28/03/2021
O que é necessário para ser um advogado criminalista❓
Alguns diriam coragem, afinal terá contato com “criminosos”.
Outros diriam, estar disposto a deixar de lado seus valores, pois defenderá “culpados”.
Realmente, precisa-se de coragem. Principalmente para enfrentar as mazelas de um sistema prisional desumano, em que muito além de privar uma pessoa de sua liberdade, a leva a sobreviver em condições incompatíveis com a dignidade humana. Precisa-se de coragem para tratar com familiares em desespero, que esperam rever seus entes. Precisa-se de coragem para tomar ciência das decisões que desconsideram os elementos do caso em concreto e mantém prisões provisórias ainda que não preenchidos os requisitos para tanto, a fim de causar na sociedade a impressão de que a justiça é imediata e certeira e de que todos estão seguros.
Quanto à defesa de “culpados”, ao advogado não cabe julgar, nem a você, caro leitor, a não ser que seja Juiz de Direito, Desembargador, Ministro... Ou DEUS.
Existem crimes bárbaros, violentos, inaceitáveis, que merecem punições severas? Existem, com certeza existem.
Porém, não se trata de uma questão rasa que será definida por um cidadão, no conforto de sua casa, a partir da narrativa sensacionalista de alguma reportagem.
Devo mencionar que nem todos os acusados são culpados. Ainda que o fossem, todos, absolutamente todos têm direito à defesa, têm direito a darem a sua versão dos fatos. Nós não “calçamos as sandálias” do outro para estarmos a par de todos os seus percalços. É por isso que se chama “justiça”, pressupõe a oitiva de ambas das partes, acusação e defesa, para que o Julgador (pessoa com conhecimento técnico e a par de todos os fatos) avalie se o indivíduo é culpado ou inocente.
E mesmo o Julgador, como todo ser humano, está sujeito ao erro, ao engano, à parcialidade e, em alguns casos, à corrupção.
E caso o indivíduo seja condenado, será privado da sua LIBERDADE. Isso mesmo, privado de conviver com seus pares, privado do direito de ir e vir. Parece tão singelo. Para alguns pode parecer pouco. Provavelmente para aqueles que nunca se pensaram no lugar do outro e/ou que nunca passaram pela experiência.
Pelo menos diz a lei que a pena é privativa de liberdade, pois na realidade o condenado, ou mesmo aquele que é preso antes de ser julgado, é privado de muitas coisas além da sua liberdade.