15/12/2024
Hoje, 15 de dezembro, Dia da Mulher Advogada, compartilho – mais uma vez – um desabafo sobre as lutas de ser uma advogada negra em um ambiente elitista, machista, sexista e ra***ta.
Expor, indignar-se e resistir são atitudes que levo comigo na defesa criminal e que também abracei na minha vida. Essa postura surgiu após um longo, contínuo e, muitas vezes, doloroso processo de descoberta e afirmação de ser negra. Como escreveu Neusa Santos Souza em Tornar-se negro:
“A descoberta de ser negra é mais do que a constatação do óbvio. (Aliás, o óbvio é aquela categoria que só aparece enquanto tal depois do trabalho de se descortinar muitos véus.) Saber-se negra é viver a experiência de ter sido massacrada em sua identidade, confundida em suas perspectivas, submetida a exigências, compelida a expectativas alienadas. Mas é também, e sobretudo, a experiência de comprometer-se a resgatar a sua história e recriar-se em suas potencialidades.”
📜 E é sobre recriar-se em suas potencialidades que penso em minha inspiração como mulher advogada: Esperança Garcia. Reconhecida como a primeira advogada do Brasil apenas 247 anos depois de sua carta histórica, Esperança foi uma mulher escravizada que, em 1770, escreveu ao governador do Piauí denunciando abusos e pedindo providências – um ato que, hoje, equivaleria a um Habeas Corpus.
♟️ O Habeas Corpus, para mim, tem um significado especial. Foi por meio dele que iniciei minha atuação nos Tribunais Superiores, sempre empenhada na defesa das causas confiadas ao meu patrocínio, como determina o nosso Código de Ética.
✊🏿 Assim como Esperança Garcia, sigo firme na busca incansável pela liberdade, denunciando violações de direitos – inclusive os meus – e exigindo providências.