Palha & Miranda Advogados Associados

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA ADVOCACIA: ENTRE A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E A INDELEGABILIDADE DA RESPONSABILIDADE ...
04/06/2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA ADVOCACIA: ENTRE A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E A INDELEGABILIDADE DA RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL

Alucinações Algorítmicas, Automação Complacente e os Limites Ético-Jurídicos da Delegação Cognitiva no Exercício da Advocacia Resumo A incorporação da Inteligência Artificial Generativa aos fluxos de trabalho jurídicos constitui uma das mais profundas transformações tecnológicas experimentadas pela advocacia desde a informatização dos processos judiciais. Sistemas baseados em Grandes Modelos de Linguagem (Large Language Models – LLMs) passaram a desempenhar funções tradicionalmente reservadas ao raciocínio humano, auxiliando profissionais na pesquisa jurídica, elaboração de peças processuais, análise documental e construção argumentativa....

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Inteligência Artificial Generativa no Exercício da AdvocaciaResponsabilidade Profissional, Arquiteturas de Mitigação e o...
04/06/2026

Inteligência Artificial Generativa no Exercício da Advocacia

Responsabilidade Profissional, Arquiteturas de Mitigação e os Riscos da Automação Complacente Resumo O presente artigo analisa o impacto disruptivo da Inteligência Artificial (IA) Generativa no ecossistema jurídico contemporâneo, contrapondo os riscos éticos e práticos dos modelos fundacionais generalistas às soluções especializadas baseadas em Geração Aumentada de Recuperação (RAG). Sob o referencial factual e deontológico de caso, discute-se a subsunção das novas ferramentas aos deveres de competência tecnológica, confidencialidade, zelo profissional e integridade processual, estruturados no ordenamento jurídico brasileiro....

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Silêncio Coletivo, Fragilidade Institucional e Liderança ÉticaUma Análise Interdisciplinar à Luz da Psicologia Social e ...
04/06/2026

Silêncio Coletivo, Fragilidade Institucional e Liderança Ética

Uma Análise Interdisciplinar à Luz da Psicologia Social e do Estoicismo Resumo A crise institucional contemporânea não pode ser compreendida apenas como resultado de desvios individuais de caráter ou de falhas pontuais de governança. Trata-se de um fenômeno complexo, produzido pela interação entre mecanismos psicológicos, incentivos institucionais e dinâmicas sociopolíticas que favorecem a normalização da omissão, da corrupção e da erosão da confiança pública....

Uma Análise Interdisciplinar à Luz da Psicologia Social e do Estoicismo Resumo A crise institucional contemporânea não pode ser compreendida apenas como resultado de desvios individuais de caráter …

04/06/2026

Silêncio Coletivo, Fragilidade Institucional e Liderança Ética: Uma Análise Interdisciplinar à Luz da Psicologia Social e do Estoicismo

Resumo

A crise institucional contemporânea não pode ser compreendida apenas como resultado de desvios individuais de caráter ou de falhas pontuais de governança. Trata-se de um fenômeno complexo, produzido pela interação entre mecanismos psicológicos, incentivos institucionais e dinâmicas sociopolíticas que favorecem a normalização da omissão, da corrupção e da erosão da confiança pública. Este artigo examina os processos que sustentam o silêncio coletivo diante de práticas disfuncionais, identif**a os setores mais sensíveis à captura institucional e discute os fundamentos de uma liderança ética resiliente. Por fim, analisa a contribuição do estoicismo, especialmente em diálogo com a psicologia cognitivo-comportamental contemporânea, como instrumento de fortalecimento da autonomia moral, da coragem cívica e da integridade pública.

