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https://www.espacovital.com.br/noticias/o-show-dos-milhoes-23-04-2026
24/04/2026

https://www.espacovital.com.br/noticias/o-show-dos-milhoes-23-04-2026

“Voos de jatinho, mensagens de WhatsApp e caro resort colocam em risco a credibilidade da Suprema Corte, atingindo 60% de desconfiança em março de 2026. Seu presidente luta, até agora sem êxito, para impor um Código de Ética para frear determinados abusos”.

24/04/2026

Nova crônica: QUEM QUER DINHEIRO?

Figura icônica da televisão brasileira, Silvio Santos foi reconhecido não apenas pelo seu carisma e irreverência, mas também por suas frases que marcaram gerações. Desde o início de sua carreira como comunicador, Silvio conquistou o público com um estilo único e uma maneira peculiar de interagir com sua audiência, fosse em programas de auditório ou em suas participações na TV.
Começou sua vida como simples vendedor de rua, aprendendo a lidar com as pessoas e a vender seus produtos.
Já com programas de auditório e com sua própria rede de televisão, animava as tardes de domingo com suas brincadeiras. Sorteava os carnês do Baú da Felicidade e fazia programas de perguntas e respostas valendo dinheiro - você está certo disso? – ou quer ajuda dos universitários? Pode ganhar o dobro ... ou perder tudo.
O Show do Milhão, apresentado no SBT entre 1999 e 2003, foi um marco na TV brasileira, unindo tensão e cultura geral. Com perguntas de múltipla escolha de conhecimentos gerais e prêmios altos, o jogo parava o Brasil aos domingos, consolidando a genialidade comunicativa de Silvio.
Quem quer dinheiro?
Perguntas surpresa durante o programa, retribuídas com notas de cem reais a quem acertava, eram entremeadas com lançamento de aviõezinhos feitos com cédulas de dinheiro.
Era cultura retribuída com diversão e entretenimento.
O animador tão querido pelo público foi hoje substituído por um banqueiro que se encontra preso.
Quem quer dinheiro? Os milhões voam por gabinetes e escritórios de forma inacreditável. Festas regadas a whisky e charutos caros em Londres e Trancoso, com direito a broche que garante falso amor comprado.
Vinte, trinta, oitenta milhões... até jovens recém formados veem seus escritórios abarrotados de clientes ante a “competência” subitamente adquirida.
Voos de jatinho, mensagens de WhatsApp e caro resort colocam em risco a credibilidade da Suprema Corte, atingindo 60% de desconfiança em março de 2026. Seu presidente luta, até agora sem êxito, para impor um Código de Ética para frear determinados abusos. Por trás de tudo a fraude financeira que envolve até Banco Estatal (BRB).
E neste momento muitas pernas tremem esperando a colaboração premiada do poderoso banqueiro.
E o show de milhões pode acabar com esse baú da felicidade... na prisão.
Quem quer dinheiro?

