19/02/2022
Você sabia que existe uma teoria sobre associar crianças e adolescentes a estarem mais vulneráveis a abusos se***is e obriga-las a dar beijo em pessoas que não desejam?
As pessoas menores de 18 anos estão em desenvolvimento biológico, psíquico e social, assim, são consideradas vulneráveis, porque como ainda estão em formação, podem ser mais suscetíveis a abusos e violações de direitos, sendo imprescindível a elaboração de leis que garantam uma proteção maior a elas.
Esse vídeo viralizado na rede social vizinha é um alerta sobre o que a lei determina como Doutrina da Proteção Integral a Criança garantido pelo ECA: crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, crianças e adolescentes são prioridade absoluta, crianças e adolescentes devem ser respeitadas segunda sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
A escritora Katia Hetter escreveu um artigo chamado “Eu não sou dono do corpo do meu filho”, nele ela explica que não obriga sua filha de 7 anos a abraçar, beijar ou ter contato físico com um adulto que ela não tenha vontade.
Não é uma questão de ser educada, até porque podemos cumprimentar alguém não somente com o toque físico: “(...) Eu não vou anular os instintos fortes do meu próprio filho para não tocar em alguém que ela escolhe não tocar.
Acho que o corpo dela é realmente dela, não meu. Não pertence aos pais, tios e tias, professores da escola ou treinador de futebol. Embora ela deva tratar as pessoas com respeito, ela não precisa oferecer afeto físico para agradá-las. E quanto mais cedo ela aprender a ser dono de si mesma e a responsabilidade por seu corpo, melhor para ela. (...)”, diz Katia em seu texto.
"Quando forçamos as crianças a se submeterem a afeições indesejadas para não ofender um parente ou ferir os sentimentos de um amigo, ensinamos a elas que seus corpos não pertencem a elas, porque elas precisam deixar de lado seus próprios sentimentos sobre o que parece certo para elas.", disse Irene van der Zande, cofundadora e diretora executiva da Kidpower Teenpower Fullpower International , uma organização sem fins lucrativos especializada no ensino de segurança pessoal e prevenção da violência.
Você gostaria que sua filha fizesse s**o com o namorado simplesmente para fazê-lo feliz? A autora Jennifer Lehr explica essa correlação desde a infância: "A mensagem que uma criança recebe é que não apenas o estado emocional de outra pessoa é sua responsabilidade, mas que também deve sacrificar seus próprios corpos para sustentar o ego de outra pessoa ou satisfazer seu desejo de amor ou carinho".
Dessa forma, ordenar às crianças que beijem ou abracem um adulto que elas não querem tocar ensina-as a usar seu corpo para agradar você ou outra pessoa em posição de autoridade ou, na verdade, qualquer pessoa.
Conclui: “Certamente nenhum pai gostaria que seu filho adolescente ou adulto se sentisse pressionado a retribuir avanços se***is indesejados, mas muitos ensinam seus filhos desde cedo que é seu trabalho usar seus corpos para fazer os outros felizes”.
Isso leva crianças a serem abusadas sexualmente, meninas adolescentes se submetendo a comportamento sexual para 'ele vai gostar de mim' e crianças sofrendo bullying porque todo mundo está 'se divertindo'.
Portanto, devemos respeitar a autonomia e aos limites que a própria criança pede e necessita, justamente porque seu corpo está em desenvolvimento físico e emocional.
Assim, se nós adultos erramos, desejamos carinho e compreensão, acolhimento, empatia e tantas outras considerações aos nossos filhos em desenvolvimento deveram ofertar mais, ao que em direito chamamos de hiperdignificação da sua vida, é o princípio da dignidade da pessoa humana levada ao extremo quando confrontado com idêntico cenário levado aos adultos.
Devemos lembrar que a maioria dos abusos se***is contra crianças e adolescentes são de pessoas conhecidas da criança, dentro de sua família e seus vínculos de amizade, forçar as crianças a tocar nas pessoas quando elas não querem as deixam vulneráveis a abusadores se***is.
O vídeo parece ser simples, mas contém uma análise profunda das nossas responsabilidades como pais.