27/08/2026
BRINER: QUANDO A PRISÃO TERMINA, MAS O DESCASO PODE CUSTAR UMA VIDA
Briner de César Bitencourt era motoboy e ficou preso acusado de tráfico de dr**as. Depois de cerca de um ano encarcerado, foi absolvido e teve sua inocência reconhecida pela Justiça.
O mais cruel: no dia em que deveria ser colocado em liberdade, Briner foi encontrado morto dentro do presídio, em Palmas. O laudo apontou pneumonia bacteriana, entre outras complicações.
E agora, anos depois, a própria morte voltou a ser investigada. A Polícia Civil realizou buscas para apurar possíveis falhas no atendimento médico e outras circunstâncias relacionadas à morte.
Esse caso precisa nos fazer refletir sobre a presunção de inocência. No Brasil, milhares de pessoas permanecem presas provisoriamente aguardando julgamento. Juridicamente, não são condenadas. Mas, muitas vezes, já são tratadas pelo sistema como se fossem.
Prender alguém é uma medida excepcional. E quando o Estado retira a liberdade de uma pessoa, assume também o dever de proteger sua vida, sua saúde e sua integridade física.
A prisão não pode ser uma pena antecipada. Muito menos pode significar abandono.
Quando o Estado prende injustamente e, além da privação da liberdade, impõe sofrimento, negligência ou descaso, a injustiça se torna ainda maior.
Quem está sob custódia do Estado não deixa de ser pessoa.
Crédito da produção: TV Record – Cidade Alerta
Leidiani Vieira dos
Advogada Criminalista | OAB/SP
Direito Penal • Processo Penal • Perícia Criminal e Ciências Forenses