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29/09/2024

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14/09/2024

A DIALÉTICA DA VIDA

Por ANTONIO SALUSTIANO FILHO*

No coração da cidade grande, num ponto de ônibus apinhado de pessoas, cada uma delas ocupada com sua pressa cotidiana e com destino a um lugar qualquer dessa megalópoles; todos esperavam, impacientemente, a condução, o transporte que os levariam para o seu destino. Eis que, de repente, surge um pregador. Um homem, vestido com uma roupa surrada e com um pano em seu entorno. Tinha o aspecto de homem pobre e outras características que o desqualif**avam como um sujeito normal. Parecia um desse moradores de rua.
O pregador iniciou um discurso que perturbou a minha vida e da daquela gente que, mesmo nos esforçando para ser indiferentes, o escutávamos.
Dizia ele, em alto e bom som, numa fala razoavelmente bem-elaborada:
“Somos todos iguais. Não importa a função que você ocupa no mercado de trabalho, o salário que recebe no final do mês, a casa que mora, a comida que com qual se alimenta, a roupa que veste e a droga de vida que você leva! Você tem na barriga o mesmo que eu, o que todos temos: m***a! Defeca fedorento, igual a mim e a todos os outros. Por mais que queiramos ser diferentes uns dos outros, pelo menos as nossas fezes nos fazem iguais!”
Todos o escutávamos. Somente eu não o ignorava.
No início daquela conversa eu tive vontade de rir. Era uma situação cômica. Fiquei firme para não ofender aquela gente ofendida e indiferente. Também não queria demonstrar que prestava atenção à fala do maluco. Havia um fundo de verdade naquele discurso. As pessoas ali se igualavam pelas fezes.
Enquanto me esforçava para entender o discurso do tal sujeito, ele retomou a sua fala. “Você e eu, todos fomos absorvidos pelo movimento do rebanho. O que desejamos nós, aventureiros dessa epopeia desgraçada, que nos obriga a viver, permanentemente, a insignificância do que somos? Os ricos que desejam mais riquezas ou tentam busca-la, a todo custo; querem manter-se em suas posições, por isso exploram os pobres e não se misturam com os empobrecido pelas razões de suas riquezas.”
Fez uma pausa, olhando para um dos seus ouvintes gritou:
“Você não é rico! E se fosse, não seria diferente desses infelizes que estão ao seu lado”, disse, apontando os demais.
“Você é pobre!”
“Deu uma gargalhada e cantou uma cantiga de roda, daquelas que se cantavam na minha infância:
“Eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré; eu sou pobre, pobre, pobre de marré deci, (...)”.
Parou de cantar e, sem dar tempo para qualquer manifestação de protesto daquela gente, voltou a falar.
“Os pobres, que desgraçadamente deixam-se explorar pelos poderosos, buscam sua sobrevivência submetendo-se aos mandos dos senhores de escravos de hoje. Enquanto lutam, sonham, quem sabe um dia tocado pela sorte, em ganhar na loteria e ser como os ricos. Pobre só f**a rico assim, quando ganha na loteria. Acredita na sorte. Ledo engano! Falsa ilusão! Bando de idiotas! Pobres serão sempre pobres porque acreditam, por força da fé que lhes ensinaram a professar, mesmo no silêncio de suas crenças, que esse é o destino de quem nasceu assim. Os pobres têm consciência de que não tiveram a possibilidade de escolher um lar abastado para nascer e, por conta do destino forjado pelo sistema, nasceram num berço paupérrimo. Ignoram que ninguém nasce pobre por vontade de Deus. Os que pensam assim, fiquem sabendo que no inferno há lugar para todos vocês! Mudem de vida ou perecerão todos!” – vaticinou o louco.
Não pude me conter. Soltei uma gargalhada.
Aquele não fora um riso de deboche ou de algo engraçado, mas um riso de satisfação vindo do inconsciente. Ri porque o tal sujeito falava o que eu talvez gostasse ter falado para mim mesmo, ou para essa gente cega, que também acreditava nas coisas que foram enfiadas em nossas cabeça.
“A desgraça tem seu próprio antídoto”, constatei mentalmente.
A seguir, sem o riso da desgraça alheia e minha também, refleti, considerando:
“Como se sente essa gente angustiada em sua pobreza, humilhada com a espera e a demora do ônibus, desesperada pelo atraso em seu horário e, ainda, sendo apoquentada por esse maluco, falando mal de sua crença, pondo em cheque a esperança desses e dessas coitado(a)s? Que situação! Que vida!”
Aquela cena não tinha nada de engraçado e o discurso do louco não eram palavras jogadas ao vento. Era a tragicidade da vida porque demonstrava a condição real da maioria de homens e mulheres que nas várias etapas da história da humanidade, nas diversas formas dos sistemas de produção, foram vítimas do sistema produtor de miseráveis.
Ao refletir sobre a desgraça alheia, e igualmente a minha, senti uma ponta de tristeza vindo lá das profundezas do ser e que, aos poucos, tomou conta de mim. Aquela sensação de vazio, a mesma que sempre me acometia em meus dias entediados. Mais uma vez, o sentimento de ser nada em meio a tantas coisas efêmeras. Era como se tudo naquele cotidiano ma***to fosse destituído de sentido.
“Será essa a razão da minha crise?”, questionei no silêncio de minha reflexão.
“A alma humana tem uma ligação com a mente coletiva do universo, por isso, capta o sofrimento da alma do mundo, que sofre nossas dores. Somos partes do todo e, se sofremos, sofre conosco o universo; e a dor da imensidão nos é devolvida potencializada. Assim, ao não superar nossos fracassos, esses se transformam em sofrimentos”, recordei-me desse pensamento ali no burburinho da cidade agitada pela dinâmica da urbanidade.
Havia um sentimento de pertença ao mundo. A insignificância do momento parecia corresponder ao meu estado de ânimo. Não tinha qualquer controle sobre mim e ao que acontecia à minha volta. Além de não ser o senhor das minhas vontades, era levado por uma força estranha ao estado de pertencimento ao contexto. Pertencia ao anonimato coletivo, ao rebanho sem rumo, comandado pelo movimento da efemeridade do existir; sofria pelo vazio absoluto, no vácuo de um viver sem sentido. Amargava a solidão da minha existência.
Noutra ocasião, ouvi de alguém que:
“Quem dá sentido às coisas é o ser humano, mas quando esse perde o sentimento de pertença positiva ao universo, nada tem sentido”.
Mais uma vez, eu mergulhava num emaranhado de emoções negativas. Só que, agora, começava a desconfiar das razões da crise vivenciada e a sentir lampejos de esperança porque, como já dissera, a crise não precisa ser o fim.
Eu não estava excluído do auditório do maluco pregador. Suas palavras proferidas eram dirigidas também a mim.
Enquanto o homem falava, eu fui tomado por um turbilhão de sentimentos niilistas, mas a esperança não se perdeu na efervescência do momento.

