12/03/2024
Estou lendo a biografia de Luiz Barsi, que foi de engraxate a maior investidor pessoa física do Brasil. Ainda estou no início do livro que é bem interessante, porém fui impactado com um trecho que me fez dar uma pausa para refletir. É que o livro narra sua infância sofrida como engraxate e todas as dificuldades vividas com sua mãe viúva. Agora, na condição de bilionário, ele relata: “Ainda hoje quando vou ao prédio da bolsa, no centro velho de São Paulo, sempre pergunto aos engraxates quanto cobram. “Vinte reais” me disseram numa das últimas vezes que estive lá. Agradeço e recuso. Com 20 reais compro duas ou três latinhas de graxa. Não é economia – é valorizar o dinheiro que ganho.”
Esmoreci. Acho que o dinheiro deve ser valorizado, sim. Mas, sinceramente, esperei que ele fosse contar que sempre engraxava os sapatos e incentivava aqueles jovens com seu exemplo, dando-lhes boas gorjetas, agradecido por ser tão afortunado... Infelizmente não...
Despertei à realidade, de como a vida não é justa, de como fico aliviado quando o prêmio acumulado da loteria sai para várias pessoas e não apenas para uma, de como todo esse dinheiro represado é nocivo à economia, e que, talvez, eu não seja mais contrário à taxação de grandes fortunas... Enfim… Um desabafo…