16/07/2026
Até quando a sua empresa vai achar que Burnout se resolve com "dia do pijama", yoga na firma ou palestra de resiliência?
Os dados de uma nova pesquisa da Predictus (resumo da notícia desta fonte: https://www.jota.info/trabalho/em-uma-decada-burnout-levou-mais-de-22-mil-trabalhadores-a-justica), que mapeou processos judiciais entre 2016 e abril de 2026, revelam uma realidade brutal que muitos C-levels ainda insistem em ignorar: a negligência com a saúde mental virou um dos maiores e mais caros passivos trabalhistas do Brasil.
Estamos falando de um rombo acumulado de R$ 9,94 bilhões em valores de causa na última década.
Dê uma olhada nesses números e me diga se a sua empresa está realmente segura:
22.815 ações trabalhistas por Burnout ajuizadas no Brasil em 10 anos.
Mais de 400% de aumento nos processos entre 2016 e 2025.
65% de vitória para o trabalhador: em quase 2/3 dos casos mapeados, a Justiça deu ganho de causa (parcial ou total) ao empregado.
O laudo não mente: em 68,6% das ações, a perícia médica confirmou o nexo causal direto entre o ambiente de trabalho e o adoecimento mental do profissional.
O setor financeiro lidera o topo da lista de processos, seguido por hospitais. Mas o sinal vermelho acendeu de vez na educação, que viu uma explosão de 287% no volume de processos em apenas quatro anos.
O fim do "bem-estar" de fachada
Se a empatia ou a preocupação genuína com as pessoas não foram suficientes para mudar a cultura de comando e controle da sua empresa, talvez a dor no bolso e a fiscalização resolvam.
Com a nova atualização da NR-1 (em vigor desde 26 de maio deste ano), o gerenciamento e o mapeamento documentado de riscos psicossociais passou a ser obrigatório em qualquer programa de gerenciamento de riscos (PGR).
"A tendência é que a saúde mental deixe de ser tratada apenas como pauta de bem-estar corporativo e passe definitivamente a integrar a agenda de compliance trabalhista das empresas." – Hendrik Eichler, fundador da Predictus.
Cobrança de metas abusivas, jornadas exaustivas, falta de autonomia e assédio organizacional não são mais "características do mercado". Agora, são infrações passíveis de multas pesadas e combustível direto para subsidiar novas ações na Justiça.
A pergunta que f**a para os líderes e RHs é:
A sua empresa está ocupada redesenhando processos de trabalho saudáveis ou apenas provisionando o orçamento para pagar os próximos processos trabalhistas?
Pesquisa da Predictus analisou processos ajuizados entre janeiro de 2016 e abril de 2026; cifra das ações chega a R$ 9,9 bilhões