13/08/2026
Há frases que entram para o debate público não ap***s pelo impacto retórico, mas pelo desconforto que provocam.
Ao afirmar que, diante de uma eventual invasão dos Estados Unidos, "o melhor que o Brasil poderia fazer seria abrir o portão", o ministro da Defesa, José Múcio, reacendeu uma discussão que o país evita há décadas: o Brasil está preparado para defender sua soberania?
A declaração, vista como um “fogo amigo”, foi feita no contexto da defesa de mais investimentos no setor, pois o país só destina cerca de 1% do PIB à Defesa, percentual inferior ao de muitas potências militares.
A resposta não é simples. O Brasil possui as maiores Forças Armadas da América Latina, com aproximadamente 360 mil militares da ativa distribuídos entre Exército, Marinha e Aeronáutica. (...)
É evidente que as Forças Armadas brasileiras não possuem capacidade para enfrentar, em igualdade de condições, superpotências como os EUA, China ou Rússia em um conflito convencional de larga escala.
Pouquíssimos países possuem. Mas a missão constitucional das Forças Armadas nunca foi vencer sozinhas uma guerra contra a maior potência militar do planeta e, sim, elevar o custo de qualquer agressão, preservar a soberania nacional e garantir que nenhuma ameaça encontre um país indefeso.
Nunca é demais lembrar que o Brasil é uma das maiores reservas de terras raras do planeta, algo cobiçado para o futuro da energia, tecnologia e conexão mundial, um bem que já é cobiçado por todos e que pode vir a ser motivo de invasão e domínio estrangeiro.
Talvez o verdadeiro "fogo amigo" não tenha sido a declaração do ministro, mas o alerta que ela revelou. Durante anos, o Brasil tratou a defesa nacional como despesa e não como investimento estratégico. Um país que deseja ser protagonista internacional não pode depender ap***s da boa vontade de seus vizinhos ou da ausência de conflitos.
Paz se preserva, também, com capacidade de dissuasão, que é o ato de convencer alguém a mudar de ideia ou a desistir de fazer algo e, no caso de guerra, esse convencimento se dá pelo respeito que se impõe com notório poderio bélico e estratégico de respeito.