20/04/2026

Nova crônica: RECADASTRAMENTO ELEITORAL

Como estamos em ano de eleições, oportuno recordar a evolução da Justiça Eleitoral e do sistema de votação que temos hoje.
Até a década de oitenta o sistema de votação era inteiramente manual e a justiça eleitoral era estadual. O eleitor comparecia na seção eleitoral e apresentava seu título, que era conferido com a folha de votação existente. O eleitor assinava a folha e recebia o envelope para colocar as “chapas” com o nome dos candidatos. Estas podiam ser trazidas pelo eleitor ou apanhava as que se encontravam na cabine de votação.
Havia muita confusão. Se o eleitor não encontrava na cabine a “chapa” com o nome de seu candidato, surgia um impasse. Era comum eleitores embaralharem as ”chapas” ou levarem embora as de candidatos adversários.
A apuração, que levava vários dias, era um mar de envelopes espalhados pelo salão
Com o surgimento da cédula única a situação melhorou. No entanto isso tornou necessário escrever na cédula o número do candidato da eleição proporcional e marcar na cédula o candidato da majoritária.
Com o voto dos analfabetos, só quem já trabalhou em uma apuração eleitoral sabe da dificuldade de interpretar números mal escritos (vereadores, deputados), alguns em outros lugares da cédula, outros minúsculos, dentro do quadrilátero do candidato da eleição majoritária (prefeito, governador, presidente).
Sempre adotei a prática de validar o voto quando possível aquilatar a vontade do eleitor. Assim, considerava o voto de deputado e de governador nesses casos. Número escrito em qualquer lugar da cédula, considerava o voto e, se não fosse possível ler o final, considerava o voto apenas para a legenda.
Muitos problemas surgiram. Se o número e o nome divergiam, o voto era contado para o candidato cujo nome havia sido escrito na cédula. No entanto, se o nome do partido fosse outro, predominava a legenda. Isso levou um candidato, em eleição que apurei no gigantinho, a não se eleger, pois colocavam o nome, ou número do candidato, e a legenda de outro partido, que fez uma campanha sórdida, enganando os eleitores.
Já a vinculação de votos, na primeira eleição após a redemocratização, obrigando o eleitor a votar em todos os candidatos do mesmo partido, levou a um número elevado de anulação de votos.
Em 20 de dezembro de 1985, foi editada a Lei nº 7.444, que dispôs sobre a implantação do processamento eletrônico de dados no alistamento eleitoral e a revisão do eleitorado. A lei foi regulamentada pela Resolução TSE nº 12.547, de 28 de fevereiro de 1986, com a adoção simultânea do processamento eletrônico de dados nacional.
Montei uma equipe com um funcionário de cada Banco e de repartições públicas, para realizar o recadastramento Na falta dos formulários, que demoraram a chegar, combinei com o jornalista Guido Ernani Kuhn a impressão graciosa dos formulários, e o encarte no Jornal Gazeta do Sul, para utilização pelos eleitores.
Em 18 de maio de 1986 realizamos o Dia Nacional do Recadastramento Eleitoral, montando secções em locais estratégicos. Limitei o número de eleitores a 300 e acabei com as secções em locais particulares, salvo escolas e clubes.
Em Vera Cruz contei com o auxílio de Rui Duarte e em Herveiras com Onofre Reis, que nomeei Juiz Preparador. O eficaz recadastramento foi passo decisivo para a posterior emancipação.
A revisão e conferência dos formulários foi um trabalho braçal. Além dos funcionários requisitados, inclusive da Unidade do exército, contei com a coordenação dos professores Tornquist e Airvilton Capaverde. Utilizamos a parte superior da antiga Câmara de Vereadores, no prédio atual da prefeitura, na praça Getúlio Vargas.
Todas as noites levava para casa uma caixa de quase um metro de altura e, com o auxílio de minhas filhas, revisava e assinava. Foram mais de duzentas mil assinaturas.
O ministro Néri da Silveira, gaúcho que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por duas gestões, ao elogiar o trabalho do recadastramento, e a dedicação de todos, disse que finalmente acabariam as fraudes, para que não houvesse duplicidade de votos e para que mortos não votassem.
Com a precariedade da biometria (eu nunca consegui utilizar), feita posteriormente, tenho minhas dúvidas do que possa ocorrer nesses interiorzão do Brasil até que se utilize a identificação facial do eleitor.

14/04/2026

Nova crônica: NÃO VOU DOURAR A PÍLULA

Na mitologia grega, Aquiles foi mergulhado por sua mãe em um lago mágico, para torná-lo imortal. Seguro pelo calcanhar, tornar-se-ia indestrutível. Na guerra foi ferido na única parte vulnerável: o calcanhar de Aquiles. Já em um julgamento, também na Grécia, em caso de empate, coube à deusa Minerva o voto de desempate: o voto de Minerva.
A bagunça no prostibulo, onde dona Joana não tinha pulso para comandar e homens mandavam e desmandavam, virou a casa da mãe-Joana. Se qualquer reclamação era inútil e a pessoa não tinha mais a quem recorrer mandavam que fosse se queixar ao bispo.
Já o conto do vigário decorre do treinamento do b***o para levar para sua igreja o santo que os dois padres disputavam, passando a ser sinônimo de falcatrua e malandragem. Sem falar no santo do pau oco que trazia escondido em suas entranhas ouro e pedras preciosas.
Não entendo patavinas o que os frades italianos patavinos, originários de Pádua, falavam... e chegar ao trabalho com as mãos vazias, sem trazer ferramentas, era por não querer mesmo trabalhar, chegando com as mãos abanando.
Antigamente os telhados possuíam eira e beira, às vezes até tribeira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Eu me criei numa casa simples, coberta de telhas canoa, feitas nas coxas, sem eira nem beira.
Tentar capturar um tamanduá e levar um abraço é o fim até para uma onça, pela força do abraço de tamanduá. Pode-se ouvir o canto do cisne, a última realização na vida de alguém.
Para quem come de tudo como eu, e tem estômago de avestruz, não são lágrimas de crocodilo quando choro, pois me emociono com muita facilidade.
Um estimado colega dizia que eu tinha memória de elefante, por lembrar de julgamentos anteriores que estabeleciam precedentes que já tínhamos julgado, e olho de lince por ver com facilidade o que os juristas chamam de ponto nodal da questão. Foi uma grande perda o colega Márcio Oliveira Puggina, precocemente falecido. Deixou muitas saudades.
Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar os aspecto do remedinho amargo. Eu não vou dourar a pílula. A situação em Brasilia está preta, parece história de mula sem cabeça, até com contos da carocinha. Sai pra lá.

Nova crônica: EU ESTIVE EM JERUSALÉMA possibilidade de fazer uma viagem para a Terra Santa é uma oportunidade única, son...
10/04/2026

Nova crônica: EU ESTIVE EM JERUSALÉM

A possibilidade de fazer uma viagem para a Terra Santa é uma oportunidade única, sonho de uma vida. Conseguimos concretizar esse sonho em uma viagem aos lugares santos há 11 anos atrás.
Depois de passarmos pelos lugares históricos como Belém, Nazaré, Cafarnaum, o Mar da Galileia, o Rio Jordão, o Mar Morto, chegamos a Jerusalém.
A majestosa Cidade Santa pode ser avistada de longe sobre a colina. Avistar os muros do templo desde o Horto das Oliveiras, do meio das oliveiras milenares, sabendo que ali pisou Jesus, causa vívida emoção.
Imaginar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acontecimento importante registrado nos Evangelhos e lembrado pelos cristãos como o Domingo de Ramos. Nesse episódio, Jesus entra na cidade montado em um jumento sendo recebido pela multidão, cumprindo profecias e iniciando os acontecimentos que levariam à sua morte e ressurreição.
O momento revela importante aspecto da missão de Cristo, incluindo sua humildade, o reconhecimento da multidão e o cumprimento do plano de Deus. Compreender a história do Domingo de Ramos ajuda a entender melhor o significado da Semana Santa e o papel de Jesus na história da salvação.
O povo exultava com gritos de “hosana”, que significava “salva-nos, agora”, estendendo mantos e ramos para aquele que era esperado como o Messias, o salvador.
As profecias do Antigo Testamento prediziam a chegada do Messias, nascido da casa de Davi, que libertaria o povo de Israel, agora sob jugo romano. O povo judeu acabou frustrado pela humildade de Jesus, que nasceu numa simples manjedoura, cercado de pastores e animais e pregava a paz, o amor e o perdão.
Em lugar da Lei do Talião olho por olho, dente por dente, dizia “se lhe baterem no rosto, ofereça a outra face”, "se lhe tirarem a túnica, dê-lhe também a capa”.
Suas pregações eram revolucionárias para a época, inclusive com relação às mulheres, que não eram aceitas nem como testemunhas. No entanto, sente-se que procura valorizar a mulher em todos os incidentes, inclusive na primazia de sua aparição ressuscitado.
O novo mandamento – amai ao próximo como a ti mesmo – é de uma profundidade ímpar, ainda não bem compreendido por muitos que não o aceitaram como o Salvador.
Com muita emoção caminhamos pela ruela estreita por onde Jesus arrastou sua cruz. Paramos em todas as estações onde podia-se chegar e apoiamos a mão na parede marcada pela mão de Jesus, rumo ao Calvário.
Na Igreja do Santo Sepulcro a sagrada Pedra da Unção, pedra de mármore que a tradição diz ser o local onde o corpo de Jesus foi preparado para o sepultamento. Nela toquei um boné que entreguei depois a meu irmão mais novo que enfrentava grave doença.
Não conseguimos entrar na própria tumba do Santo Sepulcro face ao grande número de pessoas que acorrem ao local, cuja administração é compartilhada pela Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa Grega e Igreja Apostólica Armênia.
No Sábado Santo ocorre o fenômeno conhecido como o Milagre do Fogo Sagrado. Tradicionalmente, acredita-se que uma luz desce do céu quando o Patriarca Ortodoxo Grego entra no túmulo e, após orações, velas se acendem espontaneamente, sendo consideradas uma chama divina que não queima nos primeiros minutos.
Pelos gritos de “crucifica-o” que logo se ouvirão, possivelmente o jumentinho era o que melhor tinha consciência do pesado fardo que conduzia.

29/03/2026

Nova crônica: UM JOÃO QUALQUER

No final do século passado as vitórias de Gustavo Kuerten nas quadras despertaram o interesse dos jovens pelo jogo de tênis. Começamos a levar nossos filhos adolescentes para aulas nas quadras de família Dias e Kraether, no Bairro Universitário. Aos poucos fomos nos interessando e passamos também a fazer aulas e jogar. Hoje praticamos o esporte nas belas instalações do Tênis Clube Santa Cruz.
O jogo de tênis é um esporte completo pois fortalece os músculos e os ossos, aumenta a agilidade, a coordenação motora e o condicionamento aeróbico. É um esporte para toda a vida pois pessoas idosas como eu, com meus 78 anos, continuam praticando o esporte.
Trata-se de esporte de baixo índice de lesões, pois não há contatos físico. Além disso, o esporte prima pela educação e cavalheirismo e, na dúvida, oferta-se o ponto ao adversário.
Já tivemos grandes tenistas no país. A maior de todas foi Maria Esther Bueno que, em seus vinte anos de carreira, colecionou 589 títulos internacionais, entre os quais dezenove torneios do Grand Slam (sete na categoria simples; onze em duplas femininas; um em duplas mistas).
Também Gustavo Kuerten, o mané da Ilha, carinhosamente chamado de Guga, até maio de 2008, quando encerrou a carreira, somou 358 vitórias e faturou 20 títulos, inclusive três títulos de Roland Garros.
Após um período de bons tenistas em nosso ranking, eis que surge um talento excepcional. João Fonseca, um menino esguio de 19 anos, é um dos nomes mais promissores do tênis mundial e, sem dúvida, um orgulho para o esporte brasileiro. Começou a se destacar ainda muito jovem, mostrando talento, disciplina e uma maturidade impressionante dentro e fora das quadras.
Mostra um jogo agressivo, com golpes potentes e uma leitura de jogo acima da média para sua idade. Sua ascensão foi meteórica. Logo conquistou títulos importantes no circuito juvenil.
No ranking profissional João chamou a atenção por sua técnica refinada e sua postura competitiva. Saque forte, golpes precisos e grande força mental mostram sua competitividade. Fora das quadras mantém uma imagem humilde e próxima dos fãs, algo que reforça ainda mais sua popularidade.
Poucos dias atrás assistimos uma memorável partida entre João Fonseca e o italiano Jannik Sinner, atual número dois do mundo. Em quadra, em Indian Wells, Fonseca mostrou personalidade diante de um dos principais nomes do circuito. O brasileiro chegou a ter três set points no tie-break da primeira parcial, mas viu Sinner reagir e virar o duelo. No segundo set, o jogo voltou a ser definido no tie-break. Sinner deixou em quadra toda sua experiência para confirmar a classificação, derretendo-se em elogios ao brasileiro no torneio, do qual acabou por sagrar-se campeão.
Dez dias depois, em Miami, após superar o húngaro Fabian Marozsan, teve jogo duríssimo com o número um do mundo, o espanhol Carlos Alcaraz, acabando derrotado por 6/4 e 6/4.
Especialistas acreditam que ele tem potencial para figurar entre os melhores do mundo nos próximos anos, seguindo os passos de grandes nomes que marcaram a história do tênis.
Mais do que um talento esportivo, João representa uma nova geração de atletas brasileiros que acreditam no trabalho duro, na dedicação e na superação. Sua trajetória é um convite para que outros Joões sonhem alto e persigam seus objetivos com paixão e disciplina.
Um belo exemplo para nossa juventude.

20/03/2026

Nova crônica: UM JUIZ SUSPEITO

Todo cidadão tem o direito de ser julgado pelo seu juiz. Assim, qualquer que seja a natureza da questão, o julgamento deve ser proferido pelo juiz competente, regularmente nomeado e com jurisdição.
Salvo excepcionalmente, por prevenção ou conexão, o processo deve ser julgado pelo juiz local. Nem ao Tribunal cabe julgar uma questão submetida ao Juiz de Primeiro Grau, salvo no caso de prerrogativa de função.
Por isso é que causa estranheza que volta e meia ocorrram processos e julgamentos excepcionais perante o Supremo Tribunal Federal sem que detenha competência.
A imparcialidade do Juiz é uma garantia constitucional pois deve ser assegurado o devido processo legal e a ampla defesa.
A suspeição do juiz é um mecanismo fundamental do direito brasileiro para garantir a imparcialidade das decisões judiciais, seja no cível, seja no crime. Ao contrário do impedimento, que se baseia em critérios objetivos (como parentesco), a suspeição trata de fatores subjetivos que podem comprometer o julgamento.
Assim, não pode atuar o juiz que for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes ou de seus advogados, receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, aconselhar alguma das partes ou custear o processo, tiver interesse na causa ou for credor ou devedor de qualquer das partes ou de seus parentes.
Se o próprio Juiz não o declarar, a suspeição pode ser arguida por qualquer interessado. Se reconhecida, o juiz será afastado.
Em toda minha carreira nunca tive nenhum caso de suspeição ou impedimento. Sempre tive vida social e mantive relacionamento com todos, partes e advogados. Na hora de julgar réu não tinha nome. Julgava a causa, proferindo decisão justa.
Pode o juiz declarar-se suspeito por um motivo específico, mas também pode declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões.
Certa ocasião recebi um processo que envolvia uma empresa de loteamentos. Era dirigida por um renomado médico ao qual praticamente devia a vida de minha filha, nascida prematura. Ao ler o processo vi que ele não tinha razão e pressenti que no decorrer do processo surgiriam constrangimentos. Declarei-me suspeito para atuar declinando os motivos.
Pode o juiz, no entanto, jurar suspeição sem declarar os motivos, enviando o processo ao seu substituto. Nesses casos deve comunicar suas razões ao órgão Corregedor que, no entanto, não pode recusá-lo.
Recentemente tivemos um caso rumoroso em que um Ministro do Supremo Tribunal Federal jurou suspeição por motivo íntimo em caso que envolve poderoso grupo financeiro.
Os atos praticados pelo Ministro, antes de jurar suspeição, são válidos, porém não deve ele participar de nenhum julgamento que envolva os mesmos interesses jurídico/econômicos.
Outro problema, bem mais complexo, é a atuação em processos de clientes de escritório de advocacia dos familiares do juiz. Ou dos colegas Ministros.
O que te parece?

11/03/2026

Nova crônica: O IMPÉRIO PERSA

Na minha juventude assisti muitas vezes pessoas procurarem meu pai em busca de conselhos. Com uma paciência admirável, ouvia as queixas de parentes, amigos e, às vezes, até desconhecidos. Com uma sabedora adquirida só até o terceiro livro, como era o sistema da época, sempre dava uma orientação ou buscava compor os litígios.
Às vezes as desavenças e disputas redundavam em agressões físicas, principalmente entre parentes. Quase sempre envolviam questões de vizinhança ou disputa por herança.
Vi isso se repetir muitas vezes, na vida prática e em processos. A ingratidão é altamente condenável, tanto que o próprio Código Civil, em seu art. 555, prevê que a doação pode ser revogada por ingratidão do donatário.
Quase sempre as desavenças familiares decorrem de ciúmes entre irmãos, ou porque entendem que os pais gostam mais do outro, ou porque disputam primazia na distribuição dos bens, desde Caim e Abel.
Ao longo da história vemos as constantes desavenças entre vizinhos, de pessoas ou nações. As disputas quase sempre são territoriais ou por interesses econômicos.
Grandes potências já dividiram entre si a América e a África, dominaram a Ásia e o Oriente Médio. A situação atual entre Israel, Estados Unidos e Irã incluiu outro fator terrível : o religioso.
O Império Persa, fundado por Ciro, o Grande, em 559 a.C., foi a primeira superpotência mundial, estendendo-se por três continentes: Ásia, África e Europa. Localizado originalmente no atual Irã, o império era celebrado por sua administração eficiente, tolerância religiosa e inovações em infraestrutura. Diferente de seus vizinhos, os iranianos não são árabes, mas arianos. Sua língua oficial é o persa (farsi), e eles possuem uma herança cultural distinta, indo-europeu.
A queda do monarca Mohammad Reza Pahlavi, o Xá do Irá, casado com a Farah Diba Pahlavi, pela Revolução Iraniana em 1979, foi o marco que transformou o Irã de uma monarquia pró-Ocidente em uma República Islâmica teocrática liderada pelo Ayatollah Khomeini que governou até 1989.
A crise com os Estados Unidos vem desde que 52 norte-americanos foram mantidos reféns por 444 dias - de 4 de novembro de 1979 a 20 de janeiro de 1981 -, após um grupo de militantes islâmicos tomar a embaixada americana em Teerã, em apoio à Revolução Iraniana, tendo fracassado a tentativa de resgate pelos americanos.
Posteriormente a disputa por território levou à feroz guerra entre Irã e Iraque, na década de 1980, que causou mais de um milhão de mortes.
Sucedido por Ali Hosseini Khamenei, que estava no cargo de líder supremo há 36 anos, até que foi morto na recente operação militar, o Irã era permanentemente inspecionado face à insistência no seu programa nuclear.
A instalação de um regime teocrático pela guarda revolucionária, com regras rígidas e opressão contra as mulheres, afastou o País do mundo ocidental.
A morte de Khaminei pela ação militar Israel/Estados Unidos, com o alegado objetivo de evitar o acesso do Irã a armas nucleares, gerou uma expressiva reação militar contra todos os vizinhos, atingindo inclusive Dubai.
Aeroportos fechados e espaço aéreo restrito afeta a vida de viajantes de todo o mundo. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa quase todo o petróleo, pode gerar uma crise global, tanto energética como financeira.
Misturar política com religião nunca deu certo.

Nova crônica: O Mistério do Sudário de TurimQuando entramos na quaresma, período de preparação para a Páscoa, onde comem...
03/03/2026

Nova crônica: O Mistério do Sudário de Turim

Quando entramos na quaresma, período de preparação para a Páscoa, onde comemoramos a ressureição de Jesus, não há como não lembrar dessa relíquia.
O Sudário de Turim é uma das relíquias religiosas mais estudadas da história. Para milhões de cristãos é o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo após a crucificação.
Trata-se de um tecido de linho com cerca de 4,4 metros de comprimento por 1,1 metro de largura. Nele, vê-se a imagem tênue de um homem que apresenta marcas compatíveis com a crucificação: ferimentos nos pulsos e pés, lesões no couro cabeludo e uma perfuração no lado do tórax.
Aparecido na França no século XIV, foi levado para Turim, Itália, em 1578, estando preservado na Catedral de São João Batista.
O Sudário tornou-se foco de intensos estudos científicos especialmente a partir do século XX. A imagem positiva de um homem, que surgiu no negativo quando fotografado, é impressionante.
Em 1988, te**es de datação por carbono-14 indicaram que o tecido teria sido produzido entre 1260 e 1390 — período medieval. Esse resultado levou muitos pesquisadores a concluir que o Sudário seria uma criação da Idade Média.
Entretanto, críticos do teste argumentam que a amostra analisada pode ter sido retirada de uma área contaminada ou reparada após um incêndio ocorrido em 1532, o que poderia ter alterado os resultados.
Outro ponto intrigante é a forma como a imagem foi criada. Estudos realizados em 1978, concluíram que a imagem não apresenta pigmentos, tintas ou traços claros de pintura tradicional. A coloração parece resultar de uma alteração superficial das fibras do linho e está em negativo.
Até hoje, não há consenso científico definitivo sobre o mecanismo exato que formou a imagem tridimensional. A forma como aparece a imagem nas fibras de linho lembra imagens gravadas pela explosão da bomba atômica em Hiroshima, Japão, cujo museu visitei recentemente.
Para a Igreja Católica, o Sudário não é um dogma de fé, mas um objeto de profunda devoção. Diversos papas demonstraram veneração pela relíquia.
Independentemente de sua autenticidade histórica, o Sudário é visto por muitos fiéis como um convite à reflexão sobre o sofrimento e a paixão de Cristo.
Seja como relíquia sagrada, objeto histórico ou enigma científico, o Sudário continua a inspirar estudos, peregrinações e questionamentos. Seu verdadeiro segredo, mais de dois mil anos após a morte de Jesus, talvez ainda esteja por ser plenamente revelado.

26/02/2026

Crônica da semana: CARREIRA SE GANHA NO ATAR

Na minha adolescência os partidos políticos eram ideológicos e em pequeno número. Os principais partidos dessa época eram o PTB, o PSD e a UDN.
O PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) era associado à classe trabalhadora, onde destacou-se o ideólogo Alberto Pasqualini e o “bigovernador” Leonel Brizola (RS e GB), enquanto o PSD (Partido Social Democrático) era composto pela classe média alta e representantes dos setores empresariais. A UDN (União Democrática Nacional), por sua vez, representava os grupos mais à direita, com forte oposição aos avanços liberais de esquerda.
No Rio Grande do Sul ainda tínhamos forte o PL (Partido Libertador), que defendia o regime parlamentarista, com Paulo Brossard e Raul Pilla.
Também havia o PRP (Partido de Representação Popular) capitaneado por Plinio Salgado, da ação integralista brasileira, com suas camisas verdes, que apropriou-se do cumprimento “anauê”, de origem indígena, que significa “tu és meu irmão”, à semelhança do “Heil Hitler”.
Enquanto o Partido Comunista era ilegal, surgiram outros pequenos partidos como o PTN (Partido Trabalhista Nacional) e o PDC (Partido Democrático Cristão), de Franco Montoro, partidos por onde transitou Jânio Quadros, antes de ir para a UDN. Também surgiram o MTR (Movimento Trabalhista Renovador), fundado por Fernando Ferrari, e o PSP (Partido Social Progressista) de Adhemar de Barros.
Com o Movimento de 1964 todos os partidos foram extintos e criados a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), onde se acomodaram todos os adeptos do novo regime e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que abrigou o dissidentes.
Sendo impossível acomodar tantas correntes dentro da mesma aliança, a inventividade política brasileira criou as sublegendas, nos lugares onde a escolha se dava por voto popular. Também surgiram novos partidos (PT, de Lula, PTB, de Ivete Vargas, e PDT, de Leonel Brizola).
Quando presidi a eleição em Rio Pardo em 1982 foi a soma das sublegendas que derrotou o candidato da oposição, numa eleição de voto vinculado, em que o eleitor deveria votar em todos os candidatos do mesmo partido, sob pena de nulidade do voto.
Eu já assistira situação semelhante em Candelária onde a dupla de novatos, derrotou por poucos votos, conceituado trio da oposição, que escolheram um vice comum. Muitos suspeitaram de uma súbita alteração no entusiasmo dos eleitores na reta final da campanha, quando constataram que o outro candidato da sublegenda disparava na frente.
Em outra eleição fiquei surpreso quando vi quem era o candidato a vice-prefeito de uma sublegenda, pessoa retraída, pouco conhecida e que nunca se metera em política. Matutei muito tempo até me flagrar que ele era genro de um forte cabo eleitoral de um lugar do interior, onde a oposição fazia noventa por cento dos votos. Candidatando o genro, manietaram o sogro e tiraram pelo menos trinta votos da oposição, ganhando no final por vinte e poucos votos.
No Brasil atual os partidos viraram uma sopa de letrinhas, com donos e sem qualquer significado ideológico. As uniões são por mero interesse e, acredito, que muitos partidos só estão interessados na verba eleitoral e nos minutos de propaganda eleitoral gratuita na televisão, que podem negociar com os partidos majoritários por cargos políticos e direção de estatais.
Nesse contexto e com tantas inelegibilidades proclamadas de forma pouco ortodoxa, a costura de interesses e de legendas será decisiva para o resultado da eleição presidencial.
Há um fator complicador que são as eleições estaduais. Partidos que estão unidos no âmbito nacional surgem como adversários ferrenhos em algum Estado. Sempre fui contra essa coincidência de eleições pois as picuinhas regionais não deveriam afetar a eleição nacional, onde os objetivos nacionais permanentes devem ser o mote de campanha.
Sem nenhuma dúvida, quem melhor souber acomodar todos esses interesses, e conseguir superar as desavenças regionais, unindo forças divergentes num objetivo comum maior, terá mais chance de vitória.
Como diz o gaúcho, “carreira se ganha no atar”.

20/02/2026

E GOLPE!
Aviso a todos meus amigos e clientes que golpistas estão usando meu nome e a foto com minha esposa, de minha página pessoal, para enviar mensagens sobre processos de nosso escritório. Em seguida pedem dinheiro para supostamente liberar alvarás.. AS AUTORIDADES POLICIAIS JÁ FORAM AVISADAS. Não caia no golpe. Para informações sobre processos liguem para 51-3717.8900 (TELOKEN ADVOGADOS) ou 51-3713.2128 (HAESER ADVOGADOS).

Endereço

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