02/02/2023
Ser pai ou mãe exige vínculo de sangue?
Entenda sobre o Reconhecimento de filiação socioafetiva
Infelizmente, existem alguns cenários nos quais o pai e/ou mãe biológicos não assumem seus papéis em relação à maternidade e/ou paternidade e os filhos acabam sendo criados por uma pessoa que apesar de não possuir nenhum vínculo de sangue, acaba se tornando uma referência de mãe ou pai para a criança devido ao seu vínculo afetivo.
Um grande exemplo que podemos citar é quando o pai não registra e/ou nem convive com a criança e a mãe passa a se relacionar com outra pessoa, que assume o vínculo afetivo com esse filho, que passa a admirá-lo como pai. No entanto, esta não é a regra, uma vez que o vínculo afetivo pode acontecer com qualquer pessoa, inclusive avós.
E por qual motivo é importante regularizar a maternidade/paternidade socioafetiva?
A regularização do vínculo maternal ou paternal socioafetivo é importante para regularizar os direitos da criança, como por exemplo recebimento de pensão alimentícia, convivência familiar, direito de visita, guarda, entre vários outros direitos que a criança passa a possuir juridicamente.
Além disso, quando o vínculo socioafetivo é reconhecido judicialmente, o juiz determinará a alteração no registro da certidão da criança ou adolescente, passando a incluir o nome do pai ou mãe socioafetivo.
Se você se identificou com este tema, saiba que atualmente existem duas formas de regularizar essa situação.
1) Via extrajudicial: para crianças maiores de 12 anos
- Neste caso, o procedimento poderá ser feito via cartório;
- A criança, maior de 12 anos, deverá estar de acordo com o procedimento;
- É necessário o consentimento do pai/mãe biológicos;
- É necessário apresentar provas em relação ao vínculo afetivo;
- Parecer favorável do Ministério Público.
2) Via judicial: para crianças menores de 12 anos
- Documentos pessoais de todos os envolvidos na ação;
- Irmãos e ascendentes da criança não podem fazer o reconhecimento;
- O pai/mãe socioafetivo precisa ser maior de 18 anos e ser ao menos 16 anos mais velho(a) que a criança;
- É necessário apresentar provas em relação ao vínculo afetivo.
Conclusão
Quanto antes a situação for regularizada, melhor será para a segurança familiar da criança, já que estará amparada não apenas com os laços do sentimento, mas também pela justiça, obtendo os mesmos direitos de um filho genético.
Assim, é importante buscar a ajuda de um advogado para obter ajuda com os procedimentos a serem realizados e assim possuir mais chances de sucesso no reconhecimento da maternidade e/ou paternidade socioafetiva.