13/03/2017
PREFEITURA CONDENADA A ENTREGAR CASA E PAGAR DANOS MORAIS
Através de ação movida pelos advogados Getulio José da Costa, Tarso Mendonça da Costa e Eduardo Machado, o Município de Santa Maria foi condenado em primeiro e segundo graus a entregar uma casa para um beneficiário do programa Minha Casa Minha Vida, bem como pagar danos morais de três mil reais, corrigidos desde 2010. A condenação em primeiro grau havia sido de R$ 6.000,00, mas foi reduzida pelo Tribunal de Justiça. Segundo os autos, após ter sido sorteado no programa o beneficiário foi informado que não mais iria receber o imóvel, como não recebeu. Há suspeita de que ele teria sido relegado para beneficiar alguém mais próximo da administração municipal. Assim, conforme pedido e decidido pelo Judiciário, a Prefeitura terá 90 dias para conceder outro imóvel nas mesmas condições ao beneficiário, além do pagamento dos danos morais. Veja o acórdão.
RECURSO INOMINADO. PRIMEIRA TURMA RECURSAL DA FAZENDA PÚBLICA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS. MUNICÍPIO DE SANTA MARIA. PARTE AUTORA CONTEMPLADA NO SORTEIO DO PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA. IMÓVEL ENTREGUE PARA TERCEIRA PESSOA. DIREITO AO RECEBIMENTO DE OUTRO IMÓVEL. DANO MORAL EVIDENCIADO. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO NA SENTENÇA.
1) Trata-se de que ação na qual a parte autora postula indenização por danos morais, alegando que foi contemplado com imóvel no programa “Minha Casa Minha Vida”, no entanto, foi impedido de tomar posse sob a alegação de não residir em área classif**ada como de risco.
2) Segundo a prova o autor realizou a inscrição, houve seleção dos inscritos, a classif**ação, e a publicação dos contemplados, sem qualquer ingerência do réu quanto aos critérios pelos quais concorreu o autor. O autor inclusive foi convocado para realizar vistoria no imóvel com o qual foi contemplado, e assinou termo de comprometimento, conforme comprovam os documentos das fls. 37/40.
3) Não pode o Município, após criar uma expectativa no autor de que este seria contemplado com uma residência, frustra-la. Considerando que o autor já havia sido sorteado, decorrendo a sua não-contemplação única e exclusivamente de ato ilícito praticado pelo réu, é evidente o seu direito ao recebimento de um imóvel pelo Programa.
4) O dano moral sofrido pelo autor decorre das próprias circunstâncias do fato, o que foi corroborado pelos depoimentos das testemunhas ouvidas em audiência. Assim, é evidente que a ação do Município causou danos que extrapolam o mero dissabor.
5) Entretanto, assiste razão ao recorrente no que pertine à redução do quantum indenizatório. O autor vai receber outro imóvel, conforme determinado na sentença, portanto, a fixação dos danos morais em R$ 3.000,00 afigura-se suficiente ao caráter de reprovar a conduta do ente municipal e indenizar o sofrimento do autor sem constituir-se em enriquecimento sem causa.
6) Sentença reformada apenas quanto ao valor da indenização.
RECURSO INOMINADO PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME.