Isadora Balem Advocacia para mulheres

Isadora Balem Advocacia para mulheres Escritório voltado para a atuação especializada em direitos das mulheres. Isadora Balem Advocacia para Mulheres

Muitas vezes, na hora da separação, a prioridade de algumas mulheres vira simplesmente encerrar o conflito, e com isso a...
21/05/2026

Muitas vezes, na hora da separação, a prioridade de algumas mulheres vira simplesmente encerrar o conflito, e com isso acabam abrindo mão de discutir aquilo que sabem que é devido, aceitando o que o ex-companheiro oferece para evitar desgaste, para não piorar a relação dele com os filhos e para não ter que lidar com mais um problema em uma rotina que já está sobrecarregada. No meio disso, vai se formando a ideia de que insistir no próprio direito pode trazer mais prejuízo do que benefício.

Só que proteger um filho não é facilitar a vida do pai. Proteger um filho, além de muitas outras coisas, é garantir que ele continue tendo acesso ao padrão de vida que é compatível com as condições dos pais, o que envolve não apenas escola particular e plano de saúde, mas também roupas adequadas, atividades de lazer, festas de aniversário com os colegas, viagens de férias, entre outras coisas: acessos e experiências que podem impactar o desenvolvimento dele.

E o que aparece com muita frequência na prática são genitores que ganham 60 mil reais por mês questionando o gasto do filho com netflix e restaurantes, tentando reduzir a pensão a valores que não refletem nem de longe o que poderiam oferecer.
Enquanto isso, quem absorve essa diferença é a mãe, que além de concentrar o cuidado diário, ainda precisa reorganizar o orçamento para garantir que o filho não sinta, na prática, uma queda injustificada no seu padrão de vida.

É nesse ponto que ter uma advogada diligente e combativa faz diferença, porque não se trata só de pedir um valor, mas de demonstrar a real capacidade financeira, organizar as provas necessárias e sustentar, no processo, que aquele filho tem direito de viver de forma compatível com a realidade dos pais.
No fim, o que precisa ficar claro é que o padrão de vida dos seus filhos não é algo que se negocia para evitar conflito, porque garantir esse direito também é uma forma de proteção.

19/05/2026

O meu atendimento inicial é dividido em três momento: escuta, orientação e, ao final, a explicação de como funciona o meu trabalho. Sempre digo que o advogado não pode ser mais um problema na vida daquela mulher. E quando eu digo mais um problema, me refiro a ter que provar exaustivamente a união estável após uma agressão, ser questionada sobre ter ignorado os sinais de embuste do genitor ou ter que explicar como teve que reduzir sua jornada de trabalho por causa das noites mal dormidas da maternidade .

Eu ainda fico pasma de mulheres buscarem o apoio que precisam no momento do divórcio em profissionais homens, mesmo havendo mulheres tão (ou mais) qualificadas fazendo o mesmo serviço.

Aqui a gente compartilha as mesmas dores e anseios, a gente te entende. E isso diminui muito o peso de um processo judicial , não acha?

Eu costumo dizer que o amor dentro de uma família deveria ser dado de forma espontânea, sem que alguém precisasse provar...
17/05/2026

Eu costumo dizer que o amor dentro de uma família deveria ser dado de forma espontânea, sem que alguém precisasse provar nada para merecer acolhimento, respeito ou pertencimento.
Mas o que a gente ainda vê em muitas histórias, é que filhos e filhas LGBTQIAP+ crescem com a sensação de que precisam se explicar, se justificar e até se ajustar para não perder esse lugar, como se a própria existência precisasse ser validada.

Me peguei pensando em uma situação que é comum aqui no escritório: a violência doméstica e , paradoxalmente, a relativização desse comportamento pelas famílias dos agressores, que muitas vezes seguem recebendo afeto e acolhimento.

