23/06/2021
Há 191 anos, em 21 de junho de 1830, nascia em Salvador (BA) Luís Gonzaga Pinto da Gama. Ele seria filho de Luiza Mahin, uma negra livre, com um português. Foi criado pelo pai até os 10 anos. Mesmo tendo nascido livre, seu pai, devido a dívidas de jogo, vendeu o próprio filho como se fosse escravo, e ele foi enviado para São Paulo. Trabalhou como sapateiro e pedreiro e acabou fugindo do seu proprietário. Posteriormente, conseguiu a sua alforria. Autodidata, aprendeu a ler e a escrever e se dedicou ao estudo do Direito. Tornou-se advogado prático, sem diploma, porque não teve acesso aos cursos jurídicos, mas conseguiu licença para advogar.
Luís Gama advogava de graça para todos os pobres, inclusive imigrantes lesados por brasileiros, mas principalmente para escravizados. Teria sido o responsável pela libertação de mais de 500 pessoas. Uma das suas práticas era usar a lei Feijó, de 1831, que declarava livres todos os escravizados chegados no Brasil a partir de sua promulgação. Se a pessoa não tinha matrícula anterior no Brasil, ou comprovação de ter nascido de escravizados, ela era vítima do tráfico ilegal e não podia ser escravizada.
Luiz Gama também advogou em casos criminais de assassinatos cometidos por escravizados acusados de matar os seus senhores. Uma de suas teses, que causou profunda irritação nas classes dominantes, foi a de que o “escravo que mata seu senhor, seja em que circunstância for, mata em legítima defesa”. Para Gama, a libertação do cativeiro era considerada legitima defesa. Ele foi também escritor e jornalista.
Ele foi um dos próceres da abolição do Brasil, sendo chamado de “Apóstolo Negro da Abolição”. Luís Gama faleceu de diabetes em São Paulo em 24 de agosto de 1882. Seu enterro saiu de sua casa na região do Brás, e seu caixão foi carregado até o cemitério da Consolação, do outro lado da cidade, em revezamento pela população. Em certo momento, segundo Raul Pompeia, seu caixão foi transportado ao mesmo tempo por Martinho Prado, um dos mais ricos cafeicultores do Brasil, e por um negro pobre, descalço e em farrapos. Em 2015, a OAB conferiu a Luís Gama o título de advogado.
Para quem quiser saber mais tem vídeo sobre ele no meu canal https://youtu.be/Kx1r7a-p18g