Introdução

Uma das questões mais inquietantes das democracias contemporâneas emerge sempre que instituições demonstram sinais de deterioração ética: por que indivíduos e grupos permanecem inertes diante de abusos, injustiças ou práticas claramente nocivas ao interesse coletivo? A aparente passividade social frequentemente é interpretada como indiferença moral ou conformismo voluntário. Contudo, a literatura científ**a sugere uma realidade mais complexa.
O silêncio coletivo constitui um fenômeno psicossocial estruturado, sustentado por mecanismos cognitivos, emocionais e institucionais que reduzem a disposição dos indivíduos para agir, mesmo quando reconhecem a existência de problemas graves. Nesse contexto, compreender a perpetuação da omissão torna-se essencial para explicar a fragilidade de organizações públicas e privadas, bem como o avanço de formas sofisticadas de captura institucional.
Ao mesmo tempo, a busca por respostas exige transcender abordagens exclusivamente normativas. A construção de instituições resilientes depende da formação de lideranças capazes de resistir à corrupção sistêmica por meio de mecanismos internos de autorregulação e de princípios éticos consistentes. É nesse ponto que o diálogo entre ciência comportamental e filosofia estoica revela-se particularmente fecundo.

A Arquitetura do Silêncio Coletivo

A persistência da omissão social diante de práticas percebidas como injustas encontra respaldo em diversos estudos da psicologia social e da economia comportamental. Três fenômenos destacam-se pela sua capacidade de explicar a propagação da passividade em ambientes institucionais deteriorados.

Ignorância Pluralista: o isolamento imaginário
A ignorância pluralista ocorre quando indivíduos rejeitam privadamente determinada norma ou comportamento, mas acreditam equivocadamente que a maioria dos demais o aprova. Como resultado, silenciam suas discordâncias para evitar exposição ou isolamento.
Esse mecanismo produz um paradoxo social: comunidades inteiras podem compartilhar reservas morais profundas em relação à corrupção, ao abuso de poder ou à incompetência administrativa, enquanto cada indivíduo acredita estar sozinho em sua percepção crítica. O silêncio, portanto, não reflete consenso genuíno, mas uma percepção distorcida das opiniões coletivas.

Conformidade Social e Cascatas Comportamentais

Os experimentos clássicos de Solomon Asch demonstraram que seres humanos frequentemente ajustam suas opiniões às posições dominantes do grupo, mesmo quando estas contradizem evidências objetivas.
Em ambientes organizacionais marcados por práticas inadequadas, forma-se uma cascata comportamental na qual a conformidade passa a ser percebida como estratégia racional de sobrevivência. Sob a perspectiva da teoria dos jogos, estabelece-se um equilíbrio social no qual nenhum agente encontra incentivos suficientes para desafiar o sistema isoladamente. O risco de retaliação, exclusão profissional ou perda de prestígio supera os benefícios esperados da contestação individual.

Difusão de Responsabilidade

Outro componente central é a difusão de responsabilidade. Quanto maior o número de pessoas potencialmente capazes de agir, menor tende a ser o senso de obrigação individual.
Quando a responsabilidade pela denúncia ou pela correção de uma irregularidade é compartilhada por muitos atores, cada um presume que outro tomará a iniciativa. O resultado é a paralisia coletiva. Problemas amplamente reconhecidos permanecem sem solução precisamente porque todos aguardam a ação de terceiros.

Vulnerabilidade Institucional e Assimetria dos Impactos Sociais

Os efeitos da degradação institucional distribuem-se de maneira desigual na sociedade. Alguns setores funcionam como vetores de transmissão das disfunções sistêmicas, enquanto outros suportam seus impactos de forma desproporcional.

Setores Sensíveis: os Núcleos de Irradiação da Crise

Entre os setores mais sensíveis encontram-se o sistema de justiça e os órgãos de segurança pública. Tais instituições exercem funções fundamentais para a manutenção da ordem jurídica, detendo o monopólio legítimo da coerção estatal e da aplicação das normas.
Quando critérios técnicos são substituídos por lealdades políticas, corporativas ou patrimonialistas, emerge o fenômeno da captura institucional. A aplicação da lei torna-se seletiva, reduzindo a previsibilidade jurídica e corroendo a confiança social. Nesse cenário, as instituições deixam de atuar como garantidoras da imparcialidade e passam a operar segundo interesses específicos.
Outro setor particularmente suscetível é a infraestrutura econômica e logística. O crime organizado contemporâneo não se limita às margens da economia formal. Sua atuação frequentemente envolve a infiltração em cadeias produtivas, contratos públicos, sistemas portuários, transportes e mecanismos sofisticados de lavagem de capitais. A criminalidade organizada prospera justamente onde existem falhas regulatórias e déficits de fiscalização.

