam resolver em relação aos filhos, por isso, a comunicação ef**az entre os pais é fundamental. É indelegável. Vocês precisam se comunicar.”
Então, as partes respondem: “Ah não, mas a gente não se fala, porque não dá certo. Decide aí, doutor”. Ao que respondo de maneira incisiva: “Gente, é lição de casa de vocês. Vocês precisam se comunicar.”
Diante desse contexto, como convencê-los? Como se diz na Justiça Restaurativa: “devolver os conflitos aos seus donos”. Os donos dos conflitos são eles, são as partes envolvidas.
Se eu quiser dar uma solução, serei um terceiro que não sei nada da realidade deles, e nã