10/03/2021
O que sua sala diz de você?
Sua casa e cada detalhe dentro dela contam muito sobre sua história, sobre o que você ama e sobre sua personalidade. Decidir como decorar envolve muito estilo pessoal e suas escolhas refletem na casa. De igual sorte a arquitetura conta muito de nossa história de nossa cultura, veja os Mercados Públicos de Porto Alegre, Florianópolis e Rio Grande e suas semelhanças contam muito sobre nossa colonização e refletem nossos traços lusitanos. Da mesma forma a posição da mobília do Judiciário quando adentramos a sala de audiência que deve passar aos que buscam a jurisdição estatal, a isonomia e igualdade princípios, estes, que devem nortear o que chamamos de Justiça. Falo em especial a posição que o membro do MP assenta na sala de audiência quando órgão acusador e não como, numa posição de fiscal da Lei. O MP assentar-se a destra do Juiz é uma prerrogativa legal, porém o que trago á baila é a discussão filosófica, que pode ser fundamento para discutirmos a lei. Como referido alhures a decoração de sua casa pode dizer muito sobre você e a posição da mobília demonstra um MP num mesmo patamar do julgador, sendo que, quando investido de acusador tem que estar no patamar do acusado em igualdade de armas. A legitimidade processual do MP diz respeito à capacidade de estar em Juízo, em nome do Estado, titular do direito material e de ação. O Estado conferiu ao Ministério Público o encargo do exercício das pretensões punitivo e executório estatais. O Ministério público é essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127, CF/88), logo Ministério Público não precisa ser imparcial, pois representa a parte acusadora no processo penal, todavia deve estar em pé de igualdade com a outra parte e isto diz respeito em todos os aspectos inclusive os simbólicos que devem representar um sentimento. Vejamos o que ocorreu nos famosos processos da 13ª Vara Federal de Curitiba, Juízes e promotores confabulando sobre o processo extra autos refletindo, em suas condutas, a impressão que pode causar ao contemplarmos sua posição na sala de audiência a destra e mais próximo do que acusado do julgador, lembrando que o exemplo citado considero uma exceção a regra. Entendo que devemos repensar a forma da posição do MP nas solenidades em que o mesmo não atua como mero fiscal da lei, mas tem como papel principal -a acusação- e deveria ser posicionado no mesmo patamar e distância do magistrado que a parte acusada e assim expirar a isonomia e igualdade que ocorrerá ao longo do processo.