08/03/2022
Não há dúvidas de que a PGE RJ sempre contou com mulheres excepcionais em seu quadro e qualquer uma delas mereceria destaque. Mas, no Dia Internacional da Mulher de 2022, a APERJ homenageia MARIA DA PENHA MACHADO RIBEIRO, primeira mulher a ingressar na Casa, pelo primeiro concurso para Procurador do Estado do Rio de Janeiro, cuja posse se deu em 21 de março de 1963. Ela foi a única mulher aprovada.
Existem duas razões para a escolha: a primeira delas é o fato de ela estar viva e é bom que seja feita essa homenagem ainda em vida, mesmo que ela hoje já não goze de boa saúde para poder usufruir desta lembrança. A APERJ conversou com uma de suas filhas, Maria Luiza Ribeiro Cabral, que autorizou que se conte um pouco da vida dessa pioneira.
Nascida em 28 de março de 1926, em Muqui, município do Espírito Santo, a única mulher de três irmãos, Maria da Penha foi uma desbravadora vanguardista do seu tempo, resistindo a muitos preconceitos da época para estudar e trabalhar.
Foi a única irmã a cursar nível superior e trabalhou para pagar pelos estudos de seus dois irmãos. Sua persistência e capacidade de trabalho eram enormes, pois até vender "quentinhas " na Urca foi necessário para o sustento da família. Maria da Penha não esmoreceu.
Trabalhava em dois empregos e estudava à noite para conseguir se formar. Tudo na sua vida profissional decorreu de sua formação, segundo sua filha. A Aprovação no Primeiro Concurso foi um exemplo da sua capacidade intelectual e de pioneirismo. Ela exerceu a carreira até 1989, ano da sua aposentadoria.
Esposa, mãe de duas filhas (Maria Luiza e Maria das Graças Ribeiro), hoje com 96 anos, seu legado de vida ficará marcado para toda uma geração de mulheres pelos seus exemplos de devoção, persistência e muito estudo.
É absolutamente emblemático que, no momento em que a Casa festeja a entrada de 10 novas colegas pelo XVIII Concurso, o exemplo daquela pioneira, desbravadora e lutadora, MARIA DA PENHA, seja lembrado no Dia Internacional das Mulheres.
A segunda razão para a escolha da Maria da Penha é mais lírica, talvez pueril: é bonito constatar que ela nasceu em março e tomou posse também no mês de março, mês que ficou dedicado às mulheres!
Hoje, o Tempo já teceu seus fios do esquecimento na mente da Maria da Penha e todas suas lembranças. Talvez ela não saiba mais se é menina, mulher ou a advogada brilhante ... E também isso não importa.
Seu bastão foi passado para tantas gerações que têm o dever de se espelhar nessa história e entender seu legado, lutando também, com bravura, para construir suas próprias histórias vencedoras.
A APERJ faz questão de lembrar.