Setores Vulneráveis: os Receptores da Instabilidade

Os efeitos mais severos da fragilidade institucional recaem sobre populações de baixa renda e territórios periféricos. Nesses contextos, a ausência ou insuficiência da presença estatal favorece o surgimento de estruturas paralelas de poder que oferecem serviços, impõem regras e exercem controle territorial por meio da coerção.
O pequeno empreendedor também ocupa posição particularmente vulnerável. Frequentemente submetido à combinação entre insegurança jurídica, excesso burocrático e pressões ilícitas, encontra-se em um ambiente que dificulta investimentos de longo prazo e reduz a capacidade de geração de riqueza legítima.

Liderança Ética e Mecanismos de Resistência à Corrupção
A integridade não decorre apenas de qualidades morais abstratas. Ela depende da construção deliberada de estruturas de proteção que reduzam vulnerabilidades individuais e institucionais.

Independência e Autonomia de Trajetória

A dependência absoluta de uma posição de poder constitui um dos principais fatores de risco para concessões éticas. Líderes cuja identidade, prestígio e subsistência estão integralmente vinculados ao cargo tendem a apresentar maior suscetibilidade a pressões externas.
A autonomia financeira, intelectual e profissional funciona, portanto, como importante mecanismo de blindagem contra a captura moral.

Transparência Baseada em Evidências

A corrupção prospera em ambientes caracterizados por assimetrias de informação. Quanto maior a discricionariedade não supervisionada, maior o espaço para favorecimentos indevidos.
Lideranças comprometidas com a integridade reduzem essa vulnerabilidade mediante processos transparentes, indicadores verificáveis, auditorias independentes e sistemas de tomada de decisão fundamentados em evidências objetivas. A institucionalização da transparência diminui a dependência de julgamentos arbitrários e fortalece a legitimidade das decisões.
Redes de Integridade e Coragem Compartilhada

A coragem raramente se sustenta de forma isolada. Estudos sobre comportamento coletivo demonstram que indivíduos tendem a agir com maior firmeza quando percebem apoio social consistente.
Nesse sentido, a formação de redes de integridade constitui elemento estratégico de proteção. Coalizões baseadas em valores compartilhados elevam o custo político da corrupção e reduzem a vulnerabilidade daqueles que optam por resistir às pressões do ambiente.

Estoicismo e Psicologia Cognitivo-Comportamental: Convergências Científ**as

Embora frequentemente associado à resignação, o estoicismo clássico representa, na realidade, uma sofisticada filosofia da ação racional. Sua influência sobre a moderna Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), desenvolvida por Aaron Beck, e sobre a Terapia Racional-Emotiva Comportamental (TREC), formulada por Albert Ellis, é amplamente reconhecida.
A TREC utiliza ativamente o questionamento filosófico para transformar crenças irracionais e absolutistas em pensamentos mais lógicos e adaptativos.
Aaron Beck reconheceu formalmente a influência do estoicismo, especialmente de Epicteto, na estruturação do modelo cognitivo. A TCC foca na reestruturação cognitiva, orientando o paciente a identif**ar distorções cognitivas e testar a realidade de seus pensamentos automáticos.
A premissa central dessas abordagens é que os estados emocionais não derivam diretamente dos acontecimentos externos, mas das interpretações que os indivíduos constroem acerca desses acontecimentos. Tal concepção ecoa a máxima atribuída a Epicteto segundo a qual os homens não são perturbados pelos fatos em si, mas pelos juízos que formulam sobre eles.

A Dicotomia do Controle e a Superação do Desamparo

A teoria do desamparo aprendido, desenvolvida por Martin Seligman, demonstrou que a percepção persistente de impotência reduz drasticamente a motivação para agir, favorecendo quadros de apatia e sofrimento psicológico.
O estoicismo oferece uma resposta notavelmente compatível com essa evidência empírica por meio da chamada dicotomia do controle. Ao distinguir entre aquilo que depende da própria vontade e aquilo que escapa ao domínio individual, a filosofia estoica direciona a energia psíquica para ações efetivamente realizáveis.
Essa mudança de foco fortalece a percepção de agência pessoal, reduz o desgaste emocional e preserva recursos cognitivos necessários para a ação consistente.

