28/08/2021
CERVEJA, BOLA E A GARGALHADA IMENSA
Hoje, prestamos tributo ao nosso querido primo, que tão cedo nos deixou. Já são dois dias sem a sua companhia, querido Teleco, nosso amado Luiz Antônio de Almeida. Creio que, ao relembrado, a primeira coisa que todos devem se remeter é aos olhos apertados e pequeninhos – castanhos e sinceros – e a imensa gargalhada, sua marca registrada. Era um homem muito sarrista, graças a Deus, porque no mundo precisamos desses espíritos alegres simplesmente pelo fato de existirem. Não satisfeitos de estarem vivos, ainda tem de zoar o resto da humanidade, lembrando-a de que, dentre todos os deveres a fazer, o riso deve ser companhia: é um dever-ser, um estado de graça, rir da desgraça e dos pequenos detalhes.
Ele era o tipo de homem que seguiria o seu carro e depois pararia para você e diria: “Viu, sua luz de freio”, “O quê? Queimou?”, “Não, sua luz de freio tá funcionando bem”. E você o xingaria de filho de rameira para cima, mas riria com ele. Ele tinha a doce habilidade de transformar qualquer – qualquer mesmo – coisa em piada. Quando me lembro dele, lembro-me sempre dele sorrindo, gargalhando. Ainda consigo escutar sua gargalhada, meu velho. Prego ao universo que não me deixe esquecê-la, nem do seu enorme sorriso debaixo do cabelo cacheado.
Ontem mesmo, lembrei-me da época em que mais fomos próximos. Eu ainda era adolescente e, de vez em quando, íamos passear em Campinas junto com minha tia Dilma. A risada começava desde que embarcávamos no carro. Riamos daqui até o shopping Iguatemi. Lá, sempre dávamos uma volta e comíamos algo. Era uma refeição de curso único, o curso único mais comprido que já participei. Entre uma cerveja e outra, uma piada, um prato de comida. E depois de a comida ter acabado, ficávamos os três lá, como se tempo fosse eterno, rindo o riso mais gostoso que um ser humano pode ter: o riso de mero contentamento pelo fato de estar vivo. Fizemos isso algumas vezes. O que mais me acalenta nessa hora é que toda essa simplicidade, essa vontade de agradar, de fazer divertir, de tornar o pequeno (e às vezes, insignificante) razão de riso é uma habilidade que poucos têm. Hoje, celebramos a sua risada, querido Teleco, meu herói de outros tempos, deste saltense que jogou bola aqui dentro e lá fora, homem de muitos amigos, de uma sinceridade incrível e da imensa gargalhada que, juro, jamais esqueceremos.
Vá em paz, dourada risada de perfeita sinceridade! Enlutamo-nos duramente porque sua presença será ausência sentida, tua risada o silêncio gritado e tua aura de bondade e de grandeza um tributo a ser relembrado sempre. Você nos deixa para viver no amor e vai para o céu preparar a ceia na casa do Pai. Um novo anjo nasce no Paraíso para fortemente interceder por nós todos, criaturas viventes, cuja missão na Terra continua.
À família próxima, Rafael e esposa, e Sarajane, nossos imensos abraços de saudade, com a reiteração da promessa de que estamos aqui sempre que formos requisitados.
Na Comarca de Salto, aos 28 dias do mês de agosto de 2021.
Arthur
Advogado e Cientista Político
Leite de Godoy Advocacia