02/09/2024

SOBRE O BLOQUEIO DO X

O Ministro Alexandre de Morais do STF tem todo meu apoio, enquanto militante e operador do Direito. A soberania do Brasil não pode ser vilipendiada por um bandido internacional. Essa é minha opinião jurídica e política.

Porém, reservo-me no direito de não discutir com analfabeto jurídico e ignorante político.

01/09/2024

Por Pedro A. Ribeiro de Oliveira Apresentação do problema Em recente Encontro Mineiro de CEBs o Pe. Manoel Godoy fez uma oportuna provocação para nossa reflexão, e quero desenvolvê-la aqui[1]. Part…

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31/08/2024

Nosso prefeito e nossas vereadoras e vereadores participaram da formação "Encantar a Política"
Com apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
“Encantar a Política” é fruto do trabalho de uma rede de organizações, serviços, pastorais sociais e organismos da Igreja, Rede Brasileira de Fé e Política.
Clica e da uma passadinha por lá, curta, comente e compartilhe.
Vamos juntos!
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04/07/2024

No último dia 03 de julho completei 68 anos. Eu e minhas/meus filhas/filhos, netas/neto comemoramos com um café da manhã. Minha GRATIDÃO a Deus por tudo que a vida me deu, especialmente filho(as) e neta(a)s. Amém!.

20/05/2024

Depois de um dia de trabalho, na expectativa de uma liminar judicial em favor da minha saúde.

QUEM NÃO TEM ARGUMENTOS, ATACA E DESCLASSIFICA SEUS ADVERSÁRIOSPor ANTONIO SALUSTIANO FILHO* Um conhecido meu (colega) r...
19/01/2023

QUEM NÃO TEM ARGUMENTOS, ATACA E DESCLASSIFICA SEUS ADVERSÁRIOS

Por ANTONIO SALUSTIANO FILHO*

Um conhecido meu (colega) recentemente, discutindo com um colega seu (que não quis revelar o nome do dito cujo), ouviu do seu interlocutor impropérios ao meu respeito. Meu colega é defensor de Lula. Seu conhecido, gente de igreja, adepto de Bolsonaro. E a discussão girava em torno da depreciação que os bolsonaristas imputam a Lula.

Meu colega disse que, à certa altura da conversa, invocou meu nome como advogado, político sério (fiquei lisonjeado) e estudioso do Direito e da política para contra argumentar seu oponente e ouviu dele termos depreciativos para me qualif**ar: “advogado de boteco”, “advogado de truco”. Isso porque eu vou, uma ou duas vezes por semana, a um bar/boteco que frequento há mais de 30 anos, jogar truco e beber cerveja com meus amigos.

Não frequento outro bar/boteco além desse que vou. E vou nesse bar/boteco, mesmo sendo um advogado: primeiro porque mantive minha humildade de homem do povo que gosta de gente simples como eu. Prestigio esse pessoal com minha presença entre eles e minha amizade a alguns. Ser advogado não me faz melhor que ninguém, apenas um profissional qualif**ado com responsabilidade social. Ir a um bar/boteco fazer “happi hair” com pessoas simples e amigas de longa data não me faz um sujeito sem classe ou sem padrão. Às vezes a(o) cidadã(o) que frequenta não nada daquilo que aparenta ser. E se fosse alguém com valores cristãos não depreciava os outros com seus preconceitos.