As Quatro Virtudes Cardinais como Fundamentos da Liderança Resiliente
Sabedoria Prática (Phronesis)

A sabedoria prática consiste na capacidade de discernir adequadamente entre meios e fins, avaliando consequências de longo prazo acima de recompensas imediatas. Sob a ótica da ciência comportamental, ela atua como contrapeso aos vieses de gratif**ação instantânea que frequentemente alimentam práticas corruptas.

Coragem (Andreia)

A coragem representa a capacidade de agir corretamente apesar do medo. Exercícios estoicos de antecipação racional de adversidades aproximam-se das técnicas contemporâneas de dessensibilização cognitiva, reduzindo respostas emocionais excessivas e favorecendo decisões mais equilibradas diante de situações de pressão.

Justiça (Dikaiosyne)

A justiça orienta o indivíduo para além dos interesses estritamente particulares. Pesquisas em psicologia positiva indicam que pessoas que associam sua identidade a propósitos coletivos apresentam maiores níveis de bem-estar subjetivo, maior resiliência emocional e menor incidência de ansiedade crônica.

Temperança (Sophrosyne)

A temperança refere-se ao autodomínio e à moderação. Em termos neuropsicológicos, ela contribui para regular impulsos associados à busca incessante por recompensas materiais, status ou reconhecimento. O líder temperante reduz sua vulnerabilidade às tentações que frequentemente comprometem a integridade institucional.

Considerações Finais

O silêncio coletivo, a corrupção sistêmica e a fragilidade institucional não podem ser compreendidos como fenômenos exclusivamente políticos ou jurídicos. Suas raízes encontram-se também na arquitetura psicológica do comportamento humano e nos incentivos que moldam as interações sociais.
A superação desse quadro exige uma estratégia dual. No plano institucional, torna-se indispensável aperfeiçoar mecanismos de transparência, proteção a denunciantes, auditoria independente e governança baseada em evidências. No plano individual, é necessário desenvolver competências psicológicas capazes de fortalecer a autonomia moral e a resistência à pressão social.
Nesse contexto, o estoicismo revela-se menos uma doutrina filosóf**a antiga e mais uma tecnologia atemporal de fortalecimento humano. Ao promover sabedoria, coragem, justiça e temperança, oferece instrumentos concretos para restaurar a capacidade de agir em ambientes marcados pela incerteza, pelo medo e pela degradação ética.
A história demonstra que grandes transformações raramente começam com maiorias. Elas costumam emergir quando indivíduos dotados de clareza moral e firmeza de caráter rompem o silêncio dominante. Ao fazê-lo, alteram a percepção coletiva do possível e tornam visível aquilo que antes permanecia oculto: que a conformidade nunca foi consenso, mas apenas uma ilusão compartilhada.

O juiz-chefe John Roberts afirmou que a Suprema Corte desempenha um papel na contenção dos "excessos" de um presidente",...
04/06/2026

O juiz-chefe John Roberts afirmou que a Suprema Corte desempenha um papel na contenção dos "excessos" de um presidente", escreve Bryan L. Tucker em uma carta ao The Times. "Mas como essa noção nobre se concilia com sua infame decisão sobre imunidade parlamentar de dois anos atrás?"

https://www.nytimes.com/2026/06/03/opinion/supreme-court.html?smid=fb-nytopinion&smtyp=cur&fbclid=IwY2xjawSOQgdleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeFLu5YAvJglVYKT4tldk7rMvoB3KEhOgNcFspqviZdZ5UffwSOKB-EMjC3S8_aem_qg8sQK0nCQJh05AOlA1mOg

Readers discuss judicial power and possible term limits. Also: Climate corruption; anxiety in children.

