26/04/2026
Por que Roma, agora?
Voltar a Horácio, Ovídio e Virgílio não é um gesto de erudição, mas de método. Eles escreveram em um mundo distante, mas formularam uma pergunta que permanece intacta: o que fazer com o tempo da vida?
Entre o presente que escapa, o desejo que insiste e o dever que se impõe, delineia-se uma disputa que não ficou no passado. Ela apenas mudou de linguagem.
Hoje, aparece sob a forma de produtividade, jornada e desempenho, mas continua girando em torno do mesmo eixo: quem pode viver o próprio tempo?
No Brasil, essa pergunta não é abstrata. A abolição formal da escravidão, com a Lei Áurea, não significou uma redistribuição do tempo.
Ela apenas deslocou a forma da exploração. O acesso ao descanso, ao lazer e à própria experiência de viver permaneceu desigual.
É por isso que esses autores ainda importam. Não porque expliquem o presente, mas porque revelam sua estrutura.
Dr Sérgio Abreu - membro CIR OAB Barra