30/08/2016
Mais um suicídio no Fórum Trabalhista da Barra Funda (TRT2)...MAIS UM...
Deve ser o quarto ou quinto...
E pior, desta vez, o cidadão saltou com o filho de 4 anos no colo. Por relatos, tentou pegar impulso por três vezes e foi contido pelas pessoas (não por um segurança do Tribunal). E ainda assim conseguiu em outra tentativa, com um anjinho no colo que nem sabia o que estava fazendo ali, possivelmente estava brincando no colo do pai...
E dizemos: é tragédia anunciada.
Quem entra naquele Fórum, olha sua arquitetura e analisa o conjunto formado pela mesma, pelo estado de espírito de grande parte das pessoas que ali estão (muitos em péssima situação financeira, sem emprego, com empresas quebrando, etc), e o fato de audiências e sentenças decidirem a "vida" destas pessoas e empresas, certamente chegarão à conclusão: o local é chamativo, atrativo para a tragédia.
A omissão do Tribunal salta aos olhos e por isto deve ser responsabilizado, civil e criminalmente.
Quanto custam redes de proteção, meu Deus?
Como disse o colega na matéria abaixo, ficam decidindo processos com base no princípio da dignidade da pessoa humana, previsto em nossa Constituição Federal, mas se esquecem das pessoas, das vidas que estão ali na antessala.
E também vai outra pergunta: onde está o Ministério Público que até hoje não tomou uma atitude e não ingressou com ações para salvaguardar o interesse da sociedade no que diz respeito ao referido prédio público?
Abaixo uma reportagem do caso, ficando registrada a indignação da Amancio e Oliveira com mais este triste fato.
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A direção do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, em São Paulo, suspendeu os prazos desta segunda-feira (29/8) devido a mais um caso de suicídio dentro do prédio. O expediente, os prazos processuais (exceto quanto ao Processo Judicial Eletrônico) e as audiências do Fórum Ruy Barbosa estão suspensos. O atendimento deve ser retomado normalmente nesta terça-feira (30/8).
O incidente ocorreu por volta das 11h desta segunda. Uma pessoa pulou de um dos andares do prédio com uma criança, de aproximadamente seis anos — que também morreu. Não há informação sobre o grau de parentesco entre elas e nem o s**o das vítimas. O prédio foi evacuado e o caso está sendo investigado pelo 23º Distrito Policial, em Perdizes.
Este não é o primeiro caso neste ano. Em março um outro suicídio no local gerou protestos e motivou o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região a determinar a instalação de faixas e tapumes nos parapeitos dos andares. Também foram bloqueadas as rampas que permitem a transição entre os blocos do fórum. Apenas as rampas do térreo e no décimo andar, que é o limite de chegada dos elevadores, continuam abertas. Pelo menos desde 2007 há registros de suicídios no local.
O doutor em Direito do Trabalho e professor da pós-graduação da PUC-SP, Ricardo Pereira de Freitas Guimarães lamenta a falta de medidas do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região nos sucessivos casos de suicídio no interior de seu prédio na Barra Funda. “ Mesmo com a insistência das associações de advogados e inúmeras reuniões com a presidência do TRT da 2ª Região, além de conversas com o MPT, insistindo na colocação de redes de proteção no Fórum Trabalhista de São Paulo, nenhuma medida digna de nota foi tomada, sendo que hoje tivemos a consequência de tal irresponsabilidade: mais duas mortes, sendo uma delas, ainda uma criança”, diz.
Freitas Guimarães alerta que alguma atitude precisa ser tomada. “Talvez tudo continue igual, enquanto o maior TRT do Brasil julga horas extras e fala de dignidade da pessoa humana, olha sem qualquer interesse, vidas se perdendo no seu interior. Algo precisa ser feito de maneira urgente para que novas tragédias não aconteçam. Muito triste, realmente muito triste”, conclui.
Fonte: Revista Consultor Jurídico.