03/06/2026

O PREÇO DO PRAGMATISMO E A LENTA EROSÃO DA ALMA

Há um erro trágico na forma como imaginamos a ruína moral. Tendemos a visualizá-la como um penhasco: um passo em falso deliberado que nos lança instantaneamente no abismo. A realidade, contudo, assemelha-se muito mais a uma rampa suave. A decadência ética raramente começa com um grande crime; ela se inicia com uma pequena concessão, uma justif**ativa razoável, um silêncio pragmático perante um pequeno abuso.
Quando aceitamos flexibilizar nossos alicerces morais sob o pretexto de manter o acesso, o poder ou a relevância, iniciamos um processo invisível de falência interior. O preço que pagamos por essas concessões não é medido apenas em escândalos públicos, mas na destruição sistemática da nossa saúde mental, no colapso das nossas relações interpessoais e na perda irremediável da nossa credibilidade e paz de espírito.

A Sedução do Acesso e a Ilusão do Controle

O primeiro grande dilema que enfrentamos costuma ser implícito e disfarçado de oportunidade. É o dilema de Sêneca ao aceitar a tutela do jovem Nero: "Devo me aliar ao poder para tentar moderá-lo, ou me isolar e perder a chance de fazer a diferença?"
Acreditamos genuinamente que nossa inteligência e virtude serão imunes ao ambiente corrompido.
Pensamos que estamos sendo pragmáticos, mas estamos apenas sendo seduzidos pela vaidade de estar no "centro das atenções". No momento em que Sêneca engoliu seus verdadeiros sentimentos para garantir o retorno do exílio, o precedente foi aberto.
Na modernidade, esse dilema se repete nas corporações, na política e nas redes sociais. Indivíduos aceitam calar-se diante de injustiças ou manipular narrativas sob a justif**ativa de que, uma vez que alcancem o topo (o dinheiro, o poder, o reconhecimento público), farão as coisas certas. O estoicismo nos lembra que essa é uma armadilha psicológica: não se molda o caráter de um tirano — seja ele um imperador romano ou o mercado financeiro — se para entrar na corte dele você precisou abrir mão do seu próprio caráter.

O Custo de Permanecer e a Cumplicidade pelo Silêncio

Se o dilema implícito é a entrada sutil na rampa, o dilema explícito é o momento em que a fatura do preço moral é cobrada de forma brutal. Para Sêneca, o ápice desse dilema ocorreu quando precisou redigir o discurso que justif**ava o matricídio cometido por Nero. Não era mais uma questão de omitir-se, mas de agir ativamente contra a própria consciência.
"Aqueles que primeiro nos pedem para flexibilizar um pouco nossos princípios, acabarão por exigir cada vez mais. Em última análise, eles nos obrigarão a nos contorcer em posições completamente irreconhecíveis."
Quando os nossos alicerces morais começam a desmoronar, o preço pago é a perda da própria identidade. Passamos a sofrer de uma profunda dissonância cognitiva:
A reação interna a essa perda de integridade gera ansiedade, depressão e um vazio existencial profundo. A saúde física e mental definha sob o peso da culpa disfarçada de pragmatismo.
Ruína das Relações Interpessoais: Quem trai a si mesmo inevitavelmente trai os outros. A desconfiança passa a guiar os relacionamentos, pois uma pessoa que negocia seus valores essenciais torna-se fundamentalmente imprevisível e perigosa para os que a cercam.
Aos olhos do mundo, a justif**ativa do "estou fazendo o que é necessário" não se sustenta. O pragmático abdica do respeito próprio e, eventualmente, do respeito público.
O estoicismo não é uma filosofia de isolamento covarde, mas de engajamento virtuoso. Epicteto, Marco Aurélio e o próprio Sêneca (em seus escritos, se não sempre em suas ações) defendiam que o único bem real é a Virtude (Arete), e o único mal real é o vício moral. Tudo o mais — riqueza, fama, poder — são "indiferentes".
Na sociedade contemporânea, operamos na lógica inversa. Há uma busca incessante e quase patológica por dinheiro, poder e reconhecimento público. Fomos ensinados a tratar a integridade como um ativo negociável: "Qual é o preço para você assinar este relatório?", "O que custa ignorar este comportamento antiético para manter o patrocínio?".
O filósofo estoico diria que, ao vendermos nossa integridade por esses bens externos, estamos trocando ouro por lama. Como demonstra James Romm em suas análises sobre a corte de Nero e a tirania vivida por Platão, afastar-se da corte é imensamente difícil porque o sistema nos torna dependentes. O dinheiro e o status funcionam como algemas de ouro; tornamo-nos prisioneiros do conforto e do medo do ostracismo.