No fim, o contraste é evidente, porque enquanto a violência encontra explicação, a identidade encontra resistência, e isso revela muito sobre o que ainda choca e o que segue sendo tolerado dentro das famílias. Para muitas pessoas LGBTQIAP+, o medo ao se assumir não é apenas de não serem compreendidas, mas de perderem o próprio lugar dentro de casa, algo que dificilmente é cogitado por quem sabe que, independentemente do que faça, continuará sendo acolhido.

No meu trabalho, eu nunca vi um homem ser expulso de casa por agredir uma mulher, mas já vi muitas pessoas LGBTQIAP+ sendo tiradas de casa, desconvidadas de encontros e sendo tratadas como se não pertencessem mais àquele espaço, simplesmente por existirem e resistirem.

E isso diz muito sobre quais comportamentos ainda são tolerados e quais identidades ainda são punidas, porque, no fundo, o que deveria causar ruptura é a violência, não a forma como alguém vive a própria identidade. Nesse dia de orgulho LGBTQIAP+, eu desejo que cada vez mais famílias consigam rever esses padrões, que o orgulho esteja naquilo que realmente importa e que nenhum filho ou filha precise pagar com afeto, pertencimento ou acolhimento o preço de ser quem é.

Misoginia é a expressão do desprezo, da desvalorização e da hostilidade direcionada às mulheres, que se manifesta tanto ...
15/05/2026

Misoginia é a expressão do desprezo, da desvalorização e da hostilidade direcionada às mulheres, que se manifesta tanto de forma explícita, por meio de ofensas, violências e exclusões, quanto de maneira mais sutil, como comportamentos e discursos reforçam a ideia de que mulheres valem menos, devem ocupar determinados lugares ou não são dignas de credibilidade.

Ela não se limita a atitudes individuais, porque também estrutura práticas sociais e institucionais que naturalizam desigualdades, silenciam denúncias e legitimam diferentes formas de violência, inclusive quando travestidas de opinião, humor ou crítica.

Recentemente, o Senado aprovou um projeto de lei que inclui a misoginia no rol dos crimes de preconceito, reconhecendo que ataques direcionados a mulheres, especialmente em razão de gênero, não podem ser tratados como meras divergências ou excessos, mas como condutas que produzem violência e restringem direitos.

O projeto propõe a alteração da Lei nº 7.716/1989 para incluir expressamente a misoginia como uma das motivações de crimes de discriminação e preconceito, passando a abranger não apenas práticas discriminatórias diretas, mas também condutas como a injúria motivada por misoginia e a incitação ou induzimento a esse tipo de violência, ampliando a responsabilização penal e prevendo tratamento mais rigoroso para essas práticas .

A proposta surge em um contexto de crescente exposição de mulheres a ataques, sobretudo em ambientes digitais, e busca responsabilizar práticas que até então encontravam brechas para se manterem impunes, ampliando a proteção jurídica e afirmando que a violência de gênero também se manifesta no campo simbólico e discursivo.

Trata-se de um avanço importante, porque nomear a misoginia como crime é também reconhecer que ela não é opinião, nem liberdade de expressão, mas uma forma de violência que impacta concretamente a vida, a segurança e a participação das mulheres na sociedade.

13/05/2026

Esses dias escutei essa frase de uma cliente, referindo-se a outra mulher que ela conhecia, também cliente e fiquei pensativa.

Vejo que muitas mulheres chegam ao escritório esgotadas emocionalmente por sustentar um casamento que não faz mais sentido. Existem várias razões para que isso ocorra, mas grande parte delas se baseiam na crença limitante de que elas não vão dar conta sem o marido: não vão conseguir arcar com as despesas dos filhos, vai ser impossível cuidar de duas crianças sem auxílio, os filhos vão sofrer na ausência do pai, não vai conseguir se recolocar no mercado de trabalho…., dentre outros pensamentos de auto sabotagem.
Aos poucos explico que a pensão serve justamente para tentar manter o padrão de vida e - com o auxílio da terapia- ela vai entendendo que ao manter um casamento sem amor ( e muitas vezes sem respeito) está ensinando aos filhos um modelo falido de relacionamento. Ela entende também que o medo de não dar conta sozinha dos filhos é uma ilusão, porque ela já faz isso sozinha. Pior: tem as demandas do marido também para gerenciar.

