10/06/2024
Com relação à dissolução da Assembleia Nacional anunciada ontem pelo presidente francês Emmanuel Macron, reparei em comentários dizendo que ele teria dado um “golpe de estado”, mas isso não faz qualquer sentido. A dissolução foi em resposta à guinada à direita dada pelo eleitorado francês nas eleições para o parlamento europeu, uma mudança significativa em comparação com as eleições legislativas de 2022 que mostravam um eleitorado alinhado com a esquerda. Por isso, em resposta a essa mudança, o presidente francês considerou que os eleitores franceses já não estão mais confortáveis com um parlamento francês à esquerda e, por isso, dissolveu esse parlamento para que os franceses possam eleger os políticos que realmente querem, que seriam aqueles mais alinhados à direita.
Ou seja, Macron não dissolveu o parlamento que venceu as eleições deste domingo (esse parlamento é o europeu e teve um grande aumento de parlamentares de direita). Ele dissolveu o parlamento que venceu as eleições em 2022 e que era mais orientado à esquerda.
Portanto, se isso fosse um golpe, seria um golpe contra ele próprio já que nas eleições que ele convocou serão eleitos mais políticos de direita do que de esquerda, como ficou subentendido pelos resultados do parlamento europeu.
Isso se chama “alternância democrática” e é algo comum nas democracias, com a dissolução do parlamento em resposta a mudanças do eleitorado sendo um processo habitual no parlamentarismo.