Por que Não Devemos Ceder?

Não devemos ceder porque a integridade moral não é um edifício que resiste a terremotos se suas colunas forem sendo corroídas por cupins dia após dia. Cada pequena concessão moral é um tijolo que removemos da nossa própria estrutura de sustentação.
Se permitirmos que nossos alicerces morais desmoronem, ainda que lentamente, acordaremos um dia sem reconhecer o espelho. Tornar-nos-emos cúmplices daquilo que mais desprezamos, aprisionados em uma vida onde temos todo o reconhecimento público do mundo, mas nenhuma paz ao fechar os olhos à noite. A maior lição da tragédia de Sêneca é que o preço do compromisso moral é sempre alto demais: ele custa a nossa própria alma.

https://www.nytimes.com/2026/06/02/opinion/trump-kennedy-center-arch-reflecting-pool.htmlPara: Nosso maior presidenteDe:...
03/06/2026

https://www.nytimes.com/2026/06/02/opinion/trump-kennedy-center-arch-reflecting-pool.html

Para: Nosso maior presidente
De: Seus maiores fãs
Escrevemos para lhe informar, senhor, que estamos tão indignados quanto o senhor com a decisão de um juiz liberal de retirar seu nome do Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para as Artes Cênicas. A decisão não só está errada, como também é retrógrada. O senhor sobreviveu a três tentativas de assassinato e, mesmo assim, o prédio manterá seu nome?
A propósito, senhor, esperamos que aqueles incompetentes do Congresso não deixem que alguma lei antiga impeça a impressão de sua foto em uma nota de 250 dólares. Afinal, nada demonstra melhor a força da economia de um país do que notas de alto valor. E como as refeições em restaurantes agora costumam custar cerca de 250 dólares (sem bebidas e sobremesa) para um grupo de quatro pessoas, emitir uma nota com sua foto seria triplamente conveniente: pagamento mais rápido; uma lembrança de como as coisas se tornaram acessíveis sob sua presidência; e a prova de que, na terra da liberdade, o senhor pode se safar de quase tudo.
Também apoiamos muito o seu plano para o arco triunfal em Washington, que se erguerá majestosamente a 76 metros de altura, quase tão alto quanto o próprio Capitólio. Esperamos que inclua grandes estátuas folheadas a ouro dos maiores líderes americanos, como Abraham Lincoln e o senhor. As pessoas estão chamando-o de "Arco de Trump", como o Arco do Triunfo em Paris. Este foi encomendado por Napoleão Bonaparte, pouco antes de feitos de genialidade militar como a Guerra Peninsular, a invasão da Rússia e a Campanha dos Cem Dias de 1815.
Sabia que uma ponte e uma estação de trem em Londres foram nomeadas em homenagem à batalha que pôs fim àquela última incursão?
De qualquer forma, líderes que constroem arcos triunfais gigantescos sempre alcançam ainda mais glória militar. Talvez o seu objetivo seja a libertação de Ormuz, embora isso possa ter que esperar pelo envio dos novos navios de guerra da classe Trump, após o primeiro entrar em serviço por volta de 2036.
Tememos, no entanto, que você esteja perdendo oportunidades signif**ativas de aumentar a sua visibilidade e a da sua família.
Fomos tentados a sugerir, por exemplo, que você considerasse renomear a Estátua da Liberdade para "Estátua da Liberdade Melania Knauss Trump", em homenagem à primeira imigrante — uma imigrante legal, é claro — a se tornar primeira-dama. Mas a Estátua da Liberdade não é exatamente um "nota 10", exceto talvez pelo tamanho do vestido, e o poema sobre "os miseráveis refugos de suas costas superpovoadas" não combina com o nome Trump.
Por enquanto, arquivamos a ideia. Mas você já pensou em construir uma “Estátua de Melania” mais esbelta, com 76 metros de altura (sem contar a base), na vizinha Governors Island? A inscrição poderia dizer: “Me deem seus modelos de catálogo da Europa Central e qualquer um disposto a assinar um cheque de 25 milhões de dólares.”
As gerações futuras acharão isso inspirador.
Também acreditamos que você foi modesto demais ao optar por renomear o Golfo do México em homenagem aos Estados Unidos, em vez de homenageá-lo com seu próprio nome, como havia pensado inicialmente. Mas por que se contentar com um mero golfo? O Oceano Atlântico recebeu o nome de Atlas, uma figura da mitologia grega, o que não faz muito sentido, já que a Grécia não f**a perto do Atlântico. E o Oceano Pacífico, que é muito maior que o Atlântico, recebeu o nome de uma marca de cerveja mexicana, Pacifico, o que não faz sentido algum.
Sabe o que faz sentido? Oceanos Trump. No plural. Simplif**a a geografia e amplif**a o seu nome.
E não podemos parar por aí.
Você não deve ter receio de colocar seu nome no novo salão de baile da Casa Branca. E embora entendamos que adicionar seu rosto ao Monte Rushmore (para o qual já existe um projeto de lei no Congresso) possa, infelizmente, ser uma impossibilidade geológica, por que não, enquanto ele está sendo reparado e reformado, adicionar o nome TRUMP em enormes letras douradas no chão do Espelho d'Água no National Mall? Idealmente, essas letras deveriam ser iluminadas à noite de uma forma que pudesse ser vista a 9.000 metros de altitude, se não do espaço.
Falando em espaço, não estamos voltando à Lua durante a sua presidência? Isso certamente signif**a direito de nomear o local, além do direito de se gabar. No mínimo, nossa primeira base lunar deve ser batizada em sua homenagem. (A segunda pode ser batizada em homenagem a Elon, ou talvez a Jeff, quem vier primeiro, desde que você ainda esteja em bons termos com algum deles.) Mas por que chamamos a lua do nosso planeta de "Lua", como se um substantivo genérico também devesse ser um nome próprio? Isso precisa mudar.
Prepare-se: Lua Trump.
Sr. Presidente, existem tantas maneiras de honrar suas conquistas e legado inestimáveis, mas já tomamos muito do seu tempo. E sendo o tempo a coisa mais valiosa de todas, isso nos lembra, finalmente, de uma...