Jesus de Nazaré, no início de sua vida pública, teve que f**ar fora da cidade por ser considerado impuro ao curar um leproso e outros doentes. Na religião judaica os doentes eram tidos como impuros e, como tais, deviam f**ar fora da comunidade para não a contaminar. E quem os tocasse ou com eles convivesse seria igualmente impuro e banido do convívio social. Por isso quando Jesus cura um leproso, ordena-o que se apresente ao sacerdote, que tinha o monopólio do ritual da pureza, e apresentasse o sacrifício que a lei de Moisés manda fazer para ser reintegrado à sociedade. Era o sacerdote, o religioso, quem examinava e julgava se o indivíduo se estava ou não impuro.

Jesus foi considerado demônio porque passava entre os endemoniados e os tocava e curava-os. Foi considerado um beberão e comilão porque bebia e comia com a gentalha marginalizada da sociedade do seu tempo. Jesus de Nazaré entrou na casa do publicano Zaqueu e com ele sentou-se à mesa para cear; teve entre seus discípulos um cobrador de imposto, Mateus. Zaqueu e Mateus eram tidos como gente de má-fama. Jesus deixou-se banhar por uma mulher de má reputação, enfim, os Evangelhos estão cheios dessas cenas de subversão comportamental de Jesus.

Jesus, em outra ocasião, disse: “Em verdade eu vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus.” (Mt 21, 28-32).

Leonardo Boff, tem um texto maravilhoso denominado “Elogio do Boteco”, onde diz, entre outras coisas: “Se bem repararmos, o boteco desempenha uma função cidadã: dá aos frequentadores especialmente aos mais assíduos, o sentimento de pertença à cidade ou ao bairro. Não havendo outros lugares de entretenimento e de lazer, permite que as pessoas se encontrem, esqueçam seu status social e vivam uma igualdade, geralmente, negada no cotidiano. Para mim o boteco é uma metáfora da comensalidade sonhada por Jesus, lugar onde todos podem sentar à mesa e celebrar o convívio fraterno e fazer do comer, uma comunhão. E para mim, é o lugar onde posso comer sem má consciência.” É assim que me sinto quanto vou ao bar/boteco.

Esse cidadão que tentou depreciar minha pessoa como “advogado de boteco” e “advogado de truco”, é uma pessoa de igreja. Talvez daquelas que aos domingos, ou noutros dias de Missa, como “Ministro da Eucaristia”, distribui a Hóstia Consagrada.

Não quero ser puritano e muito menos julgar alguém, mas do meu ponto de vista cristão e como estudioso da Teologia da Libertação, pessoas assim não têm o real conhecimento de Jesus de Nazaré, ou Jesus Cristo, como queira.

A santidade não depende do lugar que nós frequentamos, mas do ânimo de santidade que carregamos dentro de nós. Posso estar numa igreja (templo), distribuindo Hóstia Sagrada – inclusive – sem nenhum vestígio de santidade em mim. Ou posso estar num boteco, bebendo cerveja e jogando truco, na presença de Deus, com o coração puro e sem maldade na mente.

O Papa Francisco, o mais Santo de todos os Santos da Igreja nos últimos tempos, escreveu em sua Exortação Apostólica, “Sobre a Chamada Santidade no Mundo Atual” – “Gaudete et Exsultate” –: “Com efeito, a chamada à santidade está patente, de várias as maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia; a Abraão, o Senhor propô-la nestes termos: ‘anda na minha presença e sê integro’ (Gn 17,1)” (sic).

Padre Zezinho, um dos maiores cancioneiros da evangelização para todas as idades de todos os tempos, em uma de suas canções cantava, denunciando: “(...). Classif**aram Jesus como um alienado impostor renegado sem classe ou padrão. (...).” Ora, se fizeram e disseram isso de Jesus, o Filho de Deus, o que não vão dizer de mim, um simples mortal, “advogado de boteco e truco”? Kkkkkkk! Meu riso é minha resposta aos “santos de pau oco.”

Sirvo ao Deus que me foi revelado por Jesus de Nazaré, na caminhada de mais de 45 anos nas CEBs e Pastorais Sociais pelas quais passei e na militância política e social em favor de “um outro mundo possível e necessário”, onde os seres humanos, de todas as raças, s**o, cor, cultura e tradição, se sintam irmã(o)s uns/umas dos outra(os) e filha(os) do mesmo Deus, Pai/Mãe de infinita misericórdia.

E com esse ânimo de santidade, grito: PRISÃO A BOLSONARO! Amém!

* ANTONIO SALUSTIANO FILHO, é advogado, militante das CEBs do Regional Sul-1 e dos movimentos sociais libertários (em favor da democracia).

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