04/10/2026
Há uma pergunta que me acompanha quando vou votar: que país estamos deixando para quem vem depois de nós?
Talvez seja por isso que eu sempre me emocione. Naquele instante, penso nas minhas filhas e em tanta gente que eu nunca vou conhecer, mas cuja vida também será alcançada pelas escolhas que fazemos hoje.
A vida em sociedade nos pede essa capacidade de enxergar além de nós mesmos. De compreender que o nosso bem-estar não pode ser a única medida de uma boa escolha. Que há algo de profundamente humano em desejar dignidade também para quem não se parece conosco, não pensa como nós e não pode nos oferecer nada em troca.
Ao longo da vida, houve momentos em que precisei rever minhas escolhas nas urnas. Amadurecer também é permitir que a realidade questione as nossas certezas. Continuo aprendendo, mas a busca por um Brasil melhor permanece.
Faço questão de votar. Sei que um voto não resolve tudo, mas me emociona poder participar, exercer meu dever de cidadania e assumir a responsabilidade pela pequena parte que me cabe.
Que a gente se permita refletir antes de escolher. Que pense em quem espera por uma oportunidade, em quem precisa de cuidado, em quem ainda é pequeno demais para ter voz.
Olho para esse comprovante e penso que, um dia, minhas filhas vão me perguntar o que eu fiz pelo mundo que receberam.
Quero poder dizer que me importei. Que procurei escolher com consciência. E que, mesmo quando foi difícil acreditar, continuei cuidando da esperança.