E, a partir do momento que essas peças vão se encaixando, essa mulher vai se apropriando da força que tem. Isso não é do dia para a noite, é um processo. De autoconhecimento e fortalecimento. E quando ele é concluído, de fato essa mulher está pronta para ocupar todos os espaços que desejar, sem medo, sem culpa.
O acompanhamento psicológico e assessoria jurídica especializada fazem toda a diferença nesse desabrochar ❤️
Priorize o que realmente importa .

Toda a semana a gente se depara com ao menos um genitor pedindo a guarda compartilhada em um processo, porque, segundo e...
12/05/2026

Toda a semana a gente se depara com ao menos um genitor pedindo a guarda compartilhada em um processo, porque, segundo ele, “é seu direito”. E, de fato, a guarda compartilhada é um direito de todos os homens que são, realmente, pais. Mas, para isso, é preciso que esse papel seja assumido também fora dos autos do processo (e das fotos do instagram).

Pai não é rede de apoio, não é ajuda e não ocupa um lugar secundário na vida dos filhos. Ainda assim, é muito comum que homens se coloquem exatamente nessa posição, como se o cuidado fosse uma responsabilidade da mãe .

Quando o cuidado é tratado como ajuda, a convivência se adia porque surgiu um plantão no trabalho, a ida ao médico “vai ter que ficar com a mãe” porque ele tomou uma cerveja no almoço e não quer dirigir, e assim vão se acumulando justificativas que não só prejudicam a criança e a construção do vínculo com o pai, mas também desorganizam completamente a rotina e os planejamentos da mãe.

10/05/2026

A maternidade é a função mais desafiadora, transformadora e potente da vida de uma mulher .

Isso não significa que seja leve, fácil ou sempre prazeroso.

Que hoje todas as mães se sintam abraçadas, amadas e valorizadas. E que nos outros dias possam exercer uma maternidade com apoio, sem culpa e sobrecarga, feliz dia

09/05/2026

Maio é um mês importante na advocacia com perspectiva de gênero .
Nele comemora-se o dia do trabalho e o dia das mães , que ocupam datas diferentes no calendário e, durante muito tempo, pouco se falou sobre as suas interações.
Fato é que toda mãe trabalha. Algumas ainda trabalham fora de casa, dirigem empresas, cuidam de outras pessoas, prestam serviços.
Um bebê em aleitamento materno exclusivo (recomendado pela OMS até os seis meses de vida), dedica à amamentação, pelo menos, cinco horas diárias do seu tempo. Em um mês, são 150 horas (a título de exemplo, uma jornada de 44 horas de trabalho semanais são 176 horas mês). Nesse tempo, essa mulher não está dormindo, comendo, trabalhando ou descansando . Pelo contrário, amamentar é um trabalho também físico: é, além de amor e alimento, energia pura . Para além da dedicação neste momento , a mãe também precisa cuidar de si para de fato, ter leite. Precisa comer bem e descansar, apesar de ter que estar sempre disponível para o bebê. Precisa conciliar o trabalho com os horários de ma**da e tem uma lembrança física de que é responsável por alguém.
Por essas e outras questões a gente precisa enxergar a maternidade como trabalho. Ignorar isso é perpetuar a desigualdade de gênero e normalizar a exaustão de mulheres .

O que você acha disso?

Impossível que você não tenha ouvido falar sobre o filme “O Diabo Veste Prada 2” nas últimas semanas. Ontem fui no cinem...
08/05/2026

Impossível que você não tenha ouvido falar sobre o filme “O Diabo Veste Prada 2” nas últimas semanas. Ontem fui no cinema assistir com as minhas amigas e vim aqui dar a minha opinião (não solicitada por ninguém) sobre o filme.. hehehe.

