19/01/2026
Voltamos do recesso cheia de novidades, e mais uma vez com a promessa de « aparecer » mais, fazer mais vídeos. Mas antes dessa nova era começar, queria falar com vocês sobre a série « All Her Fault », na Prime Videos, que eu assisti, ou melhor, devorei, durante as férias e pode ler que não terá spoiler.
Alguns diálogos me pegaram muito. E para além do crime ou do desaparecimento de uma criança, a não é apenas uma série sobre um crime ou um desaparecimento, é uma narrativa sobre como o sistema patriarcal organiza a culpa para que ela sempre tenha um endereço: o corpo e a mente das mulheres, especialmente das que são mães. E olha, estamos falando sobre mães casadas, quando passamos para o recorte mãe solo, um outro rol de culpabilidade se acrescenta.
A série expõe com uma precisão desconfortável toda a sobrecarga feminina como um sistema estrutural: mulheres que sustentam o cuidado, a logística emocional, o trabalho doméstico invisível, enquanto os homens orbitam como figuras aparentemente neutras, mas beneficiários diretos dessa engrenagem. Eles erram, se omitem, manipulam e mesmo assim raramente são convocados à mesma violência moral e o escrutínio social que recai sobre as mulheres.
A maternidade ali não é romantizada como vemos nas redes sociais. É vigiada, julgada e criminalizada. A culpa materna aparece como instrumento de controle social: qualquer desvio do ideal impossível de “boa mãe” vira prova cabal de negligência, egoísmo ou incapacidade moral. O sistema não pergunta o que aconteceu, pergunta onde essa mãe falhou.
A violência de gênero retratada não é apenas física ou explícita, ela permeia de modo sistêmico e cotidiano em cada olhar, no tribunal social, e sobretudo nas instituições que reproduzem todos os estereótipos a que nós mulheres estamos sujeitas, em especial na narrativa que exige perfeição feminina e não enxerga e ainda é tolerante com a mediocridade masculina. >>>>continua nos comentários >>>>>