19/03/2026
Por mais que alguém se identifique com determinada realidade, é preciso reconhecer que vivência não se constrói apenas pela identificação, mas pela experiência concreta ao longo da vida.
A história de cada grupo social é marcada por dores, lutas e desafios próprios, que não podem ser integralmente compreendidos apenas pela empatia ou afinidade. Há dimensões históricas, culturais e estruturais que moldam essas experiências de forma profunda.
Isso não significa negar direitos, nem deslegitimar identidades. Contudo, é necessário reconhecer que representar uma causa exige, além de compreensão, uma conexão direta com as vivências que deram origem àquela luta.
Quando se trata de pautas sensíveis, como aquelas relacionadas às mulheres, o debate sobre representatividade se torna ainda mais relevante, sobretudo para que não haja o enfraquecimento de demandas históricas que ainda carecem de efetiva proteção.
Assim, na minha opinião a deputada Erika Hilton (mulhertrans) não reflete, na integralidade, as vivências que marcaram a luta das mulheres, razão pela qual afirmo, de forma legítima e democrática, que não me sinto representada por sua atuação ao cargo de Presidente da Comissão das Mulheres.