30/05/2026
O Brasil voltou a ter um herói. E isso importa mais do que parece.
Ontem, um jovem de 19 anos chamado João Fonseca entrou numa quadra em Paris e passou quase cinco horas desmontando, ponto a ponto, uma das maiores lendas do esporte mundial. Djokovic abriu 2 sets a 0. E o brasileiro não cedeu.
Isso não foi só tênis.
Existe uma carência que o brasileiro carrega silenciosamente: a de se ver representado no topo do mundo. Não no topo do caos, não no topo da polêmica, no topo da excelência. Tivemos isso com Ayrton Senna, que transformava impossibilidades físicas em vitórias sobre engenheiros, pilotos e circuitos do mundo inteiro. Tivemos com Guga Kuerten, que entrou em Roland Garros praticamente desconhecido e saiu tricampeão, desenhando um coração na argila. Esses homens não eram apenas campeões. Eram espelhos. Nos faziam acreditar que o Brasil podia, sim, produzir o melhor do mundo.
João Fonseca está reavivando essa chama.
E o que isso tem a ver com a vida profissional e os desafios do dia a dia?
Tudo.
Porque quando um jovem vê outro jovem com as mesmas limitações de fuso horário, de estrutura, de pressão virar o jogo contra quem estava 2 sets acima, algo muda internamente. Não é motivação de palco. É algo mais profundo: a percepção de que viradas são reais. Que resiliência não é um conceito de livro de autoajuda. É uma estratégia concreta.
No ambiente de negócios, vivemos sob uma pressão crescente: ciclos mais longos, decisões mais lentas, clientes mais exigentes, resultados que demoram a aparecer. É fácil interpretar esse cenário como derrota. João Fonseca, caindo dois sets, poderia ter interpretado da mesma forma.
Ele não interpretou. Ele ajustou o jogo.
Há algo poderoso em ter um herói com quem se identificar. Não porque ele resolva nossos problemas, mas porque ele prova, em tempo real, que problemas têm solução. E que grandes adversários são derrotáveis.
O Brasil está com fome de acreditar em si mesmo. João Fonseca está alimentando isso.
Que a gente aprenda com ele: não é sobre não cair. É sobre o que você faz quando está dois sets atrás.