Achei bem sem graça. E não falo nem pela temática supostamente superficial – que com uma leitura gendrada poderia não ser -, mas pela total ausência de qualquer impacto emocional que o filme teve sobre mim: não achei engraçado, feliz ou triste. De tão caricato, nem raiva senti da Miranda. Não torci por nenhum personagem e na grande maioria do tempo não entendi a trama subjacente (seja do escândalo inicial envolvendo a toda-poderosa, seja do arranjo final para resolver o problema). Não vejo em problemas em filmes que a gente não precisa pensar muito, mas não SENTIR nada me parece total perda de tempo.

E seria nesse grau de sem gracice que eu terminaria essa crítica amadora. Porém falta a cereja no bolo do patriarcado: o que me incomodou mesmo foi a bizarrice do pseudo relacionamento romântico da Andy que despertou zero empatia ou conexão. Que não fedia e nem cheirava e tampouco acrescentou algo à trama – e nem à personagem - a não ser o reforço à mensagem que mulheres precisam de relacionamentos amorosos heterossexuais para que o seu sucesso seja pleno. E socialmente válido porque agora tem um homem para chamar de seu.

A trama é sobre a vida profissional de Andy, uma jornalista competente e bem sucedida, e todas as dificuldades do mercado da moda no qual ela trabalha, seja em aspectos financeiros ou relações interpessoais. Ai, sem contexto – e necessidade – nenhum vem uma tentativa de romance, que a gente tem que se esforçar para entender que é um casal.

Achei tão chato que até é fácil não dar spoiler, haha.
Tu já foi assistir? O que achou?

Eu voltei para o escritório quando a Ísis tinha um mês, que é o tempo que  a lei autoriza que os processos fiquem parado...
07/05/2026

Eu voltei para o escritório quando a Ísis tinha um mês, que é o tempo que a lei autoriza que os processos fiquem parados quando a advogada ganha um bebê. Bizarro né? Mas mesmo assim houve colega questionando - em processo - a minha " licença maternidade" (entre muitas aspas porque nem preciso explicar o quão insuficiente é esse período diante da necessidade de acomodar tanta novidade).

Durante o primeiro ano, meu marido e eu conseguimos equilibrar o cuidado dela com o auxílio de uma babá e da nossa rede de apoio. Mas, com o tempo, essa engenharia começou a não se sustentar. A babá também era mãe e precisava atender os seus. Eu precisava remarcar compromissos, me atrasava para reuniões e reduzia minhas horas de trabalho com frequência. Ainda assim, me sentia cada vez mais cansada e atravessada por uma culpa constante: de não conseguir ser a profissional que sempre me propus a ser e, paralelamente, de ter cada vez menos tempo de qualidade com a minha filha.

Foi quando eu e meu marido sentamos para reorganizar a nossa rotina. E, a partir disso, optamos por matricular a Ísis, com um ano e um mês, em uma escolinha., muito antes do que havíamos planejado. Quando a adaptação começou, percebi que a maior dificuldade não era dela se ajustar… era minha. Era conseguir me perdoar por essa escolha e permitir que ela vivesse essa experiência de forma leve e feliz.

Esses dias li uma fala de uma terapeuta que me atingiu como um soco: "há 28 anos eu escuto, toda semana, pelo menos uma mãe dizer que se sente culpada por deixar o filho na creche. Nunca ouvi um pai dizer isso". Não vou entrar aqui - hoje, ahah- no mérito da diferença abissal que a nossa socialização ecoa na maternidade e paternidade.

Quero só falar que hoje é o dia da saúde materna e quero falar principalmente da saúde mental dentro desse espectro. Quero que você vá até o espelho mais próximo e observe, por poucos segundo que seja, a mãe incrível, a mulher potente e linda que está diante dele. E que você não se permita pensar ou agir diferente. Que você saiba -e sinta - que é a melhor mãe que sua filha poderia ter.

Endereço

Alameda Buenos Aíres, 348
Santa Maria, RS
ATENDIMENTOEMTODOOBRASIL.

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