05/07/2025
Hoje o céu ganhou um dos seus.
E a Terra… a Terra ficou mais vazia.
Perdi meu tio Augusto. Mas que injusto seria chamá-lo apenas de “tio”.
Ele não era meu pai. Nem meu tio de sangue.
Era o marido da minha tia — mas o nosso encontro, nossa sintonia, foi maior do que qualquer laço biológico.
Foi alma. Foi destino.
Ele sempre foi carinho, presença, refúgio.
Era advogado — e dos bons.
Ainda adolescente, eu me fascinava com os processos de homicídio que ele patrocinava.
Olhava as fotos, ouvia encantada as histórias que ele me contava…
E mais do que casos, ele me entregava paixão.
Me contava as teses que construiria com tanto entusiasmo que, sem saber, plantava em mim a semente da advocacia.
Foi ali, ouvindo ele transformar crime em causa, que meu caminho começou a ser traçado.
E quando esse caminho virou realidade, ele esteve ao meu lado.
Na minha primeira audiência trabalhista, foi comigo — ganhamos.
Na minha primeira audiência de custódia, ele me atendeu de longe e, com paciência, ditou cada palavra, até me ensinou onde eu deveria me sentar.
Na minha estreia no Tribunal do Júri, ele estava lá — dois dias inteiros juntos.
Perdemos. Mas quanto eu aprendi…
Ali, entendi que ser advogada não era só vencer. Era caminhar com coragem, mesmo quando o resultado não é o esperado.
Ele nunca me deixou sozinha.
Nem mesmo quando já tinha se tornado minha referência. Meu tio Augusto era feito de luz.
Carisma puro.
Amor em forma de gente.
E talvez por isso Deus não permitiu que ele sofresse.
Foi embora dormindo, em paz, sem dor, sem desespero.
De mansinho…
Como quem já cumpriu tudo o que tinha que cumprir por aqui.
Hoje meu coração chora, mas também agradece.
Por tudo.
Pela presença, pelos conselhos, pelas memórias.
Por ter tido o privilégio de aprender com ele, caminhar ao lado dele.
Ele foi meu mestre, meu amigo, meu abrigo.
Brilhe, meu tio.
O céu te recebe em festa.
E eu fico aqui, com o peito apertado, mas transbordando gratidão.
Obrigada por tudo.
Siga sua jornada de amor e alegria — como sempre foi.