em:
Encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse: Duas pernas de pedra, vastas e sem tronco
Erguem-se no deserto. Perto delas, na areia,
Meio afundado, jaz um rosto despedaçado, cuja carranca,
E lábio enrugado, e sorriso de frio comando,
Revelam que seu escultor bem compreendeu as paixões
Que ainda sobrevivem, impressas nessas coisas sem vida,
A mão que as zombou e o coração que as alimentou:
E no pedestal estas palavras aparecem:
“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó Poderosos, e desesperem!”
Nada mais resta. Ao redor da ruína
Dessa colossal ruína, ilimitada e nua,
As areias solitárias e planas estendem-se ao longe.
Atenciosamente,
Percy, Bysshe e Shelley

Look on his works and despair.

"Neste episódio do programa "The Ezra Klein Show", o analista Ian Bremmer argumenta que o maior fator de risco no mundo ...
02/06/2026

"Neste episódio do programa "The Ezra Klein Show", o analista Ian Bremmer argumenta que o maior fator de risco no mundo atualmente é o presidente Trump."

https://www.nytimes.com/2026/06/02/opinion/ezra-klein-podcast-ian-bremmer.html?smid=fb-nytopinion&smtyp=cur&fbclid=IwY2xjawSLwihleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeQSLPbo7a36Ssvbv2YYwbi_9XVtbe86deWCntLk2x21np-tA3Ji63VZ7QXdE_aem_lHE49p5AQFSNp0h5G9EfcQ

The political risk analyst Ian Bremmer argues that the greatest driver of risk in the world right now is President Trump.

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