21/11/2025
Em 1976, o IBGE fez uma pesquisa simples: perguntou às pessoas como elas descreveriam a própria cor da pele.
Sem caixas para marcar. Sem opções pré-definidas. Apenas: “Como você se vê?” O resultado foi algo que, até hoje, impressiona: 136 respostas diferentes. Entre elas, palavras como “jambo”, “canela”, “morena roxa”, “crioula”, “alva”, “enxofada”. Algumas poéticas. Outras dolorosas. Todas carregadas de história.
Esses 136 jeitos de existir revelam uma verdade profunda: quando o assunto é identidade, ninguém cabe em uma categoria estreita. Cada pessoa é um universo tentando se nomear.
Hoje, oficialmente, o IBGE trabalha com cinco classif**ações: branco, preto, pardo, amarelo e indígena. Elas são importantes. São necessárias, mas não dão conta da riqueza, das camadas, das dores e das belezas que existem dentro de cada resposta de 1976.
E é impossível não pensar na Mude Meu Nome quando vejo isso.
A Mude nasceu para resolver um processo jurídico. Mas na prática, todos os dias testemunhamos algo muito maior acontecendo: gente encontrando coragem, gente se reconhecendo, gente se libertando de um nome, de um rótulo, de uma história que não cabia mais.
Porque mudar um nome não é só atualizar um documento. É dizer ao mundo: “Eu sei quem eu sou e agora você também vai saber.”
Os 136 tons daquela pesquisa me lembram que o Brasil sempre foi plural. E que cada pessoa que passa pela Mude carrega a mesma força: a força de existir do próprio jeito, com a própria cor, com a própria verdade, com o próprio nome.
É por isso que fazemos o que fazemos. E é por isso que continuar falando sobre identidade, de todas as formas possíveis, é tão urgente e tão necessário.