20/04/2023
👉 Considerado por Freud como “a maior obra da história”, Os Irmãos Karamázov trata-se de um “primeiro” romance que teria uma continuação, mas Dostoiévski veio a falecer, não escrevendo, portanto, o que seria a segunda parte da obra.
Um dos aspectos mais relevantes do livro é a relação entre o personagem Fiódor Pavlovitch Karamázov e seus três filhos. Pai relapso, sem nenhuma virtude, que gosta de mulheres, bebedeiras e boa vida. Casou-se apenas pelos dotes de suas esposas (no caso, duas vezes) e nunca deu muita atenção aos seus filhos, largando-os a própria sorte. Dmítri (Mitia) é o filho da primeira esposa e volta anos depois para reclamar a herança da mãe, que supostamente foi fraudulentamente desviada por seu genitor. Esse é um traço importante da personalidade desse personagem e suas brigas com o pai rendem algumas das passagens mais importantes desta obra prima.
Em nosso cotidiano encontramos algumas situações em que brigas familiares como essa – que no caso do livro termina de forma intrigante! – poderiam ser evitadas com o devido planejamento sucessório, que consiste justamente na preparação da passagem do patrimônio de uma geração para a geração seguinte. O testamento e/ou a doação servem para prevenir esses terríveis conflitos familiares, tão comuns na literatura e na vida real.
Lembrando Tolstói, todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira ... e existem os Karamázov, família única e incomparável! Ainda que Dostoiévski intencionasse continuar a obra em um segundo momento, senti que em Os irmãos Karamázov ele se despede de forma magnânima e acreditando em uma humanidade melhor e mais feliz.
Como sempre o autor nos inunda com observações e frases extremamente perspicazes, muitas vezes incisivas! Eis uma dessas frases:
“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.”
― Fiodor Dostoïevski, Os Irmãos Karamazov.