28/08/2020
Você já teve a sensação de estar em uma entrevista quando fala que gosta de determinada série, livro, filme, ou música para um cara?
Quando você mulher se afirma "nerd", ou fã de algum conteúdo que é lido como majoritariamente de domínio masculino, é comum que façam inúmeras perguntas para você? A fim de que você de alguma forma "comprove" que gosta daquilo.
A pergunta que f**a é: quem pode ser nerd? Nos últimos anos, homens fãs de quadrinhos tem postado inúmeras reclamações sobre escolhas de elenco, figurino e representatividade nos quadrinhos adaptados para o cinema. Será que estes mesmos homem se lembram que, quadrinhos foram revolucionários justamente por discutirem temas sociais, culturais e étnicos com abordagens voltadas ao público jovem?
Absolutamente ninguém é dono do conteúdo nerd, e por mais que nós também apresentamos ressalvas à algumas dessas escolhas, cabe compreender que, focar na disseminação do conteúdo por públicos mais jovens é focar em capital, em perpetuação e inovação desta cultura.
Analisando a maneira como antigos personagens são representados para nós é, ao invés de uma forma de criticar escolhas, constitui-se como uma oportunidade de refletir nossa realidade atual e os padrões imagéticos que consumimos.
De Joaquim Phoenix como novo Coringa, Stellar interpretada por uma mulher negra na série dos Titãs, ou até mesmo Robert Pattinson, imortalizado e julgado por ter construído sua fama na saga Crepúsculo, a maneira como personagens antigos são apresentados a nós é uma oportunidade de compreender como jovens tem consumido conteúdos midiaticos e, para além disso, entender que nossa onda cultural é fruto de uma geração que briga por representatividade, equidade, igualdade e promoção de direitos.
Dito isso, mulheres não precisam comprovar seus gostos e "somar pontos" com homens. Até porque não pedimos para que homens respondam perguntas técnicas quando eles afirmam gostarem de futebol, rock ou qualquer outra coisa.
Quando os "pontos" que "ganhamos" com homens puderem ser trocados por milhas aéreas para que a gente sofra machismo tomando um café em Paris, aí talvez, nos preocupamos com esta pontuação.