18/12/2018
"Previdência deve alcançar quem não pode poupar, e incentivar quem tem condições"
"ConJur — Do que o senhor sabe do momento atual político e econômico no Brasil, seria possível implantar um sistema parecido com o do Chile?
Andras Uthoff — Não. Por um motivo principal: o custo da transição. O custo para substituir um sistema de seguridade social contributivo como existe hoje no Brasil pela capitalização individual deve ser assumido pelo Estado. Não há condições para arcar com esse custo no momento. No Chile também não havia, mas isso foi feito durante o período da ditadura, então o orçamento foi ajustado, com corte de outros gastos."
Implantar um sistema de previdência em que só alguns da cadeia produtiva (empregados) contribuem (já que patrões não aportam nada ou muito pouco, em contrapartida usufruem de toda a força de trabalho) e deixar o trabalhador receber, por vezes, aposentadorias miseráveis quando mais precisam de dinheiro e não podem trabalhar devido a idade é crueldade.
Nosso sistema tem não só previdência mas também assistência, já que em alguns casos ajudam pessoas em condições de miserabilidade (vide BPC/LOAS). Um sistema que não contempla pessoas em situação de extrema vulnerabilidade que não podem/conseguem trabalhar também é desumano.
No Chile só foi implantado porque o governo à época era uma ditadura, ou seja, foi forçado a população aceitar (não havia oposição). Não creio que funcionaria numa democracia, ainda que frágil, como a nossa.
Hoje no Chile são constantes os protestos contra este sistema (AFP) com a hashtag . Há relatos de idosos ganhando menos que um salario minimo, assim como há relatos de idosos se matando.
Queremos isto para nosso pais? Quem tem interesse em implantar esse sistema e porque? Quem ganha com isto?
Nosso sistema previdenciário é razoavel, mas precisa de ajustes já que hoje a expectativa de vida das pessoas mudou e as relações de trabalho também (tanto para empregados como para empregadores). É necessario uma readequação também no sistema previdenciario principalmente do funcionalismo público, em especial aqueles que tem alguns privilegios em nosso pais, como militares, alguns membros do alto escalão dos poderes executivo, legislativo e judiciário; além de uma readequação do sistema de gestão do "cofre" no qual entra/sai o dinheiro destinado a previdência.
Desde 1981, o Chile tem um sistema de fundo de pensões para aposentadorias. Funciona assim: o trabalhador, quando consegue o seu primeiro emprego, pode ir até uma Administradora de Fundos de Pensões (AFP) e abrir uma conta onde começará a poupar 10% do salário todo mês